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sábado, 6 de junho de 2015

O símbolo mais expressivo que já se imaginou (2ª parte)

Na 1ª parte deste artigo abordou-se a alegoria de Vishnu, Ananta, etc.. com base em informação disponível no site de Daniel Caldwell, o Blavatsky Study Center e mais algum material complementar que recebi por e-mail.

Para perceber o contexto e obter mais informações sobre Caldwell recomenda-se a leitura do post da semana passada.

Nesta segunda metade, abordaremos outro modo de representar a manifestação no Cosmos desta vez com recurso à geometria e a cosmogénese segundo a tradição do Egito, com o qual é fácil estabelecer paralelos com  a versão hindu.

Vejamos agora os círculos.


Reparem que a ilustração mostra os vários círculos…em movimento….

Na verdade é apenas um círculo…expandindo-se…crescendo…até o próximo círculo…um estádio fundindo-se no estádio seguinte…

“A primeira figura é um disco simples



A segunda é um disco com um ponto no centro




um símbolo arcaico que representa a primeira diferenciação nas manifestações periódicas da natureza sempre-eterna, destituída de sexo, e infinita de “Aditi NAQUILO” (Rig Veda). O ponto no círculo é o Espaço potencial no Espaço abstrato. 

No seu terceiro estádio, o ponto é transformado num diâmetro, assim: 


A figura agora simboliza uma Mãe-Natureza divina e imaculada, no Infinito absoluto que abrange todas as coisas. Quando a linha do diâmetro é atravessada por uma linha vertical, o símbolo torna-se a cruz do mundo. “ (“A Doutrina Secreta”, vol. I p.74) 


Na simbologia dos círculos, a linha emerge a partir do ponto.

Em geometria quando um ponto se move no espaço cria uma linha…esta linha na simbologia é…o caule, a haste a crescer…pois a palavra Brahma significa expandir, crescer…

Os vários círculos tentam expressar ideias “ocultas” na linguagem da geometria.

Um círculo negro representaria o Absoluto. Imaginemos a expansão deste círculo sempre e sempre….de facto conseguimos fazê-lo…até ao infinito.

O plano deste círculo negro representa o Absoluto…TREVAS ETERNAS…o plano sem limites de “A Doutrina Secreta”.

Agora naquele plano sem limites das TREVAS ETERNAS, simbolizado pelo círculo negro…naquele círculo surge um círculo branco mais pequeno, ou uma bolha branca ou um ponto branco.




Este círculo branco é o primeiro círculo na ilustração.

HPB descreve o surgimento deste círculo branco na TREVAS ETERNAS do círculo negro:

"Diante dos olhos da escritora está um Manuscrito Arcaico, uma coleção de folhas de palmeira que, devido a algum processo específico desconhecido, se tornaram imunes em relação a água, fogo e ar.

Na primeira página há um disco imaculadamente branco sobre um fundo preto embaçado"

Este “fundo preto embaçado” é a escuridão ou negrume do círculo negro que se expande até ao infinito…este é o plano sem limites no qual surgem incontáveis universos.

HPB prossegue:

H.P. Blavatsky

“Na página seguinte, aparece o mesmo disco [branco], mas com um ponto no centro.

Ela faz uma afirmação importante sobre o ponto no círculo branco:

“É o ponto dentro do Ovo do Mundo.”

No círculo branco que contém o ponto…o círculo branco representa o Ovo do Mundo. O ponto no ovo é a “semente” ou mónada que se tornará no universo manifestado.

Portanto imagine-se o PLANO SEM LIMITES do ESPAÇO…TREVAS ETERNAS…estendendo-se até ao infinito.

Escreve HPB:

A flor do Lótus, que na alegoria brota do umbigo de Vishnu (o Deus que, nas Águas do Espaço, repousa sobre a Serpente do Infinito) é o símbolo mais expressivo que já se imaginou: É o Universo que se desenvolve do (…) PONTO, o Germe sempre oculto. Lakshmi, que é o aspeto feminino de Vishnu, e é também chamado Padma, o Lótus (…) [flutua] igualmente sobre uma flor de Lótus. (p.87, vol.II)




O lótus, que contém Brahma, o Universo, é representado saindo do umbigo de Vishnu, o PONTO Central nas Águas do ESPAÇO infinito. (p.39, vol IV)

“A primeira imagem representa o Cosmos na Eternidade, antes do redespertar da Energia ainda adormecida; a emanação da Palavra segundo os sistemas posteriores.

O ponto no círculo até aqui imaculado - o Espaço e a Eternidade em Pralaya - simboliza a aurora da diferenciação. Este é o ponto no “Ovo do Mundo…é o germe dentro deste último, que se transformará no Universo, o TODO, o Cosmos cíclico e ilimitado. Este germe é latente e ativo, periódica e alternadamente. O círculo único é a Unidade divina, de onde tudo emerge, e para onde tudo retorna. A sua circunferência - símbolo necessariamente precário devido às limitações da mente humana - indica a PRESENÇA abstrata e eternamente incognoscível, e o seu plano indica a Alma Universal, embora os dois sejam um... É neste plano que começam as manifestações manvantáricas, nesta ALMA dorme, durante o Pralaya, o Pensamento Divino em que está oculto o plano de todas as futuras Cosmogonias e Teogonias.

É a VIDA UNA, eterna, invisível, e no entanto Omnipresente; sem princípio nem fim – mas periódica nas suas manifestações regulares (em cujos intervalos reina o profundo mistério do não-Ser); inconsciente - porém Consciência absoluta; incompreensível – mas a única realidade existente por si mesma; em suma, “um Caos para os sentidos, um Cosmos para a razão.

O seu único atributo absoluto, o Movimento eterno e incessante EM SI MESMO, é chamado, esotericamente, de “Grande Alento”, que consiste na movimentação perpétua do universo, no sentido de ESPAÇO sem limites e sempre presente. O que é destituído de movimento não é divino. Mas a verdade é que não há coisa alguma absolutamente imóvel dentro da alma universal. (p.72, vol.I)”


Imagem: universaltheosophy.com


Esta é A MATRIZ…

Note-se a definição de matriz: algo a partir do qual alguma coisa nasce, desenvolve-se ou toma forma

Ou

Um ambiente ou material no qual alguma coisa se desenvolve; um meio ou estrutura ambiente.

O plano sem limites das TREVAS ETERNAS, ESPAÇO é a Matriz ou Ventre no qual os ovos de Brahma são gerados…ficam em gestação…suportados...nutridos..

Portanto, na simbologia do círculo, o círculo branco fica RODEADO por e ENVOLVIDO nas TREVAS ETERNAS… a MATRIZ, O ABSOLUTO, ESPAÇO.

É dentro deste círculo branco, este OVO, que se encontra a semente “”ponto”, a mónada, o logos) que irá se tornar num universo manifestado…

Como se vê, podemos usar a LINGUAGEM matemática, especialmente da geometria…ou a LINGUAGEM da Biologia…ou a LINGUAGEM dos símbolos…para explicar estas verdades profundas.

É importante citar mais algumas das palavras de HPB:

O ESPAÇO é o recipiente absoluto de tudo o que é, seja manifestado ou não manifestado. (p.77, vol. I)

O ESPAÇO é a Unidade Única em toda a sua extensão infinita; nos seus abismos sem fundo, como na sua superfície ilusória, uma SUPERFÍCIE pontilhada de inumeráveis Universos fenomenais, de sistemas e de mundos semelhantes a miragens” (vol.II, p.327)




Este PLANO SEM LIMITES é periodicamente o “cenário de inumeráveis Universos, que se manifestam e desaparecem incessantemente” chamados “as centelhas da Eternidade”. (p.84)

Outras citações:

“Que é aquilo que sempre é?”

“O Espaço, o eterno Anupâdaka” (que não tem pais)”

“O que sempre é, é um e este é o Espaço.”

“ O UNO é um Círculo ininterrupto (Anel) e sem circunferência, porque não está em parte alguma e está em toda a parte.”

“O UNO é o PLANO SEM LIMITES do Círculo, que manifesta um diâmetro somente durante os períodos manvantáricos.” (p.79, vol.I)

O PONTO matemático (chamado de “semente Cósmica”, a Mónada) contém todo o Universo com a bolota contém o carvalho.

Esta é a primeira BOLHA na SUPERFÍCIE do ESPAÇO homogéneo sem limites, a bolha da diferenciação no seu estádio incipiente. É o princípio do Ovo de Brahma. (Instruções Esotéricas I)

Olhemos para a imagem novamente:


Na verdade, é possível estabelecer uma correspondência entre o último círculo do lado esquerdo  e imagem de Vishnu. Segundo, Daniel Caldwell, ambos representam uma etapa mais avançada da "criação". O teosofista norte-americano arrisca uma ligação entre cada círculo e uma potencial sequência temporal da imagem de Vishnu. Assim, ao primeiro círculo (que não contém o ponto)  corresponderia a serpente "Ananta" toda enrolada, sem que Vishnu apareça (ou poderia este estar junto com Ananta, também enrolado, como numa posição fetal, mas o seu umbigo não estaria visível).

Ao segundo círculo (aquele que contém um ponto), corresponderia Vishnu a despertar, observando-se agora o seu umbigo.

Ao terceiro círculo (atravessado por um diâmetro), equivaleria à projeção do caule do lótus a partir do umbigo de Vishnu. O botão da flor do lótus não será ainda por esra altura visível.

Ao quarto círculo (que integra uma cruz) corresponderia ao nascer do botão da flor de lótus, ou seja, a flor ainda não estará aberta.

E finalmente, no círculo número cinco, com a flor de lótus completamente aberta, Brahma está em manifestação, sentado na flor com as suas quatro faces, recitando os quatro Vedas. O universo em manifestação começa o seu desdobramento e desenvolvimento. O quinto círculo mostra as manifestações diversas do Universo.

O umbigo de Vishnu correponde ao ponto no segundo círculo. Quando o caule do lótus emerge do seu umbigo isso corresponde ao diâmetro no terceiro círculo. O ponto ao mexer-se cria uma linha.


Correspondência com a cosmogonia egípcia


Daniel Caldwell enviou-me também um e-mail com algumas passagens referentes à alegoria egípcia da criação.

“Antes dos Deuses virem à existência havia apenas o escuro abismo das águas, chamado Nun, cujas energias caóticas continham as formas potenciais de todas as coisas vivas.” 

Nun
imagem: aulademitologia.wordpress.com


“O espírito do criador estava presente nessas águas primitivas mas não tinha modo de tomar forma. As forças destrutivas do caos foram personificadas pela grande serpente Apep ou Apophis.”

Inerte dentro do Mar Primordial (Nun) repousava o que “Tudo inclui” (Atum), que continha em si (o Uno) a infinito do Ser.”

A criação assume a forma da projeção [de Atum]…

Atum-Ra


Atum é descrito como “uma divindade criadora adorada em Heliópolis [cidade do Sol] que emergiu do caos primevo sob a forma de uma serpente, mas que era habitualmente representado na forma humana…Atum representava uma totalidade que continha quer o masculino quer o feminino [positivo e negativo]…”

“O acontecimento que marcou o início do tempo foi o emergir das primeiras terras das águas de Nun. Este monte primitivo providenciou o lugar onde a primeira divindade veio à existência. Ela às vezes tomava a forma de um [pequeno] pássaro…que pousava no monte”.

“Uma imagem alternativa da criação era a do lótus primitivo, que emergia das águas e se abria revelando um deus criança.”

“A primeira divindade tornou-se consciente que estava sozinha [o Uno, não-dualidade] e criou deuses e homens à sua própria imagem e um mundo para eles habitarem…"

“O poder da criação estava habitualmente ligado ao sol…"

Atum é descrito como um criador e um deus-sol. O seu nome, derivado do verbo “tem” pode ser traduzido como “aquele que ainda não veio a ser”

“Atum é considerado como o deus primitivo e que se fez sozinho da cosmogonia Heliopolitana…” 


Heliopolis
imagem:http://www.philipcoppens.com/


“O Livro dos Mortos apresenta Atum como o Deus que continuaria a existir depois da destruição do mundo.”

“…Ra-Atum…veio à existência no monte primevo e planeou a multiplicidade da criação no seu coração…”

“Ele provocou a primeira divisão…”

“As águas primitivas [Nun] continuaram [depois da criação] a envolver o cosmos [manifestado] da terra e dos céus.”

“Dos textos dos sarcófagos egípcios:

“Eu era as Águas Primordiais [Nun], aquele que não tinha companheiro quando o meu nome veio à existência.”

“A forma mais antiga na qual vim à existência foi como alguém submergido.”

“Eu fui aquele que veio à existência como um Círculo; aquele que morava no seu ovo.”

“Eu fui aquele que começou, o morador nas Águas Primordiais.”

“Primeiro Hahu [o Vento, MOVIMENTO] emergiu de mim e então comecei a mover-me.”

“Eu criei os meus membros na minha glória.”

“Fui o construtor de mim próprio, formei-me de acordo com o meu desejo e de acordo com o meu coração.”


Citações de:

WORLD MYTHOLOGY [Mitologia do Mundo], 1993, de Roy Wallis


THE ANCIENT GODS SPEAK: A Guide to Egyptian Religion, [OS DEUSES ANTIGOS FALAM: Um Guia para a Religião Egípcia], 2002, de Donald B. Redford

HAMMOND ATLAS OF THE WORLD'S RELIGIONS  [Atlas das Religiões do Mundo], 2009, de Frederick Denny e Ninian Smart

sábado, 30 de maio de 2015

O símbolo mais expressivo que já se imaginou (1ª parte)

Foi já no passado ano que recebi um conjunto de e-mails de Daniel Caldwell com uma série de considerações sobre algumas imagens alegóricas ligadas à Cosmogénese e a que “A Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky alude. Na altura disse que ia tentar traduzir o material que foi partilhado e tentar organizá-lo da melhor maneira. Infelizmente, por falta de tempo não foi possível fazê-lo mais cedo.

Já antes, o Lua em Escorpião falou de Daniel Caldwell e traduziu textos dele [ver aqui e aqui, por exemplo]. Teosofista norte-americano, sedeado em Tucson, no Arizona, Caldwell é mais conhecido no mundo de língua portuguesa pelo livro editado no Brasil pela Madras, intitulado “O Mundo Esotérico de Madame Blavatsky”. No meio de língua inglesa, Caldwell é figura relevante, pois é editor do portal de internet com mais recursos sobre Blavatsky e Teosofia, o Blavatsky Study Center. Lançou em 2012 o livro “Mrs. Holloway and the Mahatmas” e tem um artigo seu “O Mito do Volume desaparecido de A Doutrina Secreta” no chamado Manuscrito de Wurzburg recentemente editado pelo casal Reigle, o qual pode ser acedido aqui.




De referir que este artigo de Caldwell está presentemente a ser traduzido por mim e deverá integrar um artigo maior a publicar numa longa série no próximo verão.

Avancemos então para as considerações de Caldwell – expressas no seu estilo particular - sobre um tema muitas vezes difícil de apreender e que desafia as capacidades de compreensão humana. Grande parte do artigo são citações de HPB, retiradas de "A Doutrina Secreta". Salvo um ou outro caso, as imagens foram também fornecidas por Caldwell.


Repare-se na seguinte ilustração de Vishnu repousado sobre Ananta [a serpente].




Esta imagem é uma representação do que a Doutrina Secreta ensina sobre a cosmogénese, mormente do que está contido nas estâncias de Dzyan.

O oceano ou águas cósmicas sobre as quais Ananta e Vishnu estão repousados ou flutuam representam O ABSOLUTO. O oceano cósmico representa o ESPAÇO, as águas do Espaço, dito de outra forma, a fonte da vida, a MATRIZ ou o VENTRE no qual o universo manifestado surge…

As águas cósmicas representam as TREVAS conforme definidas em “A Doutrina Secreta”...o plano sem limites….ESPAÇO…o absoluto.

A serpente Ananta representa de certa forma o círculo na simbologia oculta…a serpente mordendo a sua cauda…

Pense na serpente flutuando no oceano cósmico…o círculo flutuando no grande oceano das TREVAS, no absoluto.

A serpente pode representar um aspeto do Oceano começando a se manifestar… a se solidificar…a se materializar.




Escreve HPB:

“Shesha ou Ananta, o Infinito, um nome de Vishnu e o seu primeiro Vâhana, ou veículo, sobre as Águas Primordiais.

(…)

Shesha ou Ananta, o “Leito de Vishnu” é uma abstração alegórica, simbolizando o Tempo infinito no Espaço, que contém o Germe e dele lança periodicamente a eflorescência (o Universo manifestado).” (“A Doutrina Secreta, vol.I,  p.131)

“Que é Ananta? Tal como Shesha, é o Ciclo Manvantárico de Tempo, de duração quase infinita; e ao próprio Tempo Infinito se dá o nome de Ananta, a grande Serpente de Sete Cabeças, sobre a qual repousa Vishnu, a Eterna Divindade, durante a inatividade do Pralaya.” (op.cit. vol.III, p.113)

“Ananta, a Serpente da Eternidade… conduz Vishnu durante todo o Manvantara” (op.cit., vol.II p.115)

Então a forma de Vishnu é o próximo estádio neste processo e como diz HPB pode representar o primeiro Logos…tudo isto estando ainda não manifestado.

A palavra Vishnu significa permear…conotada com o princípio universal…o absoluto que tudo permeia.

Não devemos ter uma abordagem muito literal com estes símbolos mas tentar perceber os seus sentidos mais subtis…ligações…um símbolo funde-se no seguinte…a substância cósmica, a energia, a vida, flui ao longo destes estádios, destes símbolos…um símbolo ou estádio funde-se no seguinte…




Na verdade, Vishnu e Ananta são de uma certa forma as águas cósmicas ou dito de outra forma…eles emergem da água como emanações, ou projeções ou reflexões…

Então a partir do umbigo de Vishnu cresce ou brota uma flor de lótus.

O umbigo de Vishnu representa o ponto no círculo…

Do umbigo de Vishnu surge…o lótus…Brahma…o universo manifestado.

O caule cresce e depois expande-se abrindo-se o lótus para revelar Brahma, o criador…o universo manifestado.

Usando a terminologia da Biologia, uma semente é plantada no solo…ou no meio ambiente…o solo e todo o ambiente EXTERIORES à semente representa a matriz universal ou ventre no qual a semente é alimentada e apoiada…então a semente tem este impulso interior…de se expandir…de se manifestar…

A semente germina e a partir dela surgem brotos, caules, raízes, desabrochando a sua natureza interior…vemos esta dinâmica através do reino da BIO…ou seja do reino de todas as coisas vivas…

Em todas as criaturas existe esta dinâmica interior para se movimentar, expandir, crescer.

O mesmo ciclo pode ser visto no ciclo de crescimento de uma árvore.




A bolota do carvalho expande-se, tornando-se num carvalho adulto.

A semente é “o ponto”…a mónada…o Logos.

Novamente HPB na “sua” Doutrina Secreta:




“O lótus, que encerra Brahma, o Universo, é representado saindo do umbigo de Vishnu, Ponto Central das Águas do Espaço Infinito” (op.cit., vol.IV, p.39)

“Vishnu (…) é representado com um lótus saindo do seu umbigo – ou o Universo de Brahmâ nascendo do ponto central” (op.cit., vol. III, p.47)

 “Caos, Theos e Kosmos são apenas os três símbolos da sua síntese: o Espaço…

Caos, Theos e Kosmos estão identificados por toda a Eternidade como o Espaço Uno Desconhecido…

“Brahmâ é Theos, que se desenvolve do Caos ou Grande “Mar”, as Águas, sobre as quais o Espírito ou o Espaço, que se personifica por ayanas (períodos) – o Espírito movendo-se sobre a face do Cosmos futuro e ilimitado – plana silenciosamente na primeira hora do redespertar. É ainda Vishnu, que repousa sobre Ananta-Shesha, a grande Serpente da Eternidade...

É o primeiro Triângulo ou Tríade pitagórica, o “Deus dos três aspetos”, antes de se converter, por meio da quadratura perfeita do Círculo Infinito, no Brahmâ de “quatro faces”. (op.cit., Vol.II,  p.51)

“Nos Purânas hindus, Vishnu, o Primeiro Logos, e Brahmâ, o Segundo, ou o Criador Ideal e o Criador Prático, são os que se acham representados: um manifestando o Lótus, o outro dele surgindo. “(op.cit., Vol.II, p.88)




Nas “Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett” diz o Mestre M: a serpente de sete cabeças Ananta de Vishnu, o Nag que rodeia o Buda---o grande dragão da eternidade morde com a sua cabeça ativa a sua cauda passiva, de cujas emanações nascem os mundos, seres e coisas….TUDO é Maya, com a exceção daquele princípio uno que só descansa durante os maha-pralayas, “as noites de Brahm”…o Nag desperta. Ele exala o seu hálito poderoso, que é enviado como um choque elétrico através de todo o fio que rodeia o Espaço. (Carta 13, vol I, p.200).

Clique aqui para ver a página onde está alojada esta imagem


Continua na próxima semana.


sábado, 9 de maio de 2015

Homens de outros planetas (2ª parte)

A semana passada, o Lua em Escorpião publicou a 1ª parte de "Homens de outros planetas", um artigo de Matthew Webb, associado da Loja Unida de Teosofistas (LUT). Nessa primeira parte, foi feita uma longa introdução, recomendando-se a sua leitura antes de prosseguir.

Avancemos para 2ª parte do texto de Matthew Webb.


Página de entrada do Blavatsky Theosophy Group


A Teosofia ensina que globos, planetas, estrelas, etc.., quer do nosso sistema solar quer para lá dele existem com o propósito de serem habitados e para a evolução.

A referência nesta citação em particular à “cadeia setenária de mundos” é simplesmente um lembrete do ensinamento fundamental da Teosofia de que cada planeta conhecido – tal como a Terra, Marte, Mercúrio, Vénus, Saturno, Júpiter, etc… é de facto um sistema setenário que consiste de sete globos, onde apenas um dos quais está no nível físico material em cada um dos casos. Isso é dizer que cada globo físico tem seis globos não físicos que existem em conexão próxima e inseparável ao seu lado para fins de evolução contínua.


No caso da cadeia terrestre, o globo D é onde nos
encontramos presentemente 


Os seres de cada planeta, sejam eles seres terrestres, marcianos, venusianos ou quaisquer, passam de globo para globo da sua cadeia planetária num processo cíclico e definido extremamente lento e gradual de desdobramento e progresso interno, ao longo de milhares de milhões de anos, passando pelos sete globos sete vezes antes que o processo em curso seja realizado.

Como no nosso caso a evolução está presentemente em ação e em curso no globo físico da nossa cadeia terrestre, a visão e perceções da humanidade terrestre estão confinadas apenas ao nível de ser físico material. Por várias razões, a evolução prossegue a diferentes ritmos nos diferentes planetas no nosso sistema. Em “A Doutrina Secreta” é dito especificamente que existe “vida em Marte” mas que está a ter lugar num dos globos não-físicos da cadeia de Marte, sendo que o globo visível físico e fisicamente visível desta cadeia está presentemente num estado de “obscurecimento” designado em Sânscrito por Pralaya e que é basicamente uma paralisia temporária e ausência de vida até que a onda de vida evolutiva de Marte passe uma vez mais para o nível físico.

Ao mesmo tempo é-nos dito que a vida está agora começando novamente no planeta físico Mercúrio depois de longas eras e éons da evolução daquela cadeia planetária terem tido lugar nos seis restantes globos.


Mercúrio

Embora a perceção e conhecimento de outros planetas por parte dos seres humanos e da vida lá presente seja limitada e confinada àquilo que conseguem ver com os próprios olhos físicos e àquilo que lhes é dito pelas descobertas da ciência - o valor da qual é extremamente limitado devido à sua abordagem grosseiramente materialista em relação a tudo – já os Adeptos iniciados e os Mestres de Sabedoria não sofrem essa restrição.

“Os grandes adeptos (os que são, naturalmente, iniciados), por bons videntes que sejam, só podem alegar o conhecimento completo da natureza e do aspeto dos planetas que pertencem ao nosso Sistema Solar…Eles sabem que os Mundos Planetários estão quase todos habitados, mas – ainda que em espírito – só podem ter acesso aos do nosso sistema; e sabem também quanto é difícil – inclusive para eles – entrar em relações completas até mesmo com os planos de consciência dentro do nosso Sistema, diferindo como diferem, dos estados de consciência possíveis no nosso Globo; tais, por exemplo, como os que existem na Cadeia de Esferas dos três planos que transcendem os da nossa Terra. Essas relações e esse conhecimento são-lhes possíveis porque aprenderam o modo de penetrar em planos de consciência fechados à perceção ordinária do homem; mas, se eles comunicassem o seu conhecimento, o mundo não ficaria mais sábio por isso, uma vez que ao homem falta a experiência de outras formas de perceção, que é o único meio capaz de permitir-lhe compreender o que lhe viessem a dizer.” [NT: A Doutrina Secreta, vol. IV, p.272]


H.P. Blavatsky


Depois desta explicação, HPB acrescenta: “Não deixa contudo, de subsistir o facto de que a maior parte dos Planetas, assim como as Estrelas situadas além do nosso Sistema são habitados, facto esse que os próprios homens de ciência admitem.”

Nesses “homens da ciência” estão incluídas personagens famosas como Laplace, Herschell e o célebre astrónomo e teosofista francês Camille Flammarion. O ponto final que iremos abordar neste breve artigo foi levantado por Flammarion no seu trabalho “Sur la pluralité des mondes habités” (“Sobre a pluralidade dos mundos habitados”) onde ele escreveu: 

“Aos olhos dos autores que escreveram sobre este assunto, a Terra é o tipo do mundo, e o homem da Terra, o tipo dos habitantes do céu. Todavia, é bem mais provável que, a natureza dos mundos sendo essencialmente variada, os meios e as condições de existência essencialmente diferentes, as forças que presidiram à criação dos seres, e as substâncias que entraram em sua constituição recíproca, essencialmente distintas, o nosso modo de existência não pode, de maneira alguma, ser considerado como aplicável aos outros globos. Os que escreveram sobre este assunto deixaram-se dominar pelas ideias terrestres e caíram no erro. [itálico nosso].


Camille Flammarion (1842-1925)


A este respeito, a Senhora Blavatsky conclui que: “parecendo completamente inútil entrar em questões detalhadas de fisiologia, etc… acerca destes hipotéticos habitantes; porque, afinal de contas, o leitor não poderia chegar senão a uma ampliação imaginária do meio ambiente que lhe é familiar…as humanidades de outros mundos diferem de nós tanto na sua organização interna como no seu tipo físico exterior.” [NT: op.cit, p.278]

Nós, seres humanos, temos a tendência de retratar tudo à nossa imagem e semelhança, embora fazer isso seja muitas vezes enganoso, para não dizer infantil.

A Teosofia sustenta portanto que existe vida e que existem seres noutros planetas e que efetivamente cada planeta e globo já foi habitado, está habitado, ou será habitada no futuro, mas é impossível para nós possuir nem que seja uma conceção parcialmente precisa ou uma ideia da vida ou seres nesses planetas, porque a nossa natureza humana limitada nos restringe a sermos capazes de “chegar senão a uma ampliação imaginária do meio ambiente que [nos] é familiar.”

Um teosofista dará pois pouca credibilidade às teorias “dos homenzinhos verdes” ou de seres extraterrestres e das suas civilizações praticamente idênticas de quase todas as formas aos seres humanos e à civilização, tal como têm alegado numerosos médiuns e clarividentes ao longo dos anos.


Foto: www.educatinghumanity.com


Quanto aos relatos cada vez mais frequentes em todo o mundo de alienígenas e OVNIs, há que olhar para os mesmos com uma combinação sadia de interesse e ceticismo até que factos e detalhes definidos e inatacáveis venham à luz, recordando que o mais importante não é uma obsessão com alienígenas e as suas supostas naves espaciais mas como a ajuda, cura e serviço à humanidade - fisicamente e com a Luz da Verdade espiritual e universal – para que a nossa raça humana não se afunde ainda mais num suicídio moral, ético, psicológico e espiritual.

sábado, 2 de maio de 2015

Homens de outros planetas (1ª parte)


É com grande satisfação que introduzo este tema no “Lua em Escorpião”. Com efeito, um dos meus primeiros interesses – bem anterior ao meu encontro com a Teosofia que data de abril de 2003 – foi o fenómeno OVNI e de uma das explicações para o mesmo, a de que esses veículos não identificados eram tripulados por entidades externas à Terra. 

Um dos livros que espoletou as minhas pesquisas neste tema foi escrito pelo insigne e entretanto falecido Prof. John E. Mack, fundador do departamento de Psiquiatria do Cambridge Hospital, que estava ligado à Harvard Medical School. 


John E. Mack (1929-2004)
foto: www.philipcoppens.com

Usando a hipnose com os seus pacientes descobriu que alguns deles tinham (alegadamente) sido raptados por seres extraterrestres. O trabalho do prof. Mack não foi bem aceite pelos seus pares, que o acusavam de por em perigo a reputação da instituição, tendo sido nomeado um comité que investigou o seu trabalho. Um processo penoso, ao qual Mack sobreviveu. O John E. Mack Institute mantém viva a memória do trabalho do prof. Mack (existe uma lista de artigos em português) e decorre um levantamento de fundos para fazer um filme sobre a vida dele (aqui está uma biografia em português, logo abaixo da versão em inglês). Independentemente, de ter presentemente algumas dúvidas sobre as conclusões do prof. Mack, não há dúvidas que foi um homem de grande coragem.





 Futuramente, o Lua em Escorpião irá publicar um texto em exclusivo sobre o prof. Mack com base em artigos relativamente recentes publicados em títulos conhecidos da imprensa norte-americana.

Há muitos casos de proximidade entre a Teosofia e a busca da verdade sobre o fenómeno OVNI. Por exemplo na Suécia, os grupos de investigação dos OVNI e publicações relacionadas foram iniciados por teosofistas da Sociedade de Adyar, como conta aqui, Hakan Blomqvist.

Esse interesse de teosofistas nos OVNI e nos ET pode ser exemplificado no vídeo abaixo onde uma longa conferência sobre o tema é dada por um especialista holandês de nome Gerard Aartsen. Como se pode ouvir na introdução há a referência que Aartsen já abordou o assunto em vários grupos teosóficos da Grã- Bretanha. Já ouvi esta palestra há uns anos e pude-me atualizar sobre uma série de questões, pois depois de ter descoberto a Teosofia, o meu interesse sobre estes assuntos reduziu-se bastante. Naturalmente franzo o sobrolho a muitas das alegações de Aartsen.




Presentemente sigo com atenção o percurso de Leslie Kean, uma jornalista freelancer norte-americana, que aborda apenas o lado dos OVNI sem fazer a ligação com a questão “extraterrestre”. O seu livro “UFOs - Generals, Pilots, and Government Officials Go on the Record” [OVNI – Generais, Pilotos e funcionários do Governo dão o seu testemunho] é exemplar na forma como aborda o assunto, além do contar com um prefácio de John Podesta, antigo chefe da casa civil do presidente Bill Clinton.

Leslie Kean e a capa do seu livro
Foto www.ufo.com.br

O trabalho dos ufólogos brasileiros é reconhecida mundialmente e a comprovar o facto está a reunião mantida com o Ministério da Defesa do seu país em 2013, e que não foi feita às escondidas.

Podíamos ainda acrescentar o Projeto COMETA na França, como outro exemplo da atenção que merece o fenómeno. Daí que textos como este sejam perfeitamente dispensáveis. Trocada a palavra OVNI por Teosofia e aplicado o mesmo tom sarcástico e desdenhoso encontraremos textos semelhantes atacando a filosofia perene.

Como dizia o sábio indiano Narada “Deve-se aprender para conhecer, conhecer para compreender, compreender para julgar”, senão o mais certo é sair asneira.

O melhor texto que conheço que relaciona os dois temas é este, que um dia o Lua em Escorpião conta traduzir. Estava previsto que isso acontecesse no próximo verão, mas já existe material para essa altura, pelo que ficará para 2016.

Depois desta longa introdução, há que passar ao artigo de Matthew Webb, editor do site blavatskytheosophy.co.uk, do qual já vários artigos foram traduzidos, todos eles a gerarem enorme interesse. Matthew Webb é associado da Loja Unida de Teosofistas (LUT). O texto aborda o tema da existência de vida fora da Terra, fundamentalmente com base em “A Doutrina Secreta”, de H.P. Blavatsky. As imagens que intercalam o texto são da minha responsabilidade.

Pergunta-se o que a Teosofia e o seu maior expoente moderno, H.P. Blavatsky, têm a dizer sobre a existência de “alienígenas” ou de vida extraterrestre.

H.P. Blavatsky (1831-1891)

Na terceira secção de maior dimensão do volume II de “A Doutrina Secreta” intitulada “Ciência e a Doutrina Secreta comparadas”[NT: na edição atualmente disponível em língua portuguesa corresponde ao conteúdo constante no volume IV, a partir da p.215], HPB  faz um conjunto de referências a este assunto, começando por dizer (nas p. 698-699) [NT:p.268-270 em português] que “Acerca da Raça-raiz Ariana e das suas raízes está a Ciência tão mal informada quanto sobre os homens de outros planetas. Com exceção de Flammarion e de alguns poucos astrónomos místicos, a maior parte nega a habitabilidade dos outros planetas. Entretanto, os sábios das primeiras raças do tronco ariano eram tão grandes Astrónomos-Adeptos que pareciam saber muito mais das raças de Marte e de Vénus que os nossos modernos antropólogos sobre as raças dos primeiros estados da Terra.”


Marte
Foto:hypescience.com

O que se entende por Raça-raiz Ariana está explicado nos artigos “Atlântida e Lemúria” e “Evolução Humana em A Doutrina Secreta”. A própria HPB, embora usando este termo por conveniência e para a compreensão consistente dos seus leitores e estudantes, admitiu que aplicar o termo “Ariano” em massa para a totalidade da nossa Quinta Raça é de certo modo impreciso, pois Aryavarta (o nome antigo da Índia) era o lar da primeira sub-raça da Quinta Raça-raiz, mas não da quinta e última sub-raça, que é a Europeia, que atualmente prevalece na Europa, EUA, Australásia e etc…

Mas o que é declarado especificadamente por HPB, pelo Mestre Koot Hoomi e pelo Mestre Morya – que, em declarações próprias e assinadas, afirmaram que escreveram e produziram “A Doutrina Secreta” juntamente com ela (ver Quem escreveu a Doutrina Secreta?) é de que existem efetivamente “homens de outros planetas”…mesmo de “raças de Marte e de Vénus”, cuja existência e detalhes eram conhecidos de alguns dos primeiros astrónomos iniciados da Índia e do Oriente.




Num capítulo intitulado “Da cadeia de planetas e da sua pluralidade” encontramos o seguinte:
“Conheciam os antigos outros mundos além do nosso? Quais são os dados em que se apoiam os Ocultistas par a afirmar que cada Globo é uma Cadeia Setenária de Mundos – dos quais só um é visível – e que tais mundos foram, são e serão “habitados por homens”, como também o são todas as estrelas e planetas visíveis? Que pretendem eles dizer quando se referem a uma “influência moral e física” exercida sobre o nosso Globo pelos Mundos Siderais?

Estas são as questões que frequentemente nos são propostas e que devemos examinar em todos os seus aspetos.

À primeira das duas questões damos a seguinte resposta: Nós acreditamos, porque a primeira lei da Natureza é a uniformidade na diversidade, e a segunda a analogia. “ Em cima como em baixo”. Já se foram, e para sempre, os tempos em que os nossos piedosos antepassados acreditavam que a Terra ocupava o centro do Universo, e em que a Igreja e os seus arrogantes servidores podiam insistir em considerar blasfémia a suposição de que outros planetas estivessem habitados.” [NT: DS, vol. IV, p.270]

Continua na próxima semana.

sábado, 11 de abril de 2015

A Ciência e as evidências sobre a existência da alma (2ª parte)

Na passada semana, iniciámos a publicação de um artigo sobre as investigações da ciência no domínio da reencarnação. O texto - generalista e escrito por um não teosofista - foi publicado no site Spirit Science and Metaphysics e é da autoria de Steven Bancarz.

Prosseguimos com a tradução, recomendando-se a leitura prévia da primeira parte.

Algo que interessava o Dr. Stevenson eram as fobias que resultavam de traumas de vida passadas. Como escreveu o Dr. Jim Tucker:



“Outra área que interessava Ian era o comportamento destas crianças. Ele escreveu um artigo sobre fobias que muitas das crianças evidenciavam, habitualmente relacionadas com a forma como morreram nessa vida de que alegavam se recordar (Stevenson, 1990a). Ele relatou que 36% das crianças num conjunto de 387 casos evidenciava esses receios. Ocorriam quando a criança era muito jovem, muitas vezes antes de fazer alegações sobre a vida passada. Ele descreveu, por exemplo, uma rapariga no Sri Lanka que enquanto bebé resistia a tomar banho de tal forma que três adultos tinham de a agarrar. Com seis meses, ela também mostrou uma fobia pronunciada de autocarros e mais tarde descreveu a vida de uma rapariga noutra aldeia que andava por uma rua estreita entre campos de arroz alagados, quando se desviou para evitar um autocarro que passava e caiu à agua, afogando-se.” O artigo de jornal original onde estas descobertas foram publicadas pode ser encontrado aqui.

O que parece ser mais do que puro acaso é o facto de as crianças serem capazes de identificar com precisão relacionamentos e amizades antigas que tiveram com determinadas pessoas nas suas vidas passadas. Um caso bastante impressionante foi o de uma rapariga libanesa que foi capaz de se recordar e identificar 25 pessoas diferentes da sua vida passada e os relacionamentos interpessoais que teve com eles. As melhores descobertas de Stevenson foram condensadas num livro chamado “Vinte casos sugestivos de reencarnação”. Como leitura adicional, este livro seria efetivamente a melhor aposta. O American Journal of Psychiatry analisou estes casos e disse que existiam “casos cujas lembranças tinham um nível de detalhe tal, que persuadem uma mente aberta que a reencarnação é uma hipótese lógica para explicá-los.” Ele publicou outros livros e artigos que eram largamente aceites pela comunidade em geral.

Como afirmava uma crítica no Journal of the American Medical Association, “com respeito à reencarnação ele meticulosa e friamente reuniu um conjunto detalhado de casos da Índia, casos nos quais a prova é difícil de explicar noutros termos.” O crítico acrescenta: “Ele disponibilizou uma quantidade significativa de dados que não podem ser ignorados.” O seu artigo ‘‘The Explanatory Value of the Idea of Reincarnation’’ [O valor explicativo da ideia da reencarnação] teve milhares de pedidos de reimpressão por parte de cientistas de todo o mundo. As suas descobertas também foram publicadas em revistas científicas como o Journal of Nervous and Mental Disease e o International Journal of Comparative Sociology.

Em 2005, durante uma apresentação na Penn State University, o Dr. Jim B. Tucker, um pedopsiquiatra da Universidade da Virgínia, contou que uma mãe estava inclinada sobre uma mesa para mudar a fralda do filho quando a sua criança disse inesperadamente “Quanto eu tinha a tua idade, costumava mudar-te as fraldas.”. Sam Taylor, do estado do Vermont, nasceu 18 meses depois da morte do seu avô. Quando ele fez este comentário, tinha apenas alguns anos [NT: um ano e meio mais precisamente]. Aos 4 anos e meio, Taylor era capaz de apontar para o seu avô numa fotografia da escola onde apareciam mais de vinte pessoas e identificar o primeiro carro do seu avô a partir de uma fotografia.

Aqui está um vídeo de uma história de reencarnação de um jovem rapaz feita pelo canal norte-americano ABC News para dar uma ideia da natureza destes casos. É importante perceber que este caso é americano, portanto os pais não estão a influenciar ou a encorajar o rapaz a acreditar na reencarnação em nome da cultura ou da religião.




Esta é apenas um pequena fração da quantidade de provas que existe sobre a reencarnação. Ao chegar a uma conclusão sobre as suas descobertas e publicações, temos de nos perguntar “Qual é a melhor explicação que possa acomodar todas estas provas?” Se a reencarnação não existe, porque existem tantos casos de crianças que alegam ter sido outras pessoas, que sabem os nomes específicos e relações interpessoais da pessoa que alegam ter sido, que têm marcas de nascença e anormalidades onde dizem ter sofrido ferimentos nas suas vidas passadas e que tiveram fobias específicas ligadas a supostos traumas de vidas passadas? Quais são as probabilidades de todas estas provas existirem sem existir a alma? Quais são as probabilidades que a reencarnação não exista dadas estas provas? Os relatos são demasiado precisos para serem fruto do acaso e todas as outras explicações são incapazes de tentar explicar esta ampla variedade de dados.

A reencarnação não pode mais ser olhada como alguma fantasia pseudocientífica, religiosa ou dogmática da Nova Era, nem tão pouco a alma. Podemos inferir a realidade da alma porque é a melhor explicação para os todos os dados existentes. Deverá existir uma parte não-física de nós (a própria consciência, talvez) que contém memórias que deixam o nosso corpo e entram num novo corpo. Esta é uma hipótese que tem merecido séria atenção no grosso da comunidade académica e que a investigação tem vindo a amadurecer até aos dias de hoje. Quando pegamos em todas as provas e olhamos para elas sem que o enviesamento religioso ou científico interfira, parece que não apenas temos justificação para a crença na reencarnação, como pode ser esta a melhor de todas as explicações nos casos mais sólidos.

“Não é uma surpresa nascer mais do que uma vez; tudo na natureza é ressurreição” – Voltaire

Mais provas sobre a existência da alma podem ser encontradas nas ligações abaixo:




Fontes:

Laidlaw, R. W. (1967). Review of Twenty Cases Suggestive of Reincarnation. American Journal of Psychiatry, 124, 128.

King, L. S. (1975). Reincarnation. JAMA, 234, 978




Leitura recomendada: Vida Antes da Vida pelo Dr. Jim Tucker e "Jornada das Almas" pelo Dr. Michael Newton.

Fim da tradução.

Embora pessoalmente recomende vivamente o livro do Dr. Tucker, em relação à outra sugestão manifesto algumas dúvidas. Os livros do Dr. Newton são a "bíblia" do movimento new age, e estão baseadas na terapia de regressão a vidas passadas. Existem vários pontos conflituantes com a doutrina teosófica e alguns de convergência, mas subsistem dúvidas quanto ao método utilizado e à veracidade das lembranças. O Lua em Escorpião irá naturalmente no futuro voltar a abordar esta questão.

A principal valia do texto de Bancarz é a sua abordagem simples e o facto de referir alguns dos casos que Stevenson e Tucker investigaram.

sábado, 4 de abril de 2015

A Ciência e as evidências sobre a existência da alma (1ª parte)


Há dias deparei-me no Facebook com um simples e interessante texto que resume parte do que se tem feito no domínio da ciência para provar a reencarnação e a existência de algo que sobrevive à morte.

O texto é generalista e foi escrito por um não teosofista, de nome Steven Bancarz, editor do site Spirit Science and Metaphysics. Segue-se a tradução:




Muitas pessoas são resistentes à ideia de “alma” porque atualmente este termo está enredado em dogma e superstição religiosa. Algumas pessoas pensam que é uma completa parvoíce. Contudo, o conceito de uma consciência capaz de se desprender do corpo oferece bastante poder explicativo no que respeita a fenómenos como as Experiências de Quase Morte, Experiências fora do corpo, projeções astrais e até a reencarnação.

De facto, a prova da reencarnação é a melhor e mais forte prova da existência de uma alma. Esta é uma afirmação ousada, mas a evidência da reencarnação é inegável e não pode ser atribuída coletivamente ao acaso ou a qualquer outra explicação física. Se a reencarnação existe, a alma existe. Senão, vejamos.

Antes de explorarmos as evidências, é útil recordar que não precisamos de PROVAS irrefutáveis que sirvam de justificação para acreditar seja no que for. Se o meteorologista disser que existe 70% de probabilidade de aguaceiros, não preciso de prova que vai chover para então levar o guarda-chuva comigo. Não preciso de ter a certeza que um meteoro não vai cair na minha cabeça para sair de casa. Não preciso de provas científicas irrefutáveis sobre vida extraterrestre para acreditar que a vida existe noutros planetas, porque existem tantas e boas razões para que consideradas cumulativamente, forneçam uma explicação plausível para acreditar na vida noutros planetas. Isto é conhecido como “abdução” [NT: ver aqui uma explicação sobre esta expressão] e é o tipo de raciocínio que mais vezes usamos no nosso quotidiano.

A reencarnação não é algo que possa ser medido objetivamente do mesmo modo que medimos uma reação química, pelo que, pode, à partida, não ser possível provar usando o método científico. A ciência é a medição empírica do mundo natural e a alma é algo que existe para lá do mundo natural. Portanto a questão é: “existem suficientes peças sólidas de provas, que consideradas em conjunto possam fornecer uma explicação plausível para a reencarnação? Julgo que a resposta é um rotundo sim. Atentemos:

O Dr. Ian Stevenson, antigo professor de Psiquiatria na Escola de Medicina da Universidade da Virgínia, levou 40 anos a investigar histórias de reencarnação com crianças. Este antigo diretor do Departamento de Psiquiatria e Neurologia investigou mais de 3 000 relatos independentes de crianças que alegavam ter memórias e conhecer pessoas das suas supostas vidas passadas. De acordo com Stevenson, o número de casos passíveis de ser levados em conta é de tal modo elevado que excedeu a capacidade dele e da sua equipa serem capazes de investigá-los na sua totalidade.




O software de reconhecimento facial confirmou que existiam de facto semelhanças faciais com as alegadas reencarnações anteriores reportadas. Alguns tinham marcas de nascença onde alegadamente tinham sofrido feridas fatais na sua vida passada. Muitas vezes existiam lesões impressionantes e às vezes bizarras, tal como dedos malformados ou falta de membros, cabeças deformadas e outras marcas estranhas. Como escreve o Dr. Stevenson no seu artigo ““Birthmarks and Birth Defects Corresponding to Wounds on Deceased Persons” [Marcas e defeitos de nascença que correspondem a feridas de pessoas falecidas] no Journal of Scientific Exploration:

“Cerca de 35% das crianças que alegam se recordar de vidas passadas têm marcas de nascença e/ou defeitos de nascença que atribuem (ou os adultos informantes) a feridas numa pessoa de cuja vida a criança se lembra. Os casos de 210 dessas crianças foram investigados. As marcas de nascença eram habitualmente áreas de pele sem pelos e enrugadas; noutros casos áreas sem ou com pouca pigmentação (máculas hipocrómicas) e ainda noutras situações áreas de pigmentação excessiva (nevos hiperpigmentados).

Os defeitos de nascença eram quase sempre de tipo raro. Em casos nos quais era identificada uma pessoa falecida e os detalhes da respetiva vida coincidiam inequivocamente com as afirmações da criança, era quase sempre encontrada uma correspondência próxima com as marcas e/ou os defeitos de nascença na criança e as feridas da pessoa falecida. Em 43 dos 49 casos nos quais um documento médico (habitualmente um certificado de óbito) era obtido, confirmava-se a correspondência entre as feridas e as marcas de nascença (ou defeitos de nascença).”

As memórias das crianças eram demasiado específicas para serem fruto do acaso. Num artigo no qual três casos foram analisados em grande detalhe pelo Dr. Stevenson, ele declarou que cada uma das três crianças fez cerca de 30-40 alegações relativas a memórias que tinham de vidas passadas, 82-92% das quais eram simultaneamente verificáveis e corretas. As particularidades e os detalhes específicos dados pelas crianças iam desde os nomes, personalidades e ocupações dos seus antigos pais e irmãos, às disposições precisas das casas onde viviam. Não era raro para Stevenson encontrar uma criança que pudesse ir a uma vila onde nunca tivesse estado antes e dar os detalhes da vila, dos antigos pertences pessoais, a vizinhança onde viveu numa vida passada e as pessoas com as quais se juntava.

Ele conclui: “Era possível em cada um dos casos encontrar uma família que tivesse perdido um membro cuja vida correspondia às declarações da criança. As suas afirmações, consideradas no seu conjunto, eram suficientemente específicas para não corresponderem à vida de uma qualquer outra pessoa. Acreditamos que excluímos a transmissão normal de informação correta às crianças ou que elas obtiveram a informação correta que expuseram sobre a respetiva pessoa falecida através de algum processo paranormal.”

Continua na próxima semana.

sábado, 7 de março de 2015

Uma pergunta (e uma resposta) sobre as Experiências de Quase-Morte

As redes sociais são – infelizmente menos vezes do que seria desejável – um espaço onde de tempos a tempos são colocadas questões interessantes sobre certos fenómenos que até se tornaram bastante conhecidos do público em geral como são as experiências de quase-morte (EQM).

Que explicação dá a Teosofia para o fenómeno?

Este diálogo foi retirado do grupo do Facebook da Sociedade Teosófica das Filipinas e quem dá a resposta é o conhecido teosofista Vicente Hao Chin Jr., responsável pela edição cronológica das Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett. Mais informações sobre o trabalho de Hao Chin Jr. podem ser obtidas aqui.

Refira-se ainda que o teosofista filipino tem uma natureza conciliadora e tenta sempre que possível conjugar a terminologia usada em diferentes gerações de teosofistas, que muitas vezes parece estar em oposição. A resposta que ele dá à questão colocada é um exemplo dessa situação.




P: Tenho uma questão relacionada com a mente. Como entender os fenómenos como por exemplo as EQM (Experiências de Quase-Morte)? Como é que um “fantasma” (se se acreditar neles ou se se tiver experiências com eles) interage com a nossa realidade física sem ter sentidos externos?

2% das EQM são histórias comprovadas de pessoas que alegam terem acedido aos seus sentidos de um local exterior aos seus corpos clinicamente mortos.

Como pode a mente percecionar sem um corpo?

A única explicação que tenho é a de que estão a efetuar uma espécie de “visão remota”.


Vicente Hao Chin Jr. é quem responde à pergunta


R: O meu entendimento é o seguinte:

Quanto uma pessoa tem uma experiência de quase-morte é o linga-sharira ou duplo etérico (ou parte dele) que se desprende. O duplo etérico (chamado de corpo astral por H.P. Blavatsky; embora eu evite esta última designação porque é usada com um sentido diferente por C.W. Leadbeater) é semi-físico e tem os órgãos sensoriais correspondentes do corpo humano. Dessa forma é capaz de percecionar o mundo físico quando está fora do corpo.



H.P. Blavatsky


 A natureza semi-física do duplo é suportada e validada pelas investigações sobre reencarnação. Quando o duplo é separado do corpo físico devido a morte prematura (homicídio, suicídio ou acidente) não está ainda morto, embora seja incapaz de regressar a um corpo físico. Quando tem a oportunidade de renascer de imediato noutro ventre, então pode manter as caraterísticas físicas do corpo anterior, incluindo feridas, cicatrizes, membros amputados, ausência de orelhas, etc… Isto sucede porque o duplo etérico está ainda presente e transporta para o novo corpo as caraterísticas do corpo e personalidade anteriores. Este fenómeno foi bem documentado pelas investigações do Dr. Ian Stevenson da Universidade da Virgínia que descobriu que as crianças que se recordam da sua vida anterior muitas vezes têm as marcas de nascença que correspondem de forma notável às lesões que sofreram durante a vida passada. (ver o livro dele “Where Reincarnation and Biology Intersect,” 1997.)





A visão remota parece ser um fenómeno diferente do da perceção pelo duplo. O duplo não pode se afastar muito do corpo físico, mas a visão remota pode ser feita em qualquer lugar no mundo (Ingo Swann até alegou ser capaz de visitar Júpiter e observar os seus anéis antes destes serem descobertos pelos astrónomos).

 A mente pode percecionar sem o corpo mas apenas naqueles níveis nos quais tem um veículo. Assim, perceciona o mundo dos desejos (kama loka) quando retém um corpo de desejos (kama rupa), mas não pode percecionar o mundo físico com o corpo de desejos. Quando um corpo de desejos é descartado, então cessa de ser capaz de percecionar esse mundo de desejos.