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sábado, 25 de Outubro de 2014

Einstein leu mesmo a Doutrina Secreta? (1ª parte)

Face à cultura instalada não é fácil falar abertamente sobre filosofia esotérica sem se ficar com receio de ser olhado de lado. A resistência a ideias que os interlocutores com grande probabilidade considerarão estranhas, demove grande parte dos teosofistas de falar de Teosofia sem ser no círculo restrito que partilha esse mesmo interesse.

Contudo, para aqueles que tentam popularizar a Sabedoria Eterna em ambientes hostis, uma das estratégias é ligar a Teosofia à Ciência. Contudo, para fazê-lo de modo correto e especialmente perante pessoas que têm bom domínio dos meandros da Ciência, é necessário conhecimento sólido sobre ambas as coisas: Teosofia e Ciência. Mas, sejamos francos: teosofistas desse calibre há muito poucos. E aqui não me refiro apenas ao mundo de língua portuguesa, mas em termos gerais. Assim, a maior parte dos teosofistas, o máximo que consegue fazer é partilhar referências soltas: artigos sobre Experiências de Quase Morte, algum aspeto cosmológico que parece comprovar algum ponto da Cosmogénese da Doutrina Secreta ou citar alguém famoso que se interessou pela Teosofia.

Caso a escolha recaia na última opção, parece haver um argumento de peso: o interesse de Albert Einstein em “A Doutrina Secreta”. Mas será que esse interesse foi verdadeiro?


Albert Einstein (1879-1955)

O famoso cientista nascido na Alemanha é apontado por muitos teosofistas como se tendo inspirado em “A Doutrina Secreta” de Helena Blavatsky.

Isto mesmo é descrito na p.474 da edição em língua portuguesa da biografia mais conhecida da Velha Senhora, “Helena Blavatsky – A Vida e a Influência Extraordinária da Fundadora do Movimento Teosófico Moderno”, da autoria de Sylvia Cranston que escreve:

“Como foi indicado no prefácio deste livro, um certo número de cientistas tem-se interessado por “A Doutrina Secreta”. De acordo com uma sobrinha sua, Einstein tinha sempre uma cópia dessa obra na sua mesa de trabalho.” Nas notas no final do livro, Cranston especula sobre como poderia Einstein ter entrado em contacto com a magnum opus de Blavatsky.  Robert Millikan, presidente do comité executivo da Cal Tech, onde Einstein trabalhou antes de aceitar um lugar em Princeton, poderá ter sido quem deu a conhecer Blavatsky ao mais famoso cientista de todos os tempos. Millikan estava profundamente interessado em “A Doutrina Secreta”.


Sylvia Cranston


Outra pessoa pode ter sido Gustav Stromberg, um astrofísico do Observatório Mount Wilson, em Los Angeles, com quem Einstein trabalhou. Stromberg chegou a visitar a Sociedade Teosófica de Point Loma e a lá dar uma palestra. Também escreveu a introdução de um livro sobre astronomia de dois teosofistas de Point Loma (ver p. 652 op.cit.).

Mas, as informações dadas por Cranston têm uma deficiência… Einstein não tinha sobrinhas.
Cranston que era reconhecidamente rigorosa e meticulosa parece ter confiado no testemunho oral que recebeu e não confirmou a história.

Há quatro anos um grupo de teosofistas juntou-se para debater o assunto pela internet. A plataforma usada foi a comunidade Theosophy.net que com o passar dos anos degenerou e passou a ser uma fonte de ataque permanente à Teosofia moderna e a Helena Blavatsky em particular. Sob a influência de um tal John E. Mead e com o apoio do administrador da comunidade, Joe Fulton, os ataques foram de tal ordem que vários teosofistas foram banidos e outros retiraram-se voluntariamente. Tenho na minha posse um resenha feita por um conhecido teosofista dos piores ataques dirigidos a Blavatsky no referido site e é realmente indescritível o tratamento dado à fundadora do movimento teosófico moderno. O theosophy.net é pois hoje em dia uma caricatura do que já foi e excluindo alguns recursos úteis (leia-se literatura online) nada mais tem para oferecer. Na verdade, a discussão a que vou aludir daqui em diante já não está disponível e é uma sorte tê-la copiado em tempos e guardado em ficheiro.


Joe Fulton

Do que efetivamente disponho é da discussão à volta das conclusões finais. A cópia também poderá não conter todas as opiniões, pois alguns teosofistas descontentes com o rumo do site apagaram o seu registo e com isso todos os seus posts. Contudo, o material que vou apresentar parece-me suficiente.

No referido grupo de teosofistas estão nomes como Daniel Caldwell (responsável pelo principal portal sobre HPB, o Blavatsky Study Center), Jerry Hejka-Ekins (bem conhecido no meio, agora envolvido no projeto FOTA para preservação da literatura teosófica), Leon Maurer  (que estudou profundamente “A Doutrina Secreta” e estabeleceu pontes com a Física moderna, até à sua morte em 2011, aos 86 anos de idade), e David Reigle (sanscritista e que já publicou alguns livros importantes, o último dos quais foi o manuscrito de Wurzburg).


Jerry Hejka-Ekins


Maurer não tem dúvidas em considerar que a base para a teoria da relatividade, bem como para a natureza quântica da luz, foi o livro de Dzyan e “A Doutrina Secreta” de HPB.

A sua convicção foi despertada pelo físico Richard Feynman que na revista Time disse “Não consigo entender como ele [Einstein] intuiu que E=mc2, tendo em conta o nível de conhecimento científico na altura [1905].” Maurer escreveu a Feynman, mas nunca recebeu resposta.




O teosofista norte-americano acrescenta que Blavatsky deixou claro que energia e massa eram equivalentes e que a sua relação era estabelecida com base na velocidade da luz (daí a famosa equação E=mc2). Ele acrescenta que inicialmente (no primeiro artigo que Einstein escreveu sobre o tema) a teoria não tinha suporte matemático, algo que só veio acontecer mais tarde, sendo mais uma pista que a inspiração foi “A Doutrina Secreta”.

Existem duas histórias com respeito a Einstein: uma, a de que foi um ávido leitor de “A Doutrina Secreta” e outra que acrescenta que a sua cópia desse livro foi depositada numa Biblioteca de uma organização teosófica, ou na Sociedade Teosófica de Adyar, ou na da Loja Unida de Teosofistas, neste caso em Bombaim.


São esses dois relatos que vamos analisar em pormenor na 2ª parte, a publicar de hoje a uma semana.

sábado, 18 de Outubro de 2014

Quanto tempo leva para reencarnarmos?

O Lua em Escorpião traz hoje mais um texto do teosofista britânico da Loja Unida de Teosofistas (LUT) Matthew Webb, editor do site Blavatsky Theosophy. É o segundo texto que traduzimos deste autor e provavelmente no futuro outros se seguirão.

A tradução deste artigo para português é do meu ponto de vista especialmente relevante. A principal razão é a de que a interpretação da literatura teosófica sobre a duração do período entre-vidas produz uma série de equívocos. Alguns reproduzem os ensinamentos dos Mahatmas sem os contextualizar e criticam ferozmente quem se atreve a soltar um "mas". Outros teosofistas, que conhecem inclusive a investigação mais séria, nomeadamente aquela sobre as memórias espontâneas de vidas passadas (como a do o norte-americano Dr. Jim B. Tucker), e que usam o cérebro para refletir e não para papaguear literatura teosófica têm um certo receio mesmo assim em abrir um parêntesis face ao que está escrito.


Dr. Jim B. Tucker

Sendo Matthew Webb um teosofista pertencente a uma organização que normalmente é considerada como aquela que mais ferozmente defende a primazia da literatura dos fundadores do movimento, particularmente, a de Blavatsky e Judge, é surpreendente a forma clara e sem rodeios como Webb aborda o tema. Não concordo totalmente com a razão que apresenta para o aumento da população, mas isso não anulou o meu interesse em colocar o artigo neste blog.

Agradece-se uma vez mais a autorização dada por Matthew Webb, para a tradução deste texto. A colocação das imagens foi feita por mim.




Quando ocorre a reencarnação? Qual a duração do tempo que passamos no Devachan [NT: segundo o Glossário Teosófico é o estado intermediário entre duas vidas terrestres, que corresponde à ideia de Céu ou Paraíso, onde cada mónada individual vive num mundo que foi criado pelos seus próprios pensamentos e onde os produtos da sua própria ideação espiritual lhe aparecem substanciais e objetivos], antes de regressarmos ao plano físico para uma nova vida num novo corpo? Esta é uma questão interessante.

Em várias passagens da literatura teosófica é referido que em termos médios, a pessoa não reencarna habitualmente antes que aproximadamente 1000 a 1500 anos tenham passado, e que a alma pode até ficar no estado devachânico por vários milhares de anos antes de reencarnar. Isto foi dito pelo Mestre Koot Hoomi e pelo Mestre Morya nas “Cartas dos Mahatmas” e mais tarde repetido em vários escritos de H.P. Blavatsky, William Q. Judge, A.P. Sinnett e outros.


Mestre Morya

O período médio de 1000 a 1500 anos entre encarnações é infelizmente levado em conta por alguns teosofistas como uma regra estrita e aplicável em qualquer circunstância, mas não é esse o caso.

Os Mestres, HPB [NT:Helena Petrovna Blavatsky] e WQJ [NT: William Quan Judge] estavam sem dúvida certos ao dizer que este período muito longo era a média nessa altura - ou seja no final do século XIX – mas nunca disseram que isto seria assim para sempre e de facto Judge no seu livro “O Oceano de Teosofia” escreve especificamente sobre aquela duração como “o tempo que seria para o homem comum deste século em cada lugar.”


Portanto naquela altura da história do homem era esta a média, mas não existe qualquer razão para assumir que esta é ainda a média. De facto, o impressionante aumento de população ao longo do último século – com a população mundial a crescer quase 6 mil milhões em 120 anos! – é suficiente para indicar que aquela média não se aplica de modo algum e que muitas almas estão a reincarnar muito mais cedo e mais rapidamente hoje em dia do que há 100 anos.


A.P. Sinnett

Os Mestres declararam nas suas cartas que a reincarnação tem lugar mais cedo e muito rapidamente em casos onde a força de “tanha” ou “trishna” (termos sinónimos em Páli ou Sânscrito que significam “desejo de viver” ou “sede pela existência física material”, “desejo pela experiência sensorial e objetiva”, etc…) é forte ou prevalecente e onde a natureza espiritual do indivíduo está totalmente por desenvolver ou por despertar.

Parece que a razão principal para o aumento da população é o aumento de "tanha" e a diminuição de espiritualidade na vida humana, devido a muitos indivíduos se terem tornado presas do pensamento materialista e guiado pelos sentidos. Esta é a causa de reencarnação mais rápida para a maioria. Mais informação sobre isto poderá ser obtida através da leitura do artigo “A Right Understanding of Reincarnation”.

Como existem alguns teosofistas que insistem que o número de 1000-1500 anos deve ser aceite como uma regra ou como bitola para o século XXI, citamos aqui algumas passagens que mostram que a Teosofia efetivamente nunca se agarrou a uma perspetiva tão estrita e rígida nesta matéria como alguns são inclinados a pensar…


“E por quanto tempo? Este estado de beatitude espiritual dura anos? Décadas? Séculos? Anos, décadas, séculos e milénios, frequentemente multiplicados por alguma coisa mais. Tudo depende da duração do karma.”

-Mestre K.H, “Cartas dos Mahatmas”, p.305, vol. I, carta 68 (ed. port.)


Mestre Koot Hoomi


“A permanência no Devachan é proporcional aos impulsos psíquicos inacabados e originados na vida terrena: as pessoas cujas atrações foram preponderantemente materiais serão atraídas mais cedo de volta para o renascimento pela força de Tanha.”

-Mestre K.H, “Cartas dos Mahatmas”, p.191, vol. II, carta 104 (ed. port.)


Tanha é a sede pela vida. Aquele, portanto, que não originou em vida muitos impulsos psíquicos terá pouca base ou força na sua natureza essencial para manter os seus altos princípios no Devachan. Quase tudo o que terá serão aqueles originados na infância, antes que ele começasse a se dedicar a pensamentos materialistas... E esse tipo de pensador materialista pode emergir do Devachan num outro corpo num mês, cedendo às forças psíquicas não gastas originadas no início da vida. Mas como cada uma dessas pessoas varia quanto ao tipo, à intensidade e à quantidade de pensamentos e de impulsos psíquicos, cada uma pode variar em relação ao tempo de estada no Devachan.



“Quanto tempo o Ego reencarnante permanece no estado “devachânico”? Isso depende, dizem-nos, do grau de espiritualidade e do mérito ou demérito da última encarnação.”

- H.P. Blavatsky, A Chave para a Teosofia, p. 132 (ed. port.)


“Também se deve ter em mente que para cada ego varia a duração da permanência nos estados post-mortem. Eles não reencarnam no mesmo intervalo, mas voltam do estado após a morte em diferentes proporções.”




William Q. Judge

Isto é suficientemente conclusivo, especialmente a última citação, que resume todo o assunto. Mas o que dissemos acima não nega a probabilidade de algumas almas ainda passarem um período de tempo extremamente longo no Devachan, de muitas centenas ou até milhares de anos. Como diz HPB, tudo “depende do grau de espiritualidade e do mérito ou demérito da última encarnação”, ou seja, da quantidade ou da força de karma positivo que foi acumulado pelo indivíduo durante a vida que acabou de terminar. A Lei do Karma assim o determina, como em todas as coisas. Tudo resulta de um destino criado por nós próprios.

Como demonstra a pesquisa competente por parte de investigadores, a vasta maioria dos indivíduos que se recordam com exatidão dos detalhes da vida passada apenas passou alguns anos numa condição intercalar (a que os teosofistas chamam de Devachan). Alguns tentaram usar isto como prova ou evidência de que as almas reencarnam sempre apenas depois de alguns anos.


H.P. Blavatsky


Mas isto nada prova. A razão pela qual são os que passaram apenas alguns anos no estado devachânico aqueles que se recordam corretamente de detalhes verificáveis da sua vida passada, é precisamente porque os que lá passaram um longo período teriam menor possibilidade de se lembrar de alguma coisa da vida anterior, ou pelo menos teriam menos hipóteses de se recordar de algo de forma clara, precisa ou com detalhes específicos. Portanto, almas que tenham estado no estado devachânico durante séculos ou mesmo milénios teriam obviamente muito menos possibilidades de se recordar de detalhes da sua vida anterior depois de reencarnarem, pois os eventos e acontecimentos da aquela vida anterior teriam acontecido há muito tempo.

A possibilidade de as almas despenderem um tempo muito longo entre encarnações não é portanto invalidado de modo algum por toda a investigação moderna sobre reencarnação.

“Quanto à lógica, consistência, filosofia profunda, misericórdia divina e equidade, esta doutrina da reencarnação não tem comparação sobre a Terra. É uma crença num perpétuo progresso de cada Ego encarnante, ou alma divina, numa evolução do exterior para o interior, do material para o espiritual, chegando ao fim de cada estágio à unidade absoluta com o princípio divino. De uma força a outra força, da beleza e perfeição de um plano para maior beleza e perfeição do outro, com acessos a uma nova glória, a um novo conhecimento e poder em cada ciclo – tal é o destino de todo o Ego, que assim torna-se o seu próprio Salvador em cada mundo e encarnação.” 

– H.P. Blavatsky “A Chave para a Teosofia”, p.140, ed. port.

sábado, 11 de Outubro de 2014

A arte e o transcendente VII

A música de

Gurdjieff - de Hartmann



"Na visão de Gurdjieff, a música, tal como em outras ciências tradicionais, deve, acima de tudo, servir para orientar a humanidade a um despertar. A maior parte da música que ouvimos, é contudo, subjetiva. Não só flui do compositor consoante o seu estado subjetivo como também afeta cada ouvinte consoante o estado subjetivo em que se encontra. Menos comum é a música objetiva que requer um conhecimento objetivo da natureza humana, específicamente da função e propriedades do sentimento e de como esse sentimento é afetado por qualidades específicas de cada vibração. 
A música objetiva afeta todas as pessoas da mesma forma. Não só toca nos sentimentos como também os transforma, conduzindo o ouvinte a um estado de união ou "de harmonia" dentro de si mesmo, e, assim, a uma nova relação com o Universo, que é por si mesmo, um campo de vibrações. De acordo com Gurdjieff, a escala musical de sete notas exprime uma lei cósmica fundamental, a Lei das Oitavas que regula o desenvolvimento das vibrações, o fluxo de energia, em todos os fenómenos no Universo."
Fonte do texto: archive.org

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sábado, 4 de Outubro de 2014

A Teosofia e as Sociedades Teosóficas (10ª e última parte)

Continuamos com a tradução do excelente artigo do professor James A. Santucci, "A Teosofia e as Sociedades Teosóficas". Esta semana é publicada a última das dez partes.



Quer o Templo do Povo - como uma sociedade religiosa – quer a vila de Halcyon estão sob a liderança (designada por Guardião-chefe) de Eleanor L. Shumway, que foi selecionada pela sua predecessora. Além deste cargo, existe um corpo diretivo de sete membros, selecionado cada ano pelo Guardião-chefe. No corpo há um Guarda Interno e tesoureiro, ambos reservados para mulheres, um Guarda Externo e um Escriba, ambos reservados para homens e três delegados gerais, selecionados entre os membros não residentes em Halcyon. A filiação no Templo não é solicitada nem está fechada a qualquer indivíduo; a única responsabilidade do membro é o seu próprio desenvolvimento. De um total de cerca de 250 membros em todo o mundo, cerca de oitenta residem em Halcyon. Uma convenção anual que dura cerca de uma semana começa no primeiro domingo de agosto. Os objetivos do Templo são:

(1) Formular as verdades da religião como um fator fundamental na evolução da raça humana. Isto não significa a formulação de um credo. (2) Estabelecer uma filosofia de vida que esteja de acordo com lei natural e divina. (3) Promover o estudo das ciências e os factos e leis fundamentais sobre os quais as ciências se baseiam, o que nos permitirá estender o nosso conhecimento e crença daquilo que é conhecido até ao desconhecido. (4) Promover o estudo e a prática da arte em linhas fundamentais, mostrando que a arte é na realidade a aplicação de conhecimento ao bem e bem-estar humanos e que o Christos pode comunicar com a humanidade através da arte bem como através de qualquer outra linha fundamental de manifestação. (5) A promoção de um conhecimento da verdadeira ciência social baseada na lei imutável, evidenciando o relacionamento entre um ser humano e outro e entre seres humanos, Deus e a natureza. Quando estes relacionamentos forem entendidos vamos instintivamente formular e seguir a lei da verdadeira fraternidade: a unidade de TODA a vida.


Templo do Povo


A Word Foundation, Inc. foi criada em 1950 “para dar a conhecer ao mundo todos os livros escritos por Harold Waldwin Percival, e para assegurar a perpetuação do seu legado à humanidade”. Os livros de Percival incluem Thinking and Destiny; Adepts, Masters and Mahatmas; Masonry and Its Symbols; Man and Woman and Child; e Democracy Is Self-Government. Percival (1868-1953) nasceu em Bridgetwon, Barbados, Índias Ocidentais Britânicas. Esteve primeiro em Boston e posteriormente em Nova Iorque, com a sua mãe, depois da morte do seu pai. Aí, ele aderiu à Sociedade Teosófica em 1892, acabando por fundar a Sociedade Teosófica Independente, que relevava o estudo do material de H.P. Blavatsky e das “escrituras” orientais e de 1904 a 1917 publicou a revista The Word. Para além disso fundou a Theosophical Publishing Company of New York. Em 1946, a Word Publishing Co., Inc. foi constituída e sob esta égide os livros de Percival foram em primeira instância publicados e distribuídos. A Fundação é dirigida por um conselho de administração que consiste de presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretária. Além de ter publicado os trabalhos de Percival, também lançou em 1986 uma nova série da revista The Word, publicada trimestralmente. A Fundação afirmava em 1994 ter cerca de 1000 membros em todo o mundo. O objetivo da filiação é suportar as atividades editoriais da Fundação e facilitar a existência de grupos de estudos.




Logotipo e publicação da 
Word Foundation


A Publicações Point Loma não é uma sociedade mas uma empresa de publicações independente cujo objetivo é a continuação do legado literário dos membros da Sociedade Teosófica de Point Loma (agora a S.T. Pasadena). Foi fundada em 22 de janeiro de 1971 por antigos membros do gabinete daquela S.T. que se recusaram a aceitar o estatuto esotérico de Conger, o novo líder daquela S.T., em 1945. O antigo presidente do gabinete da S.T., Iverson L. Harris, tornou-se presidente, bem como presidente do Conselho de Administração. Em 1950, membros descontentes começaram a organizar e a ministrar palestras públicas em San Diego, Califórnia. A importância do nome “Point Loma” na história do movimento teosófico levou contudo ao estabelecimento das P.P.L. em San Diego como é evidente no seu objeto social: “publicar e disseminar literatura de cariz filosófico, científico, religioso, histórico e cultural, fiel às tradições e elevada exigência mantida pela Sociedade Teosófica anteriormente com sede internacional em Point Loma, Califórnia, sob a liderança de Katherine Tingley de 1900 a 1929 e de Gottfried de Purucker, de 1929 a 1942; prosseguir e perpetuar os objetivos da S.T. original, fundada na cidade de Nova Iorque por Helena Petrovna Blavatsky, Coronel H.S. Olcott, William Quan Judge e outros, conforme enunciadas por eles a 30 de outubro de 1875.”

A P.P.L. permaneceu sobre a liderança de Harris até à sua morte em 1979. W. Emmett Small tornou-se o novo presidente nesse ano e assim permaneceu até à sua retirada em 1993. Existem ramificações da P.P.L. em Haia, Holanda e Costa Rica. Não existem membros da P.P.L., apenas associados ou “amigos” que apoiam o trabalho da empresa. Como nota paralela, há que referir que outras organizações que se baseiam no trabalho original da S.T. Point Loma despontaram na Europa. Um desses grupos é a Sociedade Teosófica – HPB, que foi fundada por William Hartley depois de James Long ter sido eleito líder (ver acima). Esta Sociedade funciona agora em Haia, o local da sua sede internacional, sob a presidência de Herman C. Vermeulen. Inglaterra e Alemanha também têm pequenos grupos que seguem a tradição de Point Loma.

Point Loma


Publicações e Divulgação Educacional

A primeira revista da Sociedade Teosófica, o Theosophist foi iniciada em Bombaim sob a edição de H.P. Blavatsky com o número de outubro de 1879. O periódico publicado na sede internacional em Adyar, Chennai continua até hoje e é o órgão oficial do presidente internacional da S.T. (Adyar). Também são publicados a Adyar Newsletter e o Adyar Library Bulletin. Quest e Messenger são ambos publicados pela S.T. na América, e são publicados periódicos em cada uma das cinquenta e uma secções nacionais da Sociedade. Além da literatura periódica, a S.T. também leva a cabo um ativo programa editorial através da Theosophical Publishing House em Adyar (Índia) e Wheaton (Illinois), a sede da Sociedade Teosófica na América, e em Quezon, Filipinas. A T.P.H. da S.T. na América também publica Quest Books, que são livros destinados a uma variedade de assuntos que refletem o ponto de vista teosófico na sua perspetiva mais abrangente. Formas complementares de divulgação da S.T. na América existem na forma de gravações de vídeo e áudio, webcasts e webinars.


Capa de uma edição de "The Theosophist"

A Sociedade Teosófica (Pasadena) através do seu braço editorial, a Theosophical University Press, disponibiliza a literatura original e clássicos da Teosofia, incluindo os trabalhos de H.P.Blavatsky, W.Q.Judge, Katherine Tingley, G. de Purucker e outros. Uma extensa biblioteca está disponível online.


Echoes of the Orient, de W.Q. Judge

A Theosophy Company, agente fiduciário da Loja Unida de Teosofistas, publica a revista Theosophy. Para além disso, Vidya é publicada pelos estudantes da Loja de Santa Barbara da L.U.T., Califórnia, e The Theosophical Movement, fundado por B.P. Wadia, é publicado em Bombaim, Índia.

Quer a Sociedade Teosófica (Pasadena) – através da Theosophical University Press - quer a L.U.T. – através da Theosophy Company – publicam os principais trabalhos de Blavatsky (A Doutrina Secreta e Ísis sem Véu) e Judge (O Oceano de Teosofia) bem como uma variedade de outros trabalhos.

O Templo do Povo publica trimestralmente em Halcyon, The Temple Artisan, bem como vários trabalhos da sua organização: Theogenesis, Temple Messages, Teachings of the Temple e From the Mountain Top.

A Word Foundation publica The Word, ressuscitada em 1986, bem como os trabalhos de Harold W. Percival acima mencionados.

A Publicações Point Loma publicou The Eclectic Theosophist, inicialmente como uma revista bimensal, depois trimestral, sob a editoria de W. Emmett Small e Helen Todd (até à morte desta em 1992). A Publicações Point Loma também publica uma variedade de trabalhos que foram originalmente lançados durante os anos de Point Loma da Fraternidade Universal e Sociedade Teosófica bem como um número de trabalhos originais, incluindo The Buddhism of H.P. Blavatsky por H.J. Spierenburg, The Way to the Mysteries por L. Gordon Plummer e Introduction to Sanskrit por Thomas Egenes. A Sociedade Teosófica – Point Loma em Haia, Holanda, publica a revista bimensal Lucifer em inglês e holandês.


No início de 2007, o inventário completo da P.P.L. foi realocado para perto de Dulzura, Califórnia, a leste de San Diego, onde durante os violentos incêndios florestais de outubro de 2007, todo o inventário da P.P.L. que estava guardado ardeu. Desde essa altura foi feita uma total reorganização do foco e das ligações do trabalho teosófico. Iniciou-se uma colaboração com outros grupos editoriais teosóficos na Europa e noutros lados de modo a garantir a disponibilidade dos livros anteriormente editados, iniciando-se o processo de produzir um conjunto de livros anteriormente esgotados em forma impressa e e-book. Além do mais, a Publicações Point Loma renasceu como “Escola do Perenialismo Teosófico de Point Loma”. Leva a cabo aulas regulares e apresentações em San Diego. A Publicações Point Loma é a extensão editorial da Escola de Point Loma. A escola é co-anfitriã com a “Blavatsky House” de Haia, Holanda, do “Convívio de Point Loma: Perspetiva teosófica sobre religião, filosofia, ciência e as artes” (San Diego, 1-4 agosto 2013). Mais informação encontra-se disponível nestes sites (em construção em Fevereiro de 2013): www.pointlomaschool.com e para o convívio www.pointlomatheosophynetwork.net


Point Loma

E assim termina este artigo do professor Santucci. A versão completa do artigo será disponibilizada através da conta do Lua em Escorpião no Scribd, onde aliás pode ser encontrada a grande maioria dos artigos publicados no blogue.

sábado, 27 de Setembro de 2014

A Teosofia e as Sociedades Teosóficas (9ª parte)

Continuamos com a tradução do excelente artigo do professor James A. Santucci, "A Teosofia e as Sociedades Teosóficas". Esta semana é publicada a penúltima das dez partes.


Outras organizações teosóficas

Juntamente com a Sociedade na América que está ligada a Adyar, várias outras surgiram naquele país, embora muitas delas, subsequentemente se tenham espalhado para fora dele.

A Sociedade Teosófica com sede em Pasadena é a descendente direta da Sociedade Teosófica na América, da qual W.Q. Judge foi o primeiro presidente, seguido por Tingley que mudou a designação para Fraternidade Universal e Sociedade Teosófica. É presentemente descrita como uma associação internacional de membros “dedicada ao elevar da humanidade através de um melhor entendimento da unidade da vida e da aplicação prática deste princípio.” Não é fornecida informação sobre o número de membros, embora seja baixo, talvez de uns poucos milhares. Os membros são conhecidos como os Companheiros da Sociedade Teosófica (C.S.T.), a sua única obrigação é a aceitação do princípio da fraternidade universal e o desejo de tentar vivê-la. Os companheiros são recebidos como companheiros no estado probatório; a aceitação completa é concluída com a emissão de um diploma, assinado pelo líder e secretário-geral, que é emitido pela Sede Teosófica Internacional. Outros grupos dentro da S.T. incluem ramos, formados por três ou mais C.T.S. que requerem uma licença e as Secções Nacionais, que são dirigidas por um Secretário Nacional. O líder desta S.T. é designado como líder – presentemente é Randell C. Grubb – sendo vitalício e que também é responsável por indicar um sucessor. Os diretores-gerais incluem os membros do Gabinete, o Secretário-geral, o Tesoureiro-geral e os Secretários nacionais, os quais, na sua totalidade, são nomeados pelo líder. O líder tem o poder de afastar qualquer um dos funcionários da Sociedade. O braço editorial desta S. T. é a Theosophical University Press, que já publicou mais de quarenta livros escritos por H.P. Blavatsky, Katherine Tingley, G. de Purucker, A. Trevor Barker, William Q. Judge, James A. Long, Charles J. Ryan entre outros.


Point Loma

A Sociedade Teosófica (Pasadena) tem cursos por correspondência, centros bibliotecários, reuniões públicas, grupos de estudo, traduções feitas no estrangeiro e agências na Holanda, Reino Unido, Suécia, Austrália, Alemanha, África do Sul e Nigéria. Os objetivos desta S.T. são os seguintes: (1) Difundir um conhecimento das leis inerentes ao Universo entre os homens (2) Promulgar o conhecimento da unidade essencial de tudo o que é, e demonstrar que esta unidade é fundamental na Natureza. (3) Formar uma fraternidade ativa entre os homens. (4) Estudar religião antiga e moderna, ciência e filosofia. (5) Investigar os poderes inatos no homem.


Sede da ST Pasadena - Quadro "O caminho"de Reginald Mitchell 

A Loja Unida de Teosofistas é uma “associação voluntária de estudantes de Teosofia” fundada em 1909 por Robert Crosbie e outros, tendo como seu principal propósito o estudo da Teosofia utilizando os trabalhos de Blavatsky e Judge como guia. Porque a personalidade ou ego é considerada como tendo efeitos negativos, os “associados” adotam o anonimato no seu trabalho teosófico. Relativamente a este trabalho, a declaração da L.U.T., o único documento que liga os associados, estabelece que o seu propósito “é a disseminação dos princípios fundamentais da filosofia teosófica, e a exemplificação prática desses princípios através de uma compreensão do EU SUPERIOR; uma convicção mais profunda da Fraternidade Universal.” Considera como teosofistas todos aqueles que estão comprometidos no verdadeiro serviço pela Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, situação pessoal ou organização.”


Declaração da Loja Unida de Teosofistas

O trabalho da L.U.T. é principalmente de natureza prática e educativa, levando a cabo encontros e aulas sobre diversos temas teosóficos e publicando livros, panfletos e revistas. Existem lojas e grupos de estudo, com as lojas a terem normalmente entre vinte e cem associados e os grupos de estudo entre cinco e trinta associados. Os associados podem voluntariamente participar no trabalho de um grupo de estudo ou loja, desde a frequência das aulas até ao ministrar das mesmas no âmbito da disseminação pública dos ensinamentos teosóficos. Todas as atividades são voluntárias. Além disso, existem associados que não pertencem a nenhuma loja porque vivem em países ou regiões que não têm nenhum centro da L.U.T. nas proximidades. Não existe líder na L.U.T., nem nenhuma organização formal, embora a Theosophy Company sirva como agente fiduciário para a L.U.T. e para as suas publicações. Todas as lojas e grupos de estudo são independentes uns dos outros mas estão unidos num propósito comum, o objetivo individual de perseguir os três objetivos da L.U.T. que são praticamente idênticos aos objetivos da S.T. de Adyar, a saber: (1) “Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor.” (2) “O estudo das religiões, filosofias e ciências antigas e modernas e a demonstração da importância de tal estudo; e (3) a investigação das leis não explicadas da Natureza e os poderes psíquicos latentes no homem”. O trabalho das Lojas está focado na disseminação da Teosofia original.


Aqueles que estejam em concordância com a Declaração da L.U.T. são considerados associados. Expressam a sua simpatia para com o trabalho da L.U.T. da seguinte maneira: “Estando de acordo com os propósitos desta Loja, tal como enunciados na sua “Declaração”, tenho a honra de registar a minha intenção de ser inscrito como um Associado, entendendo-se que essa associação não reclama nenhuma obrigação da minha parte, sem ser aquela que eu próprio determine.” O número de associados é incerto porque não há renovações nem “manutenções” de membros, nem existe uma lista publicada de associados. O único número fornecido por um associado em Los Angeles é que “muitos milhares de associados” têm pertencido à L.U.T. desde 1909, mas atualmente não devem existir mais que uns poucos milhares em todo o mundo. Existem Lojas e grupos de estudo em Los Angeles, mas também noutras partes dos E.U.A, Canadá, Bélgica, Inglaterra, França, Índia, Itália, México, Holanda e Suécia. As publicações incluem os trabalhos de Blavatsky e Judge, compilações de artigos, cartas e palestras por Robert Crosbie, intituladas The Friendly Philosopher, o seu comentário e discussão sobre O Oceano da Teosofia de Judge, intitulado Answers to Questions on the Ocean of Theosophy e um pequeno livro, Universal Theosophy. A Theosophy Company também publica trabalhos que estão geralmente associados com a Teosofia antiga (como o Bhagavad Gita, os Yoga Sutras de Patanjali e O Dhammapada), e as revistas Theosophy, The Theosophical Movement (Bombaim) e Vidya (Santa Barbara, Califórnia).



Edifício da LUT em Los Angeles, Califórnia 

Continua na próxima semana.

sábado, 20 de Setembro de 2014

A Teosofia e as Sociedades Teosóficas (8ª parte)

Continuamos com a tradução do excelente artigo do professor James A. Santucci, "A Teosofia e as Sociedades Teosóficas". Esta semana é publicada a antepenúltima das dez partes.


Organização e Associação

A Sociedade Teosófica, com sede internacional em Adyar, Chennai, Índia tinha no mundo inteiro, no final de 2001, um número de associados de 26 606, distribuídos por quase setenta países. A Sociedade Teosófica na América, uma das suas secções tinha    3 357 membros em Dezembro de 2012. A Sociedade de Adyar considera-se como a Sociedade Teosófica matriz, remontando às suas origens de 1875 em Nova Iorque, embora a Sociedade Teosófica (Pasadena) assuma a posição de que a Sociedade Teosófica se dividiu em 1895, com cada S.T. a ter os mesmo direitos a reinvidicar as suas origens à S.T de Nova Iorque de 1875. A Sociedade Teosófica (Adyar), constituída em Madras (atualmente Chennai) em 1905, é presidida por Radha Burnier [NT: Como já foi atrás referido a senhora Burnier faleceu já depois desta versão do artigo ter sido redigida, o presidente atual é Tim Boyd] que ocupa a posição desde 1980. Compreende cinquenta e uma sociedades ou secções nacionais, sendo as mais antigas a Secção Americana (a Sociedade Teosófica na América, como é agora conhecida), constituída em 1886 e a Secção Inglesa (fundada em 1888). Depois da separação da sociedade de Judge da de Adyar em 1895, Olcott cancelou a licença da Seção Americana. Uma nova licença foi emitida, com a Loja de São Francisco a servir como sede temporária, nesse mesmo ano para a Secção Americana da S.T. de Adyar, tornando a licença válida retroativamente desde 1886. (Theosophist, Suplemento de outubro, 1895).

As secções são compostas por Lojas. Um pequeno número de Lojas estão diretamente ligadas à sede internacional de Adyar. O órgão de governo da S.T. é o Conselho Geral, que consiste de presidente, vice-presidente, secretário, tesoureiro, todos os Secretários Gerais das secções nacionais e até doze membros adicionais nomeados pelo presidente e eleitos pelo Conselho Geral. O presidente internacional é eleito por sufrágio universal de todos os membros elegíveis de sete em sete anos entre os candidatos que recebam pelo menos 12 nomeações dos membros do Conselho Geral. O presidente nacional da Secção Americana é eleito de forma semelhante de três em três anos. Realiza-se anualmente uma convenção internacional, habitualmente em Adyar. A Sociedade tem uma magnífica biblioteca nas instalações da sede, que aloja manuscritos originais em Sânscrito e noutras linguagens asiáticas, bem como livros e jornais sobre Teosofia, filosofia e religião. Os arquivos da Sociedade estão presentemente alojados no edifício sede e contêm muitos milhares de documentos, incluindo os diários de Blavatsky e Olcott. A Theosophical Publishing House também funciona em Adyar e produz vários panfletos e livros, na sua maioria escritos por membros e continua a publicar o mais antigo periódico teosófico, o Theosophist. Além disso, a Adyar Newsletter é publicada trimestralmente pela Sociedade, tal como o respeitado Adyar Library Bulletin [Boletim da Biblioteca de Adyar], um jornal académico especializado em investigação oriental.


Sede da ST Adyar


Teosofia na América

A Secção Americana da Sociedade Teosófica de Adyar, embora tenha diminuído substancialmente em número de membros em 1895, altura em que muitas das suas Lojas seguiram Judge tornando-se independentes de Adyar, rapidamente recuperou a sua força sob a liderança de Alexander Fullerton (1895-1907), e como resultado de uma digressão em 1897 à Sociedade Americana por parte de Annie Besant e da Condessa Constance Wachtmeister (1839-1910), uma colaboradora próxima de H.P. Blavatsky e uma entusiástica trabalhadora pela causa teosófica. Esta e subsequentes digressões iniciadas por Charles Webster Leadbeater em 1900 e por Olcott e pela Condessa Wachtmeister em 1901 conduziram a um aumento de membros de 281 em 1896 para    1 455 em maio de 1901. A Secção Americana continuou sendo um interveniente relevante na Sociedade Teosófica durante uma série de Secretários Gerais (ou Presidentes como os líderes eram então chamados). Depois de Fullerton vieram Weller Van Hook (1907-1912), que mudou a sede da Secção de Nova Iorque para Chicago; A.P. Warrington (1912-1920), que foi responsável pelo estabelecimento de uma nova sede em Krotona, Hollywood e L.W.Rogers (1920-1931), sob cuja administração, a primeira pedra do novo edifício-sede em Wheaton, Illinois foi colocada em 1926. 


ST na América - sede - Edifício Rogers

Em 1927, o número de membros da Secção atingiu os 8 500. Sidney A. Cook (1931-1945) presidiu à Sociedade numa altura em que o número de membros diminuiu até os 3 000 em 1941, em parte devido à dissolução da Ordem da Estrela por parte de Krishnamurti e também devido à Depressão. Sucedeu-o James S. Perkins (1945-1960), Henry Smith (1960-1965), Joy Mills (em 1965 como presidente nacional em exercício e de 1966 a 1974 como presidente), Ann Wylie (1974-1975, em exercício), Dora Kunz (1975-1987), Dorothy Abbenhouse (1987-1993), John Algeo (1993-2002), Betty Bland (2002-2011) e Tim Boyd (desde 2011).


Sede da ST na América - Edifício Rogers

A sede da Sociedade Teosófica na América em Wheaton, Illinois, é onde está localizada uma grande biblioteca para investigação e empréstimo de livros. Também publica uma série de trabalhos, incluindo os Quest Books, através da Theosophical Publishing House (Wheaton). A S.T.A. também publica a Messenger para os seus membros, a revista Quest para os leitores em geral e uma newsletter eletrónica mensal. Embora em termos organizacionais não seja uma parte da S.T., a Secção Esotérica está proximamente associada com a S.T.. A sua sede nos Estados Unidos está em Ojai, Califórnia, no Instituto Krotona. Nas suas instalações funciona a Escola de Teosofia de Krotona, cujo principal objetivo é servir como suporte educacional da Sociedade, promover o seu trabalho e implementar os três objetivos da S.T. Estes objetivos (de acordo com a redação da Sociedade Internacional) são: (1) Formar um núcleo da Fraternidade Universal da Humanidade, sem distinção de raça, credo, sexo, casta ou cor. (2) Encorajar o estudo de Religião Comparada, Filosofia e Ciência [A Sociedade Teosófica na América tem “estudo comparado da religião…”]; (3) Investigar as leis não explicadas da Natureza e os poderes latentes no homem. [A S.T.A. substitui “humanidade” por “homem”.] É suposto os membros da S.T. procurarem a verdade através do estudo, serviço e devoção a ideais elevados. A Sociedade declara: “Todos aqueles que simpatizem com os objetivos da Sociedade Teosófica serão bem recebidos como membros, e cabe a cada membro se tornar um verdadeiro teosofista”.


Instituto Krotona

Continua na próxima semana.

sábado, 13 de Setembro de 2014

A versão final da declaração de Naarden - ITC2014

Esta semana foi finalmente publicada a versão final da Declaração de Naarden, redigida na sequência da Conferência Internacional de Teosofia-2014.

Para perceber o contexto recomenda-se a leitura do post da semana passada.


Uma bela foto da Crystal House, em Naarden
(foto:abhidhamma.com) 

No site do ITC podemos ler o seguinte:

“Durante os quatros dias da Conferência, todos os presentes trabalharam em conjunto para “A Declaração de Naarden da Conferência Internacional de Teosofia 2014”. Recorrendo aos contributos de todos os participantes, um número de representantes das várias tradições teosóficas compilou uma proposta para a declaração. Na 2ª feira, 18 de agosto, o último dia da Conferência, o resultado foi apresentado à plateia, tendo sido recebida com muito entusiasmo e comentários construtivos.

Depois do encerramento da conferência, a proposta de declaração foi também publicada no site do ITC, de modo a que os participantes tivessem a oportunidade de enviar considerações e sugestões adicionais. A direção do ITC integrou todas as reações, mas também tentou manter o espírito da declaração tal como foi apresentada durante a conferência, o que conduziu à versão final que abaixo se apresenta.

Considerando que as Conferências Internacionais de Teosofia, Ltd. são uma plataforma onde as organizações teosóficas e os teosofistas se encontram, estimulando-se mutuamente para a  divulgação da Teosofia no mundo, esta declaração é apresentada como uma declaração conjunta, recordando-nos da cooperação fraterna durante a Conferência do ITC 2014 em Naarden. Ela expressa a nossa visão partilhada para o futuro e resume o nosso compromisso e o modo como gostaríamos de trabalhar em conjunto esse futuro.

A declaração não deve ser entendida como uma obrigação ou como um dogma.


Foto de grupo do ITC 2014


A declaração de Naarden


Respeitando a diversidade e liberdade das diferentes correntes teosóficas, esforçar-nos-emos por agir como um farol de luz, para levar ao Mundo a Teosofia, de acordo com* os ensinamentos de H.P. Blavatsky e dos seus Mestres. De modo não dogmático e através de cooperação harmoniosa fortaleceremos o movimento teosófico para o benefício da humanidade.

No espírito da unidade e fraternidade, esforçar-nos-emos nos para tornar a Teosofia uma força viva no Mundo.

Comprometemo-nos através da aprendizagem, formação e da polinização-cruzada a popularizar e a preservar os ensinamentos vivos para as gerações futuras.

*em harmonia com / em conformidade com / de modo consistente com



A direção do ITC reconhece que é praticamente impossível expor em palavras aquilo que efetivamente teve lugar durante esta conferência histórica e bem sucedida. O nosso objetivo principal e que todos partilhamos, é o de manter vivo o espírito do ITC 2014.”





Algumas considerações sobre a declaração

A declaração final publicada na passada quarta-feira contém várias alterações face ao primeiro projeto. Tenta eventualmente acomodar a opinião de alguns teosofistas da ST Adyar - com a referência mais explícita ao “não dogmatismo” - e também de alguns associados da LUT (Loja Unida de Teosofistas) e da organização de Point Loma, com a alusão aos “mestres” e não apenas a H.P. Blavatsky.

Embora isto possa parecer pouco claro a quem não está familiarizado com esta iniciativa, a verdade é que “H.P.B. e os seus mestres”, são o (grande) ponto de contacto entre as diversas tradições. Não são Krishnamurti, De Purucker ou Crosbie (por maior que seja a consideração que os teosofistas de Adyar, Point Loma ou da LUT têm, respetivamente, por essas figuras proeminentes) que irão promover o congregar de esforços entre os teosofistas das diferentes tradições.


H.P. Blavatsky

É preciso primeiro encontrar a base comum, de onde se iniciou o movimento teosófico moderno, para poder construir algo valioso para o futuro e que ajude a preservar a Teosofia. Se bem que esta nunca morrerá, a maior parte das Secções da Sociedade de Adyar têm perdido membros (bastará ver a evolução do número de pessoas habilitadas a votar nas eleições para a Presidência, ou então consultar as estatísticas, aqui, aqui e aqui). Os teosofistas da LUT também reconhecem a perda de associados e a elevada faixa etária de grande parte dos que permanecem como seus associados. Eventualmente a ST Point Loma tem crescido bastante nos últimos anos, mas basicamente está confinada à Holanda, tendo representação na Alemanha.

Outro ponto importante é o de que ninguém fica proibido de estudar seja o que for. Entenda-se que o ITC é apenas uma plataforma que definiu com esta declaração, diretrizes para trabalho conjunto por parte das organizações teosóficas e dos teosofistas que nelas estão filiados, bem como daqueles que não estão ligados a nenhuma das organizações.

Facilmente se entende que as alusões a figuras que estão associadas apenas a uma das tradições gerariam profunda desarmonia na plataforma.

A referência à “polinização-cruzada” tem a ver basicamente com o aproveitamento de sinergias. Cada uma das organizações tem os seus pontos fortes e como ficou evidente em Naarden (e com certeza noutras conferências anteriores) é fundamental a partilha deste know-how e das experiências de cada uma das organizações. Isso poderá se fazer através do convite para palestras de um teosofista de outra organização que seja especialista num determinado tema.  Mas este é apenas um exemplo, muitas outras formas existirão de fazer essa polinização-cruzada.

A palavra “formação” também me levantou certas dúvidas, mas ao que percebi a referência tem a ver com a necessidade de potenciar certas faculdades que facilitarão a disseminação da Teosofia, por exemplo no domínio da comunicação, gestão de grupos, liderança, etc…


Algumas fotos do complexo do ITC, em Naarden


O resto da declaração não gera dúvidas, nem merece comentários de maior. Eventualmente alguns prefeririam outra redação, ou a substituição de uma ou outra palavra, mas é impossível agradar a todos, nomeadamente nestas circunstâncias, ou seja, com um passado de mais de 120 anos de várias desavenças dentro do movimento teosófico (isto se contabilizarmos o período pós-Blavatsky, embora nos primeiros 16 anos da Sociedade haja já registo de muitos episódios de conflitos).

Críticas à declaração

No dia seguinte ao da declaração ter sido publicada, Erica Georgiades, deixou no seu blog algumas críticas contundentes.

A teosofista que reside na Grécia, mas que é de origem brasileira, critica dois pontos na declaração; por um lado o facto de exortar “a levar ao Mundo a Teosofia”, o que dá, na opinião da Erica, um tom messiânico, desfasado dos tempos atuais, e por outro lado, a referência explícita a “H.P. Blavatsky e aos Mestres” que ela considera divisiva.


Erica Georgiades

Apesar das réplicas já dadas por Jacques Mahnich (um dos oradores da conferência deste ano) e por Nicholas Weeks (mais contundente), Erica Georgiades não alterou a sua perspetiva.

Se em relação à segunda crítica, já acima expliquei o contexto da referência a “H.P. Blavatsky e (…) aos seus mestres”, em relação à primeira, é de referir que é absolutamente natural que os teosofistas queiram partilhar a Teosofia com mais pessoas. Obviamente que o modo como isso é levado a cabo, faz toda a diferença. 


Nicholas Weeks (à direita) com Dara Eklund,
sua esposa, que trabalhou durante vários anos
com Boris de Zirkoff

Encontramos teosofistas que fazem estudos comparativos, meticulosos e não dogmáticos e outros que apresentam a Teosofia como se de uma religião exotérica se tratasse, com escrituras e figuras divinas para adorar. Mas, esta postura não poderia estar mais distante  do espírito de Naarden.