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sábado, 20 de agosto de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (11ª parte)

Esta semana o Lua em Escorpião dá continuidade à tradução da discussão que teve lugar no fórum de internet Theosophy Nexus.


Universal Theosophy é o site associado
do Theosophy Nexus

Reigle acrescenta que as suspeitas de o volume ser espúrio implicam desonestidade por parte de Besant, uma acusação que ele considera grave quando se sabe que ela foi “uma das pessoas mais honestas que se conhece”. Reigle vê na divisão existente no movimento teosófico originada pelo caso Judge a origem destas suspeitas. A opinião de Boris de Zirkoff -  um dos principais teosofistas do séc. XX – responsável pela edição dos Collected Writings, lançando dúvidas sobre a honestidade do 3.º volume prevaleceu. Contudo, ele próprio fez muitas correções ao trabalho de Blavatsky, nomeadamente retificando fontes e citações, sendo igualmente vítima de críticas também por mexer no trabalho original de Blavatsky. Reigle, porém, classifica o seu trabalho como exemplar.

Ele cita também Besant, que apesar de considerar que o capítulo “O Mistério do Buddha” contém vários erros, misturando o que é exotérico com o que é esotérico, assegura que:

“Salvo a correção de erros gramaticais e a eliminação de modismos de todo estranhos ao idioma inglês, os textos permanecem tais como H.P.B. os deixou”. Por aqui, se vê, alega Reigle que Besant não tinha inclinação para fazer alterações arbitrariamente.


Mais um documentário sobre Anie Besant


Reigle acrescenta que não foi o manuscrito de Würzburg que serviu de base para o volume III. Este manuscrito é uma parte de uma cópia feito a partir do manuscrito original de “A Doutrina Secreta” e que foi enviada para a Índia para correção por parte de Subba Row. Essa cópia foi enviada em partes, sendo que as restantes se perderam. Caldwell estima que o manuscrito que não desapareceu representa cerca de um terço da totalidade. A diferença na terminologia existente no manuscrito (de 1886) e o que consta no terceiro volume resulta do facto de HPB estar continuamente a fazer correções e alterações, mesmo depois da publicação ter ido para o prelo. Nas “Reminiscências de H.P. Blavatsky e de A Doutrina Secreta” da Condessa Wachtmeister poderá ser encontrada a descrição dos Keightley sobre o modo como foi escrita “A Doutrina Secreta”. Como já foi referido, em 2014 foi publicado o manuscrito de Würzburg pelas mãos de David e Nancy Reigle. O livro contém ainda o artigo “O Mito do terceiro volume da Doutrina Secreta” por Daniel Caldwell e uma cronologia, que existe também separadamente em livro.

Jon Fergus, embora mantenha a sua posição, dá uma resposta exemplar, cheia de sensatez, pondo em perspetiva toda a herança de Annie Besant, muitas vezes denegrida injustamente.

Reigle continua a juntar argumentos. Outro, bastante relevante, vem de uma comunicação com data de 6 de dezembro de 1922, entre Bertram Keightley e Charles Blech, um teosofista francês. Escreveu Keightley:


Reigle escreve assiduamente no blog "The Book of Dzyan"


“(…) Em primeiro lugar, o nosso amigo (neste caso particular, Chakravarti), não teve de todo, nada a dizer, nem nada a ver com a segunda edição de A Doutrina Secreta (chamada a edição de Besant), e foi mais o Senhor Mead do que a Senhora Besant, que ficou encarregue dela.

Quanto às pretensões de H.P.B. relativamente a volumes futuros – para além dos dois publicados sob sua própria supervisão – todo este material foi publicado no terceiro volume, que contém absolutamente tudo aquilo que H.P.B. deixou em manuscrito [citado em “The O.E. Library Critic, 4 de julho de 1923].




Isto são factos. Mas tantas intrigas, fábulas e romances sobre a história passada da ST têm circulado, que ninguém se consegue manter informado sobre elas. Corrigi-las é simplesmente uma tarefa impossível e eu já desisti dela há muito tempo.”

Blech conclui:

“Por mais que as suas paixões o encegueirem (…) não creio que os membros da S.T. possam suspeitar do testemunho do Senhor Bertram Keightley.”

Original em francês aqui e tradução para inglês aqui.

Quanto ao argumento que o material do volume III parece mais fraco que o resto de “A Doutrina Secreta”, Reigle escreve:

“As estâncias de Dzyan são únicas. Nada se lhes compara. Mas as estâncias e os seus comentários formam apenas um terço dos dois volumes de “A Doutrina Secreta”. Os dois terços remanescentes, sobre simbolismo e comparações com a ciência moderna, respetivamente, também não se comparam às secções sobre as estâncias. Não vejo qualquer diferença entre estes dois terços dos volumes I e II e o material do volume III.




Fergus adianta contudo que deverá se separar o que foi publicado em vida, do que foi publicado postumamente.

Realce-se que esta discussão decorre durante muitos dias em tom cordial. Nem sempre é assim, como aconteceu quando se falou da publicação das Instruções Esotéricas, um assunto que ainda haveremos de tratar no Lua em Escorpião. Na verdade, o Nexus é avesso a discussões que reabram velhas feridas do movimento. Teosofistas das várias tradições são membros da comunidade e a maior parte das discussões é sobre o que H.P.B escreveu, não só na Doutrina Secreta, mas também noutros livros.

Jon Fergus replica alegando que a frase dos Keightley é bastante anterior à morte de HPB e que existe uma larga distância entre o manuscrito de 1891 e a versão final do chamado terceiro volume. Reconhece contudo que não é possível ter uma opinião definitiva e que tudo se baseia em declarações de alguém e em conjeturas.


Archibald Keightley (em pé) acompanhado de
outro teosofista razoavelmente conhecido
e que irá apoiar Judge quando este rompeu
relações com Besant e Olcott. 


Fergus não põe em causa a honestidade de Besant que carateriza como alguém “bem-intencionado e corajoso”, mas duvida que Mead lhe tenha dito que a intenção de publicar as Instruções Esotéricas nesse volume era a de matar a Secção Esotérica. Portanto nalguns casos poderá ter sido vítima das intenções dos outros e de ter sido influenciada. O teosofista canadiano admite que a declaração de HPB de que o volume III estava quase pronto poderia ter sido uma precipitação e e que só existiria um rascunho que por essa razão, quando saiu, tinha muito pior qualidade que os volumes anteriores, publicados durante a vida de HPB.

Reigle considera a declaração feita por Bertram Keightley para o teosofista francês Charles Blech (já acima citada) como definitiva.

Por outro lado, Reigle refere que quer a edição de Mead (3.ª edição em inglês de 1893) e a de Josephine Ransom (edição de Adyar de 1938, a partir da qual foi feita a tradução para português) são excelentes trabalhos, contudo superados pela edição de Boris de Zirkoff que é presentemente a versão publicada pela Sociedade de Adyar (em inglês, claro).


Edicão inglesa de "A Doutrina Secreta" de 1938

Até 1995 Reigle considerava que a decisão de Adyar de retirar o volume III (ou seja os volumes V e VI da edição em língua portuguesa) de “A Doutrina Secreta” tinha sido acertada, mas depois de ler o artigo de Daniel Caldwell “O mito do terceiro volume perdido de A Doutrina Secreta”, Reigle defende a reposição do volume III como material legítimo do conjunto de “A Doutrina Secreta”.

Continua na próxima semana.


sábado, 13 de agosto de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (10ª parte)

Na semana passada terminámos a tradução do artigo de Daniel Caldwell,  "O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta". Hoje iniciamos a tradução de uma discussão que teve lugar numa comunidade online de teosofistas.

O Theosophy Nexus é considerado por muitos teosofistas o melhor fórum de discussão sobre Teosofia atualmente em atividade. Está ligado ao site Universal Theosophy, também ele de grande qualidade. No Nexus debatem-se os ensinamentos teosóficos com profundidade e a maior parte das opiniões que lá surgem são de teosofistas experientes. O acompanhamento regular desta comunidade já permite uma boa aprendizagem.




Este assunto esteve lá em debate e portanto nada melhor do que traduzir algumas das intervenções. Para o efeito, o Lua em Escorpião teve a autorização expressa de um dos administradores do Nexus.

David Reigle (um dos principais, senão o principal expert em Sânscrito no movimento teosófico atual) refere: “Depois do conselho dos Keightleys, ela [HPB] mudou este material [referente à história de alguns Iniciados] do primeiro para o terceiro volume, o qual só foi publicado depois do seu falecimento.”

Jon Fergus, de quem o Lua em Escorpião já traduziu este post replica referindo que não crê que a secção que se encontra no 3.º volume seja o que HPB inicialmente planeou.


Jon Fergus

Reigle responde que efetivamente a visão que Jon apresenta era a da maioria dos estudantes de “A Doutrina Secreta”, incluindo ele próprio e Daniel Caldwell (um investigador independente que gere o portal em língua inglesa que contém mais material sobre Blavatsky, tendo o Lua em Escorpião já traduzido textos nunca antes publicados deste autor). Caldwell tem um papel central nesta questão. Foi a investigação dele que mudou a opinião de muitos no meio teosófico. Iniciada na 2ª metade dos anos 80 e encorajada pelo falecido John Cooper (teosofista australiano que esteve encarregue de compilar as famosas Cartas de HPB, o primeiro volume das quais publicado em 2004 pelas mãos de John Algeo e que tanta polémica deu), essa investigação foi publicada em 1995 no American Theosophist com a designação “O Mito do Terceiro Volume Desparecido de A Doutrina Secreta”, revisto em 2004 e publicado em 2014 no livro editado por David e Nancy Reigle “The Secret Doctrine Würzburg Manuscript”, que contém um terço do primeiro manuscrito da magnum opus de Blavatsky.

Fergus mantém-se irredutível, argumentando com a diferença de qualidade entre este terceiro volume e os dois anteriores, no que é apoiado por Nicholas Weeks (teosofista bem conhecido no meio, ligado à tradição de Point Loma e cujo texto mais conhecido será “Theosophy’s Shadow” [A Sombra da Teosofia], uma forte crítica à tradição de Alice Bailey).

Reigle saúda a discussão aberta (ao que eu acrescentaria que nunca é de mais reafirmar a necessidade de as pessoas discutirem pontos de vistas diferentes com urbanidade), mas responde que a afirmação de Bertram Keightley (ele e o seu sobrinho Archibald ajudaram a editar a primeira “Doutrina Secreta”) foi o que o fez mudar de opinião:


David Reigle

“HPB havia dado o manuscrito completo de “A Doutrina Secreta” aos Keightleys e estes sugeriram a sua reordenação. Bertram escreveu:

“(…) em vez do primeiro volume consistir na história de alguns grandes Ocultistas, como ela [HPB] pretendia, aconselhámo-la a seguir uma ordem natural de exposição e começar com a evolução dos Cosmos e daí para a Evolução do Homem e então para lidar com a parte histórica num terceiro volume abordando as vidas de alguns grandes Ocultistas…”.

Fergus reage alegando que muito tempo passou entre a afirmação de Bertram e a publicação do terceiro volume por parte de Annie Besant. Lembra que um mês antes de morrer, Blavatsky disse que o manuscrito do terceiro volume está “quase pronto”, sendo muito estranho que leve 6 anos a ser publicado e com um conteúdo pouco organizado, na opinião de Fergus.


Parte 3 do documentário sobre Annie Besant

HPB com efeito escreveu o seguinte na revista Lucifer de abril de 1891:

Há dois anos, a autora prometeu em “A Doutrina Secreta”, Vol.II p. 798 [p.366 do volume IV da edição em português de “A Doutrina Secreta”], um terceiro e até um quarto volume deste trabalho. O terceiro volume (que está praticamente pronto) trata dos antigos Mistérios da Iniciação, dá esboços – do ponto de vista esotérico – de muitos dos mais famosos e historicamente conhecidos filósofos e hierofantes (todos eles considerados pela ciência como impostores), desde a antiguidade ate à era cristã, e rastreia os ensinamentos de todos estes sábios à mesma e única fonte de todo o conhecimento e ciência – a doutrina esotérica ou RELIGIÂO SABEDORIA. Nem é necessário referir que dos materiais lendários esotéricos usados no próximo trabalho, as suas afirmações e conclusões diferem grandemente e muitas vezes chocam irreconciliavelmente com os dados fornecidos por quase todos os orientalistas ingleses e alemães….O objetivo principal do Volume III de “A Doutrina Secreta” é provar, ao identificar e explicar os véus nas obras dos antigos indianos, gregos e outros filósofos de renome e também em todas as antigas Escrituras – a presença de um método e simbolismo alegórico e esotérico ininterruptos: mostrar, tanto quanto possível, que com as chaves da interpretação conforme ensinadas no Cânone do Ocultismo Hindu-Budista Oriental, os Upanixades, os Puranas, os Sutras, os poemas épicos da Grécia e da Índia, o Livro Egípcio dos Mortos, os Eddas escandinavos, bem como a Bíblia hebraica e ainda os escritos clássicos dos Iniciados (como Platão, entre outros) – tudo, do início ao fim, dão um significado bastante diferente dos seus textos em letra morta.
Este texto também pode ser encontrado nos Collected Writings.

Fergus alega que comparando esta descrição com o conteúdo do Volume III há uma considerável discrepância. Quem abrisse esse volume, conhecedor da descrição de Blavatsky, ficaria desiludido.
Nicholas Weeks refere que é um pouco estranho terem levado 6 anos para publicar o 3º volume (que estaria quase pronto um mês antes de Blavatsky morrer). Porque não incluí-lo na re-edição de 1893? Para além disso, para quê juntar as Instruções Esotéricas, para engordar o volume quando este já tinha 432 páginas (no original, em inglês)?




Reigle considera que os argumentos de Caldwell são demasiado robustos para sequer sofrerem contestação.

Segundo aquele Sanscritista, o testemunho mais forte vem de Archibald Keightley que a 29 de abril de 1889 referiu:


“O terceiro volume de “A Doutrina Secreta” está em manuscrito pronto para impressão. Consiste principalmente de uma série de esboços de grandes ocultistas de todas as épocas e é um trabalho maravilhoso e fascinante. O quarto volume, que basicamente dará algumas pistas sobre ocultismo prático, já foi delineado, mas ainda não foi escrito” (Wachtmeister, 1893, p. 84).


Condessa Constance
Wachtmeister


Continua na próxima semana.

sábado, 6 de agosto de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (9ª parte)


Hoje termina a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de ler o post desta semana.




PARTE 7 - Apêndice – D.S. Volume III: Perspetivas diferentes por teosofistas contemporâneos

A primeira edição deste artigo foi originalmente publicada no “The American Theosophist” (Wheaton, Illinois) no número de final de primavera/início de verão de 1995, p. 18-25. Fiquei surpreendido pelo nível de interesse demonstrado pelo artigo. Um certo número de estudantes de Blavatsky escreveu-me concordando com a minha tese. Não obstante, muitos outros leitores discordavam completamente com a perspetiva que era expressa no meu artigo. Um dos estudantes discordantes postulava a teoria “disjecta membra” que possivelmente foi avançada em primeira instância pelo conhecido teosofista, G.R.S. Mead.




Em 1897, Mead, que era o secretário particular de H.P.B. durante os últimos dois anos da sua vida, escreveu, com respeito ao recentemente publicado Volume III de “A Doutrina Secreta”:

“É de certa forma uma experiência inédita para este autor, que editou, de uma ou de outra forma, quase tudo o que H.P.B. escreveu em inglês, com a exceção de “Ísis sem Véu”, estar a virar as páginas das folhas do Volume III de “A Doutrina Secreta”, como alguém do público em geral, pois com exceção das págs. 433-594 [os apontamentos esotéricos de HPB] não viu uma palavra dele que fosse antes…Qual é pois, a primeira impressão [deste volume III]? Não podemos disfarçar o facto de o primeiro sentimento ser de desapontamento. O espírito das estâncias e dos comentários, que fazem com que, do ponto de vista do teosofista, os primeiros dois volumes sobressaiam bastante em comparação com a demais literatura teosófica, está inteiramente ausente. As páginas [do volume III] são avidamente perscrutadas à procura de uma nova mina de ouro da mesma natureza das estâncias ou dos comentários, mas com exceção de um ou dois parágrafos nada é encontrado. De facto, até chegarmos à p. 359 e ao “O Mistério de Buddha” e às secções que preenchem as páginas 359-432, encontramos secções disjecta membra, a maioria das quais foram evidentemente excluídas dos volumes I e II, devido à sua inferioridade em relação ao resto da obra. O editor [senhora Besant] tinha-se comprometido a publicá-los, mas…seria melhor tê-los publicado como artigos independentes na Lucifer, em vez de tê-los incluído como parte de “A Doutrina Secreta”. É quase certo que se a Senhora Blavatsky tivesse vivido mais tempo, estas secções na sua forma atual não teriam sido incluídas na sua grande obra. Corporificam as suas capacidades menos importantes. “Lucifer”, Julho, 1897, p.353-54.

Ted G. Davy (um estudante de Blavatsky e antigo editor de “The Canadian Theosophist” durante muitos anos) aceita a teoria de “disjecta membra” de Mead. Por outras palavras, ele rejeita a minha tese conforme apresentada neste artigo. Em correspondência pessoal, Davy expressou a sua perspetiva da seguinte forma:




“Reli o seu artigo…e a minha opinião com respeito ao volume III não se alterou, estando ainda inclinado para aceitar a teoria de “disjecta” ou “rejecta  membra” de Mead…Julgando apenas pela sua qualidade, duvido que muito mais de dez por cento do seu conteúdo fosse material que H.P.B. pretendesse que fizesse parte do seu vol. III. Depois de ter escrito a D.S. e a Chave poucos meses antes da sua morte, os seus artigos na “Lucifer” tinham um nível comparável, o que contrasta gritantemente que aquilo que enfiado no volume III publicado…

Recentemente, enquanto pesquisava sobre os antigos Druidas, reparei que alguns dos parágrafos nas p. 258-259 dos CW, vol. XIV são muito semelhantes a passagens na D.S. II, p.759-60). Talvez existam outros exemplos de tais duplicações, que reforçariam a teoria disjecta.”

Richard Robb, responsável pelo Wizards Bookshelf e organizador do “Simpósio da Doutrina Secreta” de julho de 1984 em San Diego, Califórnia, também discorda da minha tese com respeito ao volume III:


Richard Robb é o fundador da Wizards Bookshelf
que funciona atualmente neste edifício
no estado do Michigan, EUA

“Tenho o seu artigo sobre o assim denominado volume III da DS…Uma refutação consistente da sua tese deverá estar baseada em mais do que meras evidências escritas. Se você estivesse familiarizado com a essência da SD in toto, com o seu apelo subjacente à mente superior e à intuição, veria num instante que o Volume III mais parece uma extensão de Ísis…um arranjo de factos físicos, destituídos do koan do Prof. Hannon. As vidas dos adeptos NÃO constam do Vol.III, apenas são referidas brevemente. O chamado vol. III é usado em parte na D.S., que tendo sido reescrita, veio naturalmente a incluir algumas partes escritas anteriormente. HPB não reescreveu toda a DS em menos de um ano. Conforme foi referido, uma vez que os leitores tenham assimilado os primeiros dois volumes, o terceiro volume irá aparecer. Assim, terá de ser MAIS esotérico que os primeiros dois volumes, não menos, como é o caso do Volume III/Material de Würzburg….Referindo-me novamente ao seu artigo sobre a DS III”, deparei-me com algo que pode ser pertinente. Com respeito às declarações de HPB sobre adivinhação por Qutamy na Agricultura dos Nabateus, do facto de ele ter recebido a sua revelação de um ídolo da Lua, que por sua vez o recebeu de “Saturno”, etc…Volume II, p. 455 lê-se: “Até o modo de adivinhação por meio do “ídolo da Lua” é o mesmo que praticavam David, Saúl e os Sumos-sacerdotes do Tabernáculo Judeu por intermédio dos Terafins. No volume III, 2ª parte da presente obra, os métodos práticos de tal adivinhação antiga serão encontrados.” Sabemos que teurgia de tal ordem não está definitivamente no volume III de Besant. Além do mais, é inconcebível que o mundo em geral tivesse tal poder nas suas mãos na sua presente condição materialista. Deverá aguardar por uma nova era, quando as atitudes forem muito diferentes e o conhecimento usado de modo não egoísta. Esta passagem é suficiente para me convencer de que não temos o verdadeiro Volume III, mas existem outras passagens que não me deixaram dúvida alguma sobre a hipótese do Volume III de Besant. Nem temos partes do verdadeiro Volume III. Está simplesmente a ser retido para a altura certa, o que é óbvio para mim.

De modo a analisar adequadamente as perspetivas de Mead, Davy e Robb, sugiro que o estudante interessado releia cuidadosamente o que foi atrás escrito no corpo principal deste artigo com respeito ao conteúdo do Volume I do manuscrito de Würzburg. Atenção especial deverá ser dirigida ao testemunho confirmado de Bertram Keightley no qual ele nos informa a ordem pela qual o manuscrito de “A Doutrina Secreta” foi reordenado. O volume I passou a ser o volume III.





Além do mais, repito o que foi anteriormente escrito neste artigo: “Foi feita uma tentativa para apresentar as provas por ordem cronológica de modo a que o leitor possa discernir a torrente natural de acontecimentos relacionados com a redação e edição do manuscrito de “A Doutrina Secreta”.” Esta chave cronológica foi ilustrada com citações relevantes de 1886 a 1891 documentando a redação por parte de H.P.B. daquilo que veio a ser finalmente o volume III.

FIM

O artigo de Caldwell termina com uma extensa bibliografia. Quando este artigo for colocado no Scribd, essa parte será também disponibilizada.


sábado, 30 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (8ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de ler o post desta semana.





Os vários excertos de HPB descrevem razoavelmente bem parte do material no Volume III de 1897, como demonstram os títulos de alguns dos seguintes ensaios que esse volume contém:

III. A Origem da Magia

IV. O Sigilo dos Iniciados

V. Razões para o Sigilo

XIII. Adeptos pós-cristãos e as suas Doutrinas

XIV. Simão e o seu Biógrafo Hipólito

XV. São Paulo, o Verdadeiro Fundador do Cristianismo atual

XVI. Pedro foi um Cabalista Judeu, mas não foi um Iniciado

XVII. Apolónio de Tiana

XVIII. Factos Subjacentes nas Biografias dos Adeptos

XIX. São Cipriano de Antioquia

XXVIII. A Origem dos Mistérios

XXX. O Mistério do “Sol da Iniciação”

XXXI. A Finalidade dos Mistérios

XXXII. Vestígios dos Mistérios

XXXIII. Os Derradeiros Mistérios na Europa

XXXIV. Os Sucessores Pós-Cristãos dos Mistérios

XLIII. O Mistério de Buddha

XLIV. “Reincarnações” de Buddha

XLIX. Tsong-kha-pa, Lohans na China


Este artigo está assente em documentos de fontes primárias (várias cartas, artigos e o manuscrito de Würzburg) escritos durante os anos 1885-1897.

A maior parte destes testemunhos foi dado durante o tempo em que HPB escrevia e editava “A Doutrina Secreta” ou nos anos próximos dos acontecimentos narrados, altura em que seria expetável que os envolvidos se recordassem com precisão dos vários detalhes e do verdadeiro rumo dos acontecimentos.


Helena Blavatsky


Foi feita uma tentativa para apresentar as provas por ordem cronológica de modo a que o leitor possa discernir a torrente natural de acontecimentos relacionados com a redação e edição do manuscrito de “A Doutrina Secreta”.

O leitor também deve prestar atenção ao facto de existirem testemunhos conflituantes com aqueles que são citados neste artigo. A maior parte das provas contrárias foi dada quer por indivíduos que não estiveram diretamente envolvidos na redação e edição do manuscrito da DS ou por testemunhas que escreveram nos anos 20 e 30 do século passado (cerca de 30 a 40 anos depois dos acontecimentos).

Não é de espantar que a recordação pessoal dos acontecimentos passados algumas décadas antes contenha contradições e inconsistências. Quem quiser examinar estes relatos conflituantes deve consultar a “Introdução Histórica à Doutrina Secreta” de Boris de Zirkoff (especialmente as páginas 61, 63-6 e 71) bem como a sua análise ao terceiro volume (1897) nos Collected Writings, vol. XIV (especialmente as pág. xxxi-xxxii, xxxiv-xl). Ver também o apêndice a este artigo.




Um correspondente, ao ler o primeiro rascunho deste artigo, escreveu-me em resposta:

"Tendo em consideração a inconsistência das afirmações feitas por aqueles que conheciam o trabalho de HPB na altura, e a natureza contraditória, às vezes auto-contraditória de alguns deles, não vejo como seja possível chegar a uma conclusão sobre o volume III com base nestas afirmações, como você e Boris [de Zirkoff] tentaram fazer."

Em resposta perguntei: quais os acontecimentos históricos, importantes ou não, que não envolvam testemunhos inconsistentes e contraditórios?

Ponha-se em equação as declarações contraditórias (a favor e contra) das pessoas que conheceram pessoalmente HPB e que fizeram afirmações sobre os seus poderes psíquicos e sobre a existência dos seus Mestres. Emma Coulomb, Richard Hodgson, Vsevolod Solovyov, Hannah Wolff e outros forneceram relatos diferentes, contraditórios e negativos relativamente a HPB se comparados com os relatos de Henry Olcott, Constance Wachtmeister, William Judge, Annie Besant e outros que testemunharam o caráter genuíno das alegações de HPB.


Hodgson foi quem investigou as atividades de
Blavatsky e da ST para a Sociedade
de Pesquisas Psíquicas


Significa que estas contradições impedem-nos de chegar a uma conclusão aceitável no que respeita ao caráter genuíno ou não dos poderes psíquicos de HPB e à existência dos seus Mestres? Uma investigação histórica é levada a cabo, para ao menos em parte, tentar filtrar as evidências (a favor, contra e neutras) de um acontecimento ou de uma série deles, escrutinar as fontes primárias, pesar as evidências (incluindo contradições) e tentar chegar a conclusões razoáveis em relação ao que com maior probabilidade aconteceu ou àquilo que não aconteceu.

Outro tópico que não foi considerado neste artigo foi a “edição” do manuscrito de HPB do terceiro volume para publicação. Annie Besant no prefácio do terceiro volume afirmou claramente:

“Salvo a correção de erros gramaticais e a eliminação de modismos de todo estranhos ao idioma inglês, os textos permanecem tais como H.P.B. os deixou, a não ser uma ou outra alteração expressamente assinalada. Em outros casos raros, procurei sanar lacunas; mas todos estes acréscimos figuram entre colchetes, para distingui-los do texto.”

Não obstante, alguns estudantes das obras de HPB têm expressado preocupação com a quantidade de edições que Besant e os seus assistentes fizeram no manuscrito. Numa crítica ao terceiro volume de “A Doutrina Secreta”, James M. Pryse (Theosophy, Nova Iorque, Setembro 1897, 314-6) escreveu:

“Se tivesse sido impressa tal como H.P.B. a escreveu, então os teosofistas em geral tê-la-iam recebido de bom grado; mas como a Senhora Besant e outros a editaram, será alvo de uma justa suspeição.”
(Note-se que, cerca de trinta anos mais tarde, Pryse inverteu a sua perspetiva em relação a este assunto.)


James Morgan Pryse (1859-1942) esta à esquerda na foto.
Blavatsky e Mead também aparecem na foto.

Outra estudante particular de HPB, Alice Leighton Cleather (H.P. Blavatsky: A Great Betrayal, l922, p.75) dá o seu testemunho.

“Acontece que enquanto [o volume III] estava sendo preparado [para publicação] eu consegui examinar uma ou duas das longas folhas de papel almaço com que H.P.B. sempre preenchia com a sua bela caligrafia miudinha. Estavam mutiladas ao ponto de estarem quase irreconhecíveis, poucas das suas frases permaneciam intactas e existiam “correções”. 

Mais recentemente, Nicholas Weeks, que ajudou na preparação dos manuscritos dos volumes XIII, XIV e XV dos “Collected Writings” de HPB, expressou-me preocupações idênticas (correspondência privada):

“Quando estávamos trabalhando no volume XIV dos CW encontrámos muitas diferenças ou alterações entre “o primeiro rascunho” [o manuscrito de Würzburg] e o volume III da DS [1897]. Algumas das mais radicais estão incluídas no índice do vol. XIV (ver "Würzburg MS Interpolations." 


Nicholas Weeks e Dara Eklund, a sua
esposa


Nas p. 104 & 266-67 dos CW, vol. XIV estão dois exemplos das críticas cortantes à Igreja Católica Romana que não surgem na “DS III” [1897]. Não creio que HPB as tenha apagado ou aprovado a sua eliminação. Assim, a questão vem ao de cima: quantas “correções” e “inovações” foram feitas que não seriam autorizadas por HPB?... Sem o “manuscrito de Würzburg” não haveria qualquer indício das alterações que ocorreram.

Este tema da edição do manuscrito do Volume III (1897) precisa de ser cuidadosamente investigado no futuro.

Voltando à minha tese, concluo esta secção com uma citação importante de uma carta de Bertram Keightley (escrita em Lucknow, Índia em 6 de dezembro de 1922 e dirigida a Charles Blech, um teosofista francês):

"Quanto às pretensões de H.P.B. relativamente a volumes futuros – para além dos dois publicados sob sua própria supervisão – todo este material foi publicado no terceiro volume, que contém absolutamente tudo aquilo que H.P.B. deixou em manuscrito. [citado em “The O.E. Library Critic, 4 de julho de 1923]."



Interior da sede Sociedade Teosófica francesa.
Charles Blech foi a presidente da Secção
entre 1908 e 1934.


Se há algum teosofista conhecedor dos conteúdos do terceiro volume de HPB, esse teosofista é Bertram Keightley.


Pelas várias razões apresentadas neste artigo, estou inclinado a acreditar que o volume III de “A Doutrina Secreta” conforme foi publicado em 1897 era o verdadeiro Volume III pretendido por HPB durante a sua vida.

Continua na próxima semana.

sábado, 23 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (7ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de prosseguir. 


PARTE 5 – O TERCEIRO VOLUME DESDE A MORTE DE HPB ATÉ 1897

Vamos agora seguir a história do terceiro volume de “A Doutrina Secreta” desde maio de 1891 até à sua publicação em junho-julho de 1897.

Outubro de 1891 – Isabel Cooper-Oakley escreveu (Path, dezembro de 1891, p. 295):
A HPB Press…está a se tornar numa tipografia permanente…Uma nova edição de “A Doutrina Secreta” será a próxima a sair, e o terceiro volume está para ser publicado.


Isabel Cooper-Oakley
(1854-1914)


29 de outubro de 1891 – O Dr. Archibald Keightley escreveu numa carta para Bertram Keightley (citada por C. Jinarajadasa em "Dr. Besant and Mutilation of the Secret Doctrine,"Messenger, janeiro de 1926, p. 166):

Existem algumas conversas no sentido de reimprimir “A Doutrina Secreta” [Volumes I e II] e de corrigir erros quando o Terceiro Volume for lançado.

Dezembro de 1891 – Um aviso foi publicada no The Path, The Vahan, and The Theosophist por Annie Besant e G. R. S. Mead:

Estando esgotada a segunda edição da obra-prima de HPB, uma terceira edição tem de ser preparada imediatamente. Todos os esforços estão a ser feitos para rever exaustivamente a nova edição e os editores solicitam fervorosamente que todos os estudantes que leiam esta nota enviem listas completas de ERRATAS tanto quanto possível….É importante que a ERRATA da primeira parte do Volume I seja enviada IMEDIATAMENTE.


George Robert Stowe Mead
(1863-1933)

Janeiro de 1894 – Um aviso aparece no The Path (p.323)

O Volume um da nova edição de “A Doutrina Secreta” está agora pronto, e uma cópia foi enviada para todos os assinantes, com os custos de correio pagos…O volume dois, segundo se prevê agora, poderá ser enviado em janeiro.

Janeiro de 1894 – Uma declaração é publicada em Lucifer (p.354):

O terceiro volume de “A Doutrina Secreta” está a ser datilografado a partir do manuscrito.

Maio de 1895 – Annie Besant escreveu em Lucifer (188):

O terceiro volume de A Doutrina Secreta…foi colocado nas minhas mãos por HPB.



A 2ª parte do documentário "The Annie Besant Story"


Junho de 1895 – As primeiras páginas do Volume III foram para impressão (Lucifer, junho de 1895, p.271).

Junho de 1896 – Uma nota editorial surgiu em Lucifer (p.265):

No decurso da preparação do terceiro volume para impressão de “A Doutrina Secreta”, foram encontrados alguns manuscritos misturados e que não fazem parte da obra propriamente dita, e esses serão publicados em [Lucifer]

Setembro de 1896 – Volume III está completo (Lucifer, setembro de 1896, p.271).

Junho de 1897 – Volume III de A Doutrina Secreta foi publicado (Theosophist, setembro de 1897, p.766).




PARTE 6 - CONCLUSÕES E REFLEXÕES

É o volume III de “A Doutrina Secreta” publicado em 1897, igual (ou mais ou menos igual) ao manuscrito originalmente conhecido como o Volume I em 1886-1887 e mais tarde reorganizado, ficando conhecido como o Volume III entre 1887 e 1891?

Uma das peças de informação mais reveladoras que nos ajuda a responder a esta questão diz respeito à parte do Volume I que se encontra no que sobreviveu do Manuscrito de Würzburg.

A maior parte do material existente neste Volume I também pode ser encontrada no Volume III de 1897. O material do Volume I do Manuscrito de Würzburg deixado de fora do Volume III de 1897 foi incorporado no Volume I de “A Doutrina Secreta” conforme publicado em 1888 ou então foi publicado nas páginas de “Lucifer” durante a vida de HPB ou pouco depois da sua morte.


Helena Blavatsky


Além do mais, como foi descoberto a partir de fontes primárias de 1886 que o volume I original continha os artigos “A Magia Egípcia”, “Os Ídolos e os Terafins” e “O Mistério de Buddha“, não é significativo que estes três artigos também surjam no Volume III de 1897?

Mas o que aconteceu às duas secções de ensaios e vinte e seis apêndices (que não constam do Manuscrito de Würzburg remanescente), certamente uma parte integral do manuscrito de HPB do Volume I original de 1886-1887?

Se a maior parte do remanescente do volume I do Manuscrito de Würzburg acabou por ser incluído no Volume III de 1897, não será razoável sugerir que as restantes duas secções e vinte e seis apêndices (com várias exceções) também tivessem sido provavelmente incluídas no Volume III de 1897?

Considere-se também o seguinte facto. Quer H.P. Blavatsky quer Bertram Keightley referiram que o terceiro volume abordaria as vidas de grandes ocultistas. Uma quantidade considerável de material no volume III diz respeito às vidas de Simão o Mago, São Paulo, Pedro, Apolónio de Tiana, São Cipriano de Antioquia, Buda Gautama e Tsong-kha-pa. E um dos ensaios no volume III de 1897 intitula-se “Factos subjacentes nas biografias dos Adeptos”.


Estátua de Tsong-kha-pa


Recapitulemos duas das descrições de HPB dos conteúdos do terceiro volume. Primeiro, em “A Doutrina Secreta” (1888, 2:437), HPB escreveu:

No Volume III desta obra …será exposta uma breve história de todos os grandes adeptos conhecidos dos tempos antigos e modernos por ordem cronológica e uma perspetiva genérica dos Mistérios, a sua criação, crescimento, degradação e morte – na Europa. Não houve espaço para isto neste volume.

Também em “A Doutrina Secreta” (1888: 1:xl, na versão em língua portuguesa na página 62 do 1º volume com uma redação um pouco distinta) HPB escreve o seguinte:

Nesse [terceiro] volume apresentar-se-á uma breve recapitulação dos principais Adeptos historicamente conhecidos; será descrito como os Mistérios decaíram, principiando em seguida a desaparecer, e apagando-se finalmente da memória dos homens, a verdadeira natureza da Iniciação e da Ciência Sagrada. Passaram desde então a ser ocultos os seus ensinamentos, e a Magia não persistiu senão, quase sempre, sob as cores veneráveis, mas por vezes, enganosas, da Filosofia Hermética. Assim como o verdadeiro Ocultismo havia prevalecido entre os místicos durante os séculos que antecederam a nossa era, assim a Magia, ou antes a Feitiçaria com as suas artes ocultas, seguiu-se ao advento do Cristianismo.”


Londres de 1888, zona de Whitechapel
(foto: bbcamerica.com)

Com esta lista de conteúdos, compare-se as descrições dadas por HPB nas suas cartas de 1886, acima citadas, com as partes mais relevantes recapituladas aqui:

…os inegáveis factos historicamente provados da existência dos adeptos antes e depois do período cristão, da admissão de um duplo sentido esotérico nos dois testamentos pelos pais da igreja e provas que a verdadeira fonte de todos os dogmas cristãos residem nos mais antigos MISTÉRIOS arianos durante o período Védico e Bramânico, provas e evidências sobre isso são mostradas nas obras em Sânscrito quer exotéricas quer esotéricas. [14 de julho, 1886 para Olcott].

… um rápido esboço do que era conhecido historicamente e na literatura, nos clássicos e nas histórias sagradas e profanas – durante os 500 anos que precederam o período cristão e os 500 anos subsequentes: da magia, a existência de uma Doutrina Secreta Universal conhecida dos filósofos e dos Iniciados de todos os países e até de vários pais da Igreja como Clemente de Alexandria, Orígenes e outros, que tinham sido eles próprios iniciados.

Residência de Blavatsky em Londres
em Lansdowne Road,17.
Embora a foto seja de 1959, pouco mudou
desde o tempo de HPB.

Também descrever os Mistérios e alguns rituais, e posso assegurar-lhe que as coisas mais extraordinárias serão expostas agora, a história completa da Crucificação, etc… mostrando que são baseadas num rito tão antigo como o mundo – a crucificação do Candidato em provação no torno, descendo ao Inferno, etc… tudo Ariano.

A história completa, até aqui ignorada pelos Orientalistas, é encontrada exotericamente nos Puranas e nos Brahmanas e explicada e complementada com aquilo que as explicações esotéricas fornecem.  [3 de março de 1886, para A.P. Sinnett]

Continua na próxima semana.