sábado, 19 de Abril de 2014

A influência da Teosofia em personalidades famosas IV - Pintores, Atores e Feministas

Esta é a quarta secção de uma série de seis, sobre personalidades famosas influenciadas pela Teosofia e pela Sociedade Teosófica. O artigo baseia-se num levantamento originalmente feito por Katinka Hesselink e para entender o contexto é necessário ler a primeira parte.


Katinka Hesselink


PINTORES E OUTROS ARTISTAS

Rukmini Devi Arundale (1904-1986) - revitalizou as artes indianas, especialmente a dança e a música. No seu caso, a associação à Sociedade Teosófica significou contactos internacionais que lhe tornaram possível aprender dança e música ocidental, que por sua vez lhe deram a preparação necessária para dar nova vida à dança indiana. O modo como ela acabou fazendo aquilo que fez é impensável sem os contactos que a Sociedade Teosófica lhe deu. [A E.T. recorda o controverso casamento (devido à diferença de idades) de Rukmini com George Arundale, o terceiro presidente da S.T. Adyar. Fundou em Adyar, a Kalakshetra, a Academia Internacional das Artes. Foi uma defensora da causa animal e do vegetarianismo. Depois de falecer, foi cremada nos Besant Gardens, uma parte da propriedade da S.T. Adyar].




Gutzon Borglum (1867-1941) – escultor das cabeças presidenciais do Monte Rushmore e pintor de um quadro de Blavatsky [que se encontra em Wheaton, na sede da S.T. na América. De acordo com este artigo de John Algeo, o quadro foi solicitado pelo pai de Borglum quando este era Presidente da loja da ST em Omaha, Nebraska. Antes de o pintar preparou-se lendo e estudando os ensinamentos de Blavatsky. Isolou-se durante os três dias que levou a executar o trabalho. Crê-se que terá sido pintado em 1889 ou pouco tempo depois, pois baseia-se na famosa fotografia de Enrico Resta, conhecida como "A Esfinge" que foi tirada precisamente em 1889].

Foto bastante recente do quadro pintado
por Borglum. Fica o agradecimento pelo seu envio
a Janet Kerschner, arquivista da TS in America


Paul Gauguin (1848-1903) – Pintor francês primitivista e pós-impressionista.


Autorretrato de Paul Gauguin


Alex Grey (n. 1953) – [artista norte-americano] Parece improvável que este pintor tenha sido influenciado pela Sociedade Teosófica, mas certamente simpatiza com ela, como a sua página de internet testemunha.

Lawren Harris (1885-1970) – Pintor canadiano que foi membro da Loja de Toronto da Sociedade Teosófica, no Canadá.

Wassily Kandinsky (1866-1944) – Russo (…) [introdutor da abstração no campo das artes visuais]. Influenciado pela Teosofia, não foi membro [da ST]. Aqui um artigo sobre Arte e Teosofia também alojado no site de Katinka Hesselink.

Wassily Kandinsky


Paul Klee (1879-1940) - artista suíço extravagante da escola Bauhaus, pertencente [ao grupo artístico] do “Der Blaue Reiter” [de que também fez parte W. Kandinsky].

Hilma af Klint (1862-1944) – pintora abstracionista [sueca] (consultar “O Teosofista”; julho 2006, p. 385-389) [A versão inglesa do wikipedia diz que a arte de Hilma pode ser considerada paralela à de Mondrian, Malevich e Kandinsky, todos eles inspirados pelo movimento teosófico].

Charles Rennie Mackintosh (1868-1928) – escocês, arquiteto e designer da “art noveau”.

Piet Mondrian (1872-1944) – pintor holandês, principal expoente de “de Stijl” cujo estilo “neoplástico” influenciou profundamente a arte, arquitetura e o design gráfico modernos. Membro da Sociedade Teosófica [desde 1909, segundo relata a E.T., que acrescenta que Mondrian considerava a sua arte uma expressão da vida espiritual, o que será muito provavelmente reflexo da sua exposição ao idealismo teosófico].


Piet Mondrian

Nicholas Roerich (1874-1947) - artista místico russo, amigo de Henry Wallace. [Segundo a E.T. aderiu à S.T. em 1920, no mesmo ano em que ele e a sua esposa, Helena Roerich fundaram a Sociedade Agni Ioga. Viajou bastante, esteve inclusive no Tibete onde pintou cerca de 500 quadros sobre os Himalaias].


"Canção de Shamballa", um dos quadros de Nicholas Roerich


Beatrice Wood (1893-1998), artista e ceramista [norte-americana, membro da S.T. e próxima de Krishnamurti, que tal como Wood, também vivia em Ojai. Também ensinou e viveu na Besant Hill School].


ATORES

Florence Farr (1860-1917), atriz [britânica] ligada à Aurora Dourada. [Contudo, uma série de episódios conflituosos dentro desta organização levariam à sua saída em 1902, ingressando mais tarde na S.T.. Segundo, o wikipedia inglês publicou vários artigos em revistas teosóficas. Morreu no Sri Lanka, para onde tinha ido viver depois de travar conhecimento através da S.T. com Sir Ramanathan, um instrutor espiritual que com o seu plano de educação para as jovens mulheres cingalesas convenceu Farr a assumir um papel importante no Colégio que criou.].


Florence Farr


Dana Ivey (n. 1941) - atriz [norte-americana] de TV, de cinema e da Broadway.

Shirley MacLaine (n. 1934). Atriz norte-americana [Crente na reencarnação, algo que já referiu por diversas vezes nos vários livros que escreveu, que também refletem o seu entusiasmo pelo fenómeno OVNI]. 


FEMINISTAS

Clara Codd (1876-1971) – Uma feminista que esteve presa na Inglaterra. [Segundo a E.T., Clara aderiu à S.T. em 1903 e foi Secretária-Geral da Secção Australiana entre 1934 e 1936. Desempenhou as mesmas funções na África do Sul em 1938. Esteve envolvida num movimento teosófico para crianças, denominado a “Corrente Dourada”. Publicou vários livros].


Clara Codd


Matilda Joslyn Gage (1826-1898) – Autora feminista norte-americana e coautora juntamente com Elizabeth Cady Stanton e Susan B. Anthony de “History of Woman Suffrage” [A história do sufrágio feminino]. [A E.T. refere que foi Gage quem conduziu Frank Baum, o autor de “O Feiticeiro de Oz”, à S.T.].

Gloria Steinem (n.1934) – Escritora e feminista norte-americana (…). Influência teosófica reconhecida numa entrevista em Jewish News.


sábado, 12 de Abril de 2014

A perspetiva de um teosofista sobre a Astrologia

Vicente Hao Chin, Jr. é um dos teosofistas mais conhecidos e respeitados no mundo inteiro, tendo sido até apontado por alguns, como um dos possíveis candidatos à presidência da Sociedade Teosófica (ST) de Adyar nas eleições que se aproximam. Hao Chin, membro da ST desde 1970, já liderou a Secção da ST das Filipinas, mas não faz contudo parte do boletim de voto onde constam os nomes de Tim Boyd e de CVK Maithreya.


Vicente Hao Chin, Jr.


O teosofista filipino foi autor dos livros “Why Meditate?” [Porquê meditar?]  e “The Process of Self-Transformation: Mastery of the Self and Awakening of Our Higher Potentials” [O processo de auto-transformação:  o domínio sobre o Eu e o despertar dos nossos mais elevados potenciais]. Também compilou, editou e publicou a edição cronológica de “Cartas dos Mahatmas para A.P. Sinnett”, a partir do qual foi a feita a única tradução para português hoje existente. É o editor-chefe da revista “Theosophical Digest” publicada nas Filipinas, e editor associado do website Theosopedia, uma transposição para a internet da “Theosophical Encyclopedia”, também da sua autoria. Hoje em dia, Vicente Hao Chin, Jr. é também o presidente do Golden Link College, um estabelecimento de ensino fundado pela ST das Filipinas e pela Fundação Filipina da Ordem Teosófica de Serviço, que tem um modelo de aprendizagem bastante diferente do convencional, aplicando princípios que reconhecemos facilmente como estando em consonância com a Teosofia, como seja o da não promoção da competitividade entre os alunos. Mais sobre o Golden Link College pode ser encontrado aqui e aqui.




Será pois Hao Chin Jr. quem nos vai falar um pouco sobre astrologia, sobre a qual está bem habilitado para se debruçar, pois ele próprio foi um antigo praticante da Velha Arte.  E a isso há que somar a ampla perspetiva que lhe dá ser um teosofista bastante experiente. Ele é - como fica patente na pequena nota biográfica acima - bastante ativo e basta seguir o grupo do Facebook da Sociedade Teosófica das Filipinas para perceber isso. A entrevista concedida ao Theosophy Forward, confirma igualmente a sua visão sobre como a Teosofia deve influenciar a Sociedade.

Esta é pois a tradução de uma entrevista de Kristine Sy, colocado no blog Astrology Friends Philippines, que autorizou o Lua em Escorpião a publicar o artigo.

“Vic Hao Chin Jr. tem sido uma fonte de inspiração para mim, desde o dia em que o ouvi falar no “Seminário de Auto-transformação” que teve lugar em 2011 na sede da Sociedade Teosófica das Filipinas. Sendo um dedicado estudante de Astrologia, foi com prazer que descobri que ele foi em tempos considerado um dos melhores astrólogos do país. Vic é um dos seres espirituais que conheço e vejo-o como um mentor. Eu tenho grande consideração sobre as suas perspetivas sobre a natureza humana e considero um privilégio partilhar convosco, estudantes e entusiastas da Astrologia, as seguintes palavras sábias de Vic Hao Chin Jr.


Hao Chin Jr. com Tim Boyd, um dos candidatos
à presidência de ST Adyar


Kristine Sy: O que é a astrologia para si?

Vic Hao Chin, Jr.: Os meus próprios estudos durante muitos anos convenceram-me que certos aspetos daquilo que é chamado astrologia têm validade, mas ao mesmo tempo, muitas outras perspetivas tradicionais são muito questionáveis. A astrologia é uma hipótese testável e consequentemente os esforços dos astrólogos devem ir nesta direção. Mas a astrologia também tem o seu lado subjetivo que não está sujeito, de momento, à análise científica. A devida compreensão deste aspeto depende da maturidade e insight do intérprete. Não é mais apenas uma interação de energias, mas a compreensão de um processo mais lato de crescimento do ser humano. Nesta faceta encontra-se a astrologia natal onde o estudo tem um valor potencial efetivo, mas ao mesmo tempo é uma das mais difíceis de dominar. Ela acarreta uma compreensão da psique dos seres humanos e do seu potencial espiritual. É aqui que entra a Astrologia Esotérica, onde o trabalho de Alan Leo permanece válido mesmo passado um século. Quando testei a aplicação de astrologia à vida humana, encontrei um significado notável na correlação entre o mapa e a vida do indivíduo, particularmente na identificação de oportunidades de vida, bem como na possível resolução de conflitos de vida. Eu encontrei, contudo, que a maior parte das pessoas estão principalmente interessadas sobre o destino e circunstâncias externas. Uma senhora não parava de perguntar se ela ia ganhar no casino. Apercebi-me que a maior parte das pessoas não estava interessada no seu genuíno crescimento interior, mas absorvidas em assuntos sobre benefícios materiais, sociais ou pessoais. Um astrólogo que atende a isto estará apenas a alinhar com as necessidades e desejos superficiais das pessoas e dificilmente irá contribuir para o crescimento humano genuíno. No longo prazo, não será o melhor modo de gastar o seu tempo.




Kristine Sy: E o que pode aconselhar aos futuros astrólogos?

Vic Hao Chin, Jr.: Uma das facetas mais úteis do estudo é a compreensão da natureza básica da psique e consciência humana conforme representadas pelo mapa natal. Uma quadratura entre Sol e Júpiter, pode indicar por exemplo, uma abordagem desvirtuada da expansão de muitas formas, como entusiasmo exacerbado ou otimismo desmesurado. Se é este o caso, então esta é uma lição que a pessoa deve aprender nesta vida, e deve lidar conscientemente com isso quando se debruça sobre problemas, projetos ou assuntos da vida. Depois de validar essa observação com a pessoa, então a carta pode-se tornar uma ferramenta útil em detetar insights únicos na auto-compreensão que podem ajudar os indivíduos a ver possibilidades de crescimento mais profundas e amplas. Oferece-nos vislumbres daquilo a que normalmente estaríamos cegos em relação a nós próprios.

Mas para fazer isso, um astrólogo deve compreender o panorama mais vasto sobre vida e crescimento – carma, reencarnação e auto-atualização ou autorrealização. Tem a ver com a ideia perene da possibilidade da completa perfeição e maturidade humanas. O conhecimento astrológico, sendo válido, é apenas uma ferramenta pela tal busca pela perfeição.




Kristine Sy: Que livros de astrologia leu? Que livro pode recomendar?

Vic Hao Chin, Jr.: Eu não li a literatura mais recente sobre astrologia das últimas duas décadas, portanto não estou numa posição de sugerir bons livros que tivessem aparecido durante esse período. Mas eu sugeria livros que seguissem as linhas iniciadas pela Escola Astrológica de Londres [NT:provavelmente refere-se à Loja Astrológica de Londres] sobre astrologia psicológica, que olha para os planetas como representações das energias da psique. Os livros de Jeff Mayo vêm-me imediatamente à memória. Mas estes devem ser validados por estudos paralelos na psicologia, incluindo a psicologia transpessoal. Outra faceta do estudo é a pesquisa científica sobre astrologia. Uma das primeiras compilações relevantes de esforços nesta área é “Recent Advances in Natal Astrology”. Os estudantes de astrologia devem ser objetivos, racionais e científicos e devem estar atentos a experiências que confirmem ou refutem princípios tradicionais da astrologia. Por exemplo, os estudos de Gauquelin parecem ter parcialmente invalidado algumas das assunções tradicionais da astrologia enquanto ao mesmo tempo reafirmam os seus princípios básicos. Desta forma, a astrologia crescerá gradualmente até se tornar uma ciência, não sobre as estrelas, mas sobre a lei das correspondências e a natureza da psique e destino humanos.




Estando mais desligado da Astrologia nos últimos anos,  é natural que Hao Chin Jr. desconheça a recuperação dos textos antigos que têm ajudado ao ressurgimento de velhas técnicas e também a uma maior fundamentação da astrologia e sua interligação com os princípios e organização do Universo. Contudo, a sua entrevista não deixa de ser um elemento bastante útil, quer para os teosofistas, quer para os astrólogos.

sábado, 5 de Abril de 2014

A influência da Teosofia em personalidades famosas III - Arquitetos, Cientistas e Inventores e Psicólogos

Esta é a terceira secção de uma série de seis, sobre personalidades famosas influenciadas pela Teosofia e pela Sociedade Teosófica.

O artigo baseia-se num levantamento originalmente feito por Katinka Hesselink e para entender o contexto é necessário ler a primeira parte.


Katinka Hesselink


ARQUITETOS

Claude Fayette Bragdon (1866-1946) - autor e arquiteto norte-americano [A E.T. diz-nos no verbete dedicado à Teosofia na América, que Bragdon desenhou o novo arco da entrada da sede da S.T. na América, sendo identificado como um antigo membro da Sociedade. O wikipedia inglês refere que Bragdon, nos seus livros sobre teoria arquitetónica defendia uma abordagem teosófica na conceção de edifícios].

Walter Burley Griffin (1876-1937) - planificador e arquiteto norte-americano, que trabalhou no gabinete de F. L. Wright e que concebeu o plano para a capital australiana, Canberra.

CIENTISTAS E INVENTORES

Sir William Crookes (1832-1919) – [químico] e físico teórico e inventor do protótipo do tubo [de raios catódicos] da TV e das luzes fluorescentes. [A E.T. tem um longo verbete sobre Crookes, começando por lembrar a sua filiação na S.T., embora isso e as suas investigações no domínio do paranormal sejam desconhecidas da maior parte das pessoas. Esta sua pesquisa foi despertada na sequência da morte de um irmão de quem era próximo. Filiou-se na S.T. em 1883, sobre a qual tomou conhecimento através de um colega cientista, C.F. Varley, que já tinha feito várias experiências à volta dos fenómenos espíritas. Crookes é abundantemente citado em “A Doutrina Secreta” e referido com apreço pelos Mahatmas nas Cartas dirigidas a Sinnett].


William Crookes


Thomas Edison (1847-1931) - inventor norte-americano da luz elétrica, fonógrafo, etc…(cf. “O Teosofista”, agosto [NT: talvez novembro] 1931, p. 657). [A E.T. conta-nos que Edison filiou-se na S.T. em 1878, fruto da sua ligação com Olcott e reproduz uma carta entre os dois].


Diploma de Edison como membro da S.T.


Camille Flammarion (1842-1925) - astrónomo francês. [Segundo a E.T. juntou-se à S.T. em 1880 tendo servido como Vice-presidente da S.T. de 1880 a 1888. Foi amigo de Allan Kardec e médium, cuja canalização de Galileu serviu de base à produção de um dos  livros base do espiritismo kardecista “A Génese”].

Jane Goodall (n. 1934) - cientista [britânica famosa pelo seu trabalho] (…) com chimpanzés. A ligação à Teosofia é reconhecida no seu livro “Motivo de esperança”.




Rupert Sheldrake (n. 1942) - biólogo britânico, proponente dos campos morfogenéticos.




Alfred Russel Wallace (1823-1913) - naturalista que desenvolveu uma teoria de seleção natural independente da de Darwin (…) tendo sido um espiritualista (1823-1913). Os seus interesses teosóficos são discutíveis. “Já experimentei vários livros teosóficos e de reencarnação, mas não consigo lê-los ou ter interesse neles. São tão puramente imaginativos e não me parecem ser racionais. Muitas pessoas são cativadas por eles. Acho que a maior parte das pessoas gosta de uma teoria complexa, estranha e grandiosa sobre o homem e a natureza, dada com autoridade – pessoas que se religiosas seriam católicos romanos.” citado a partir de William Brock, “William Crookes (1832-1919) e a Comercialização da Ciência”, 2008 (…) [A E.T. reconhece que Wallace estava essencialmente interessado nos fenómenos espíritas, embora em 1876 se tinha filiado na S.T.. Recebeu uma cópia enviada por Blavatsky de “Ísis sem véu”, a qual elogiou pela vasta erudição. Antes já se havia correspondido com Olcott por ocasião da publicação da obra do também fundador da S.T. “People from the Other Worlds”].


Alfred Russell Wallace


PSICÓLOGOS

Roberto Assagioli (1888–1974) – psicólogo, humanista e visionário italiano. Assagioli fundou o movimento psicológico conhecido por psicossíntese, que ainda hoje é desenvolvido por terapeutas e psicólogos que praticam a sua técnica. O seu trabalho enfatizou a possibilidade de integração progressiva da personalidade em torno da essência do Eu por meio do uso da vontade. (Fonte: wikipedia) [A E.T. refere que Assagioli foi membro da Secção Italiana da S.T. e que o seu trabalho foi feito respeitando as linhas da ortodoxia vigente no domínio da psicologia, de modo a que o seu trabalho fosse aceite pelo establishment. Contudo grande parte dele estava bem longe dessa ortodoxia, para perto de uma visão teosófica da natureza do indivíduo. Reconheceu a existência de um plano búdico na Natureza].




William James (1842-1910) – filósofo e psicólogo [norte-americano] [A E.T. refere que James juntou-se à S.T. [NT: em 1882] e que foi um estudioso de “A Voz do Silêncio”, de Helena Blavatsky citando várias vezes esse livro em palestras. Na fase final da sua vida perdeu interesse na psicologia formal e virou-se para o misticismo].

Carl Gustav Jung (1875-1961) – fundador da psicologia analítica. Não se interessou por Blavatsky, Leadbeater ou Besant, mas esteve em contacto frequente com G.R.S. Mead, depois de este ter abandonado a ST em 1909. [A E.T. diz que os teosofistas são recetivos às teorias de Jung, pois este não ignorava o aspeto místico do ser humano. A sua exploração dos aspetos da psique humana levou em linha de conta as religiões orientais, a mandala e a reencarnação].


Jung é o primeiro à direita na fila de baixo
Freud é o primeiro à esquerda na mesma fila


Ian Stevenson (1918-2007) - professor de psiquiatria da Universidade da Virgínia e investigador de vanguarda de casos relatados de reencarnação. Provavelmente influenciado pela sua educação teosófica. [NT: No livro de Tom Shroder “Almas antigas”, Stevenson diz ao autor “que atribui o seu interesse inicial pela relação entre o espiritual e o material à sua mãe, que era adepta de (…) Teosofia”, que o psiquiatra descreve como “uma espécie de budismo enlatado para ocidentais”].



sábado, 29 de Março de 2014

A arte e o transcendente IV

És Tu, sou eu? Isso faria dois.
Longe de Vós, longe de Vós o pensamento de afirmar dois.
Um ser, o Teu, exprime-se sempre no fundo do meu não ser.
Pretender somar o meu todo ao Todo seria uma dupla ilusão:
Onde está a Tua essência, em relação a mim, para que eu possa vê-la,
Já que a minha essência ultrapassou visivelmente o Onde?
E onde está a Tua face?
A minha visão devo procurá-lo no íntimo do meu coração
Ou na pupila do meu olho?
Entre Ti e mim, há um "eu sou" que me atormenta.
Ah! Tira pelo teu "Eu sou" o meu "eu sou" do meio de nós dois.

Al-Hallaj

sábado, 22 de Março de 2014

A influência da Teosofia em personalidades famosas II - Escritores

Há duas semanas atrás, inicíamos esta série de seis secções (repartidas em sete partes, pois a seção relativa às figuras religiosas e espirituais e extensa e foi dividida em dois) sobre a influência da Teosofia e da Sociedade Teosófica em indivíduos que se tornaram conhecidos.

Este artigo baseia-se num levantamento originalmente feito por Katinka Hesselink e para entender o contexto é necessário ler a primeira parte.




ESCRITORES

Sir Edwin Arnold (1832-1904) – britânico, autor de “A Luz da Ásia” [poema épico sobre a vida e os ensinamentos do Buda] e “A Canção Celestial” [um tradução do Bhagavad-Gita]. [A E.T. refere Arnold como amigo próximo do Coronel Olcott, um dos fundadores da S.T.. Também conheceu Blavatsky, a quem admirava pelas suas capacidades mentais. Perto da sua morte tornar-se-ia membro honorário da Sociedade Budista Internacional. Tinha simpatia pelo movimento teosófico e expressava a opinião que o mesmo tinha tido um excelente efeito na humanidade. A certa altura da sua vida tornou-se vegetariano.]




Lyman Frank Baum (1856-1919) – Autor norte-americano de “O Feiticeiro de Oz” e de outras histórias infantis. [Segundo a E.T., ele ter-se-á filiado na S.T. em 1892. O verbete dedicado a Baum é muito interessante explicando a simbologia de “O Feiticeiro de Oz” à luz da Teosofia. Assim a referência ao Kansas, vem do facto deste estado norte-americano ter forma quadrangular, uma alusão ao quaternário inferior da literatura teosófica. Os personagens que acompanham Dorothy (que enquanto no Kansas simboliza a alma humana aguardando a encarnação no mundo físico), representam os nossos corpos imperfeitos mental (espantalho), astral (Homem de Lata) e físico (Leão Medroso).]




Algernon Blackwood (1869-1951) - escreveu sobre o sobrenatural e histórias misteriosas. [ A E.T. diz-nos que Blackwood foi um teosofista britânico que refletia o interesse na Teosofia nos seus romances. Foi membro e Secretário-Geral da S.T. de Toronto e anos mais tarde esteve também ligado à Loja de Londres].

Lewis Carroll (1832-1898) – pseudónimo de Charles Lutwidge Dodgson, autor britânico dos livros “Alice no país das maravilhas”, “Algumas aventuras de Sílvia e Bruno”, etc…[NT: A versão em inglês do verbete do wikipedia referente a  Lewis Carroll lembra o interesse dele na Teosofia].




Mohini  Mohun Chatterji (1858-1936) – escreveu sobre o Bhagavad Gita, Vivekachudamani, etc... [A E.T. descreve Mohini como um chela do Mestre KH, que caiu na armadilha da arrogância. Aderiu à S.T. em 1882 tendo a abandonado cinco anos mais tarde fruto de uma postura crítica face à condução da Sociedade por parte de Olcott. Segundo Sven Eek, em “Damodar e os Pioneiros da Teosofia”, Mohini morreu praticamente cego devido a cataratas nos olhos].

James Henry Cousins (1873-1956) – Escritor, dramaturgo, ator, crítico, editor, professor e poeta, nascido na Irlanda. Usou vários pseudónimos incluindo Mac Oisin e Jayaram, um nome hindu. Cousins foi bastante influenciado pela capacidade de George William Russell de reconciliar o misticismo com uma abordagem pragmática às reformas sociais e de acordo com os ensinamentos da Senhora Blavatsky. Teve um interesse no paranormal durante toda a sua vida e foi testemunha de várias experiências levadas a cabo por William Fletcher Barrett, professor de Física na Universidade de Dublin e um dos fundadores da Sociedade de Pesquisa Psíquica. Também escreveu profusamente sobre Teosofia e em 1915 Cousins deslocou-se até à Índia com viagem paga por Annie Besant, a Presidente da Sociedade Teosófica (Fonte: Wikipedia)

Sir Arthur Conan Doyle (1859-1930) - inglês, autor das histórias de Sherlock Holmes; espiritualista. O seu interesse na Teosofia é duvidoso, embora tenha estado em contacto com ela. Teve ligação com a Blavatsky Association sobre o Relatório Hogdson.


O falecido ator Jeremy Brett fez uma das memoráveis
interpretações do famoso Sherlock Holmes

Robert Duncan (1919–1988) – Poeta norte- americano e um estudante (…) da tradição esotérica ocidental, tendo passado a maior parte da sua carreira em São Francisco e arredores.(…) O trabalho mais maduro de Duncan emergiu nos anos 1950 no contexto literário da cultura Beat. (…) A sua mãe, (…) morreu durante a infância [de Duncan] e o pai não era capaz de sustentá-lo pelo que foi adotado por Edwin e Minnehaha Symmes, uma família de devotos teosofistas (Fonte: Wikipedia).

T.S. Eliot (1888-1965) - poeta e crítico anglo-americano.

E.M. Forster (1879-1970) - romancista inglês, [autor de] “Passagem para a Índia”.

Kahlil Gibran (1883-1931) (consultar “Prophet: the life and times of Kahlil Gibran / Robin Waterfield. (New York : St. Martin's Press, 1998), p. 225.) [NT: A versão em inglês do verbete do wikipedia referente a Gibran menciona o seu misticismo como sendo uma convergência de diversas influências: Cristianismo, Islamismo, Sufismo, Judaísmo e Teosofia. Autor do famoso livro “O Profeta”, muito popular durante os anos 60 nos EUA, embora tenha sido publicado pela primeira vez em 1923].




Sir Henry Rider Haggard (1856-1925) -  escritor inglês, [autor de] “As Minas do Rei Salomão”, “Ela, a feiticeira”, etc…

James Joyce (1882-1941) - romancista irlandês, [autor de] “Ullisses” e “Finnegans Wake”.

D.H. Lawrence (1885-1930) - romancista inglês, [autor de] “A Serpente Emplumada”, etc.. “um escritor religioso que não rejeitou o Cristianismo, mas que tentou criar uma nova base religiosa e moral para a vida moderna”.

D.H. Lawrence

Jack London (1876-1916) - romancista norte-americano.

Maurice Maeterlinck (1862-1949) - poeta belga, também dramaturgo e romancista, principal expoente do teatro simbolista que recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1911.

Henry Miller (1891-1980) - [norte-americano] autor de romances autobiográficos.

Talbot Mundy (1879-1940) – [NT: Katinka Hesselink não dá detalhes sobre Mundy no artigo, remetendo para um link com extensa informação sobre este escritor, que teve relação com a ST de Point Loma, através de Katherine Tingley - a sucessora de W.Q. Judge - entre 1922 e 1929. A E.T. também o menciona, embora não haja informação muito mais relevante do que aquela que já foi atrás referida].

John Boynton Priestley (1894-1984) - romancista e dramaturgo inglês, autor de “O tempo e os Conways”, “I Have Been Here Before”, “An Inspector Calls”, [etc].

George W. Russell (Æ) (1867-1935) – Poeta irlandês, também pintor e especialista em agricultura [Segundo a E.T. foi aluno de Helena P. Blavatsky e contemporâneo de Yeats. Aderiu à S.T. em 1887, tendo, aquando da cisão da Sociedade em 1895, apoiado William Judge. Quando este morreu um ano mais tarde, abandonou aquela S.T. e formou a Sociedade Hermética. Foi um ativista político a favor dos movimentos de libertação irlandeses. Grande parte dos poemas de Russell são de natureza mística refletindo as suas crenças teosóficas. Aqui mais um artigo do Canadian Theosophist sobre Russell].

Retrato de George Russell

Sir Thomas (Tom) Stoppard (n. 1937) - dramaturgo nascido na República Checa, autor de drama intelectual, como por exemplo “Arcádia” (1993), que juntou o último teorema de Fermat, a teoria do caos, arquitetura paisagística e o Lorde Byron. Também escreveu “Indian Ink” sobre a independência da Índia e os teosofistas.

Kurt Vonnegut Jr. (1922-2007) - autor norte-americano de romances satíricos de crítica social.

Thornton Wilder (1897-1975) - romancista e dramaturgo norte-americano, [autor de] “The Cabala”, “A ponte de São Luís Rei”, “Nossa Cidade”, “The Matchmaker”,”The Skin of Our Teeth”…

William Butler Yeats (1865-1939) - Poeta e dramaturgo anglo-irlandês [A E.T. conta-nos que Yeats juntou-se à S.T. em 1887, estando os seus trabalhos fortemente influenciados pela Teosofia e pelas suas incursões no misticismo. Foi por sugestão de Blavatsky que o poeta irlandês haveria de estudar a literatura espiritual indiana, o que o influenciaria nalgumas das suas produções. Mais tarde reconheceria que Blavatsky o tinha ajudado a desenvolver os seus poderes mentais e capacidade de liderança].

W.B. Yeats

sábado, 15 de Março de 2014

Como uma borboleta na sua crisálida

Daniel Caldwell é um dos mais conhecidos investigadores no campo da Teosofia, particularmente de todo o universo relacionado com Helena Blavatsky. Conhece como poucos a vida de HPB e sabe imensos detalhes sobre as inúmeras controvérsias da história do movimento teosófico, as diferenças sobre edições de livros, as datas de certos acontecimentos, as diferentes perspetivas sobre determinado conceito, etc…uma verdadeira enciclopédia, vertida no seu Blavatsky Study Center, o portal existente com mais conteúdos sobre Teosofia e HPB. Tem tanto material que duvido que alguém o tenha explorado na sua totalidade. Será a porta de entrada mais provável para aqueles que procuram as primeiras informações sobre Teosofia e HPB (em língua inglesa, naturalmente).


Helena Blavatsky (1831-1891)


Caldwell já editou três livros, um deles traduzido para português, “O Mundo Esotérico de Madame Blavatsky” que foi um dos meus primeiros contactos com Blavatsky. Um livro que já reli e que permanece como um dos meus favoritos. No fundo, é uma espécie de biografia de Blavatsky com base numa série de relatos de quem a conheceu, quer daqueles que lhe eram mais próximos, quer de pessoas que só a viram por uma vez. Também há lugar para aqueles que não gostaram (e não gostavam) da Velha Senhora.

Nem todos são apreciadores do trabalho de Caldwell, que já se envolveu em várias polémicas na internet e que fez parte do grupo de trabalho envolvido na controversa edição do I volume das Cartas de HPB, liderado por John Algeo, cujas deficiências foram referidas num artigo da revista Biosofia. A publicação de textos críticos para com algumas das práticas da Loja Unida de Teosofistas (LUT), bem como algumas referências à história desta organização e aos seus líderes acarretaram uma ligação um pouco difícil com certos elementos desta estrutura. “O Mundo Esotérico de Madame Blavatsky” foi inclusive alvo de uma dura crítica de Jerome Wheeler, um decano da LUT, a meu ver um pouco exagerada, pois na altura em que li o livro fiquei com uma ideia de HPB que mantenho até hoje, a de uma mulher extraordinária, a quem o mundo muito deve.





Mais recentemente Caldwell, editou “Laura Holloway e os Mahatmas” e antes “The Esoteric Papers of Madame Blavatsky”, que contém fac-similes de diverso material importante na história do movimento, como sejam as regras e  as primeiras instruções para os membros da Secção Esotérica e transcrições das reuniões do Grupo Interno (Inner Group). Há ainda uma compilação de Caldwell para introdução à Teosofia em forma de e-book.


Esta introdução antecede a tradução de uma interessante subpágina do Blavatsky Study Center sob o processo pós-morte e que se intitula “Como uma borboleta na sua crisálida“. Caldwell autorizou a sua tradução para português, ficando aqui desde já o meu agradecimento.


Como uma borboleta na sua crisálida

As esferas intermediárias (…) são os grandes pontos de paragem, as estações nas quais são gerados os futuros Egos autoconscientes, a prole auto-engendrada dos Egos antigos e desencarnados no nosso planeta. Antes que a nova Fénix, renascida das cinzas dos seus pais, possa voar mais alto para um mundo melhor, mais espiritual e mais perfeito…tem que passar pelo processo de um novo nascimento...”


“(…) naquele mundo de sombras o Ego-feto, novo e ainda inconsciente, transforma-se na vítima merecida das transgressões do seu último Eu, cuja carma – mérito e demérito - criará sozinho o seu futuro destino. Naquele mundo (…) nós só encontramos máquinas ex-humanas, inconscientes e autómatas; almas em estado de transição, cujas faculdades e individualidades adormecidas estão como uma borboleta na sua crisálida; e os Espíritas esperam que elas falem com sensatez…!”

Mestre KH, [Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett, carta 18 (por ordem cronológica), vol I, p.125 da edição em português]

Usando o ciclo de vida da borboleta-monarca, tentemos ilustrar as palavras do Mestre KH.


Imagens 1 e 2 : o Mundo Físico


1
2

A fase da lagarta representa o ser humano durante a sua vida no plano físico. É a nossa personalidade humana.

A lagarta da borboleta monarca tem um apetite voraz por serralha e passa a sua vida enquanto naquele estádio a se alimentar…da mesma forma que os seres humanos têm apetite por experiências – físicas, emocionais, mentais, etc…

Imagens 3 a 10: Kama-loka

Naquele mundo (...) nós só encontramos máquinas ex-humanas, inconscientes e autómatas, almas em estado de transição..." [op.cit, carta 18, vol. I, p.25]


3
4

Quando o ser humano morre de morte natural normal, a personalidade entra numa fase de casulo no Kama-loka. Tem lugar uma transformação e apenas as partes “superiores” da personalidade  são assimiladas pelo nosso “Deus” interior, ou seja, dá-se a “ressuscitação”…no Devachan…a fase da borboleta. As partes inferiores da nossa personalidade são descartadas…tornando-se uma casca.


5
6

Existem contudo exceções…vidas interrompidas pelo doença, acidentes, assassinatos, suicídios, abortos. Veja-se o que escreve Plutarco [também n'"A Chave para a Teosofia", p.94 a 96]


7

8

O Mestre KH escreve:

“Aquele que possui as chaves dos segredos da Morte é possuidor das chaves da Vida.” [Cartas dos Mahatmas para A.P.Sinnett , carta 136, vol II, p.315]

E o Mestre M escreve:

“O sr. Hume [no seu artigo “Fragmentos da Verdade Oculta”] definiu perfeitamente a diferença entre personalidade e individualidade. A primeira dificilmente sobrevive; a segunda, para percorrer com êxito os seus cursos setenários descendente e ascendente, tem de incorporar em si mesma a força vital eterna que reside somente no sétimo princípio e então unir os três (quarto, quinto e sétimo) num – o sexto. Os que chegam a fazê-lo convertem-se em Budas, Dhyan Chohans, etc…O propósito principal dos nossos esforços e iniciações é alcançar esta união enquanto estamos na Terra." [op.cit., carta 44, vol. I, p.205-6]


9

10


Ver aqui este texto em inglês com excertos de referências feitas por  HPB e pelos Mestres, bem como estas tabelas (1 e 2) do livro de Geoffrey Farthing, "When we die". Explicações sobre o Kama-loka e o Devachan podem ser encontradas em posts anteriores do Lua em Escorpião.

Imagens 11 e 12: Devachan


Uma vez acordadas do seu torpor pós-morte





A revitalização da consciência começa depois da luta no Kama-loka, às portas do Devachan e apenas depois do “período de gestação”.


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“Do Kama-loka (…) uma vez despertadas do seu torpor pós-morte, as “Almas” recém-transladadas vão todas (exceto as cascas), de acordo com as suas atrações, ou para o Devachan, ou para o Avitchi [estado de maldade espiritual, a antítese do Devachan].” [op.cit., carta 104, vol.II, p.190]

“Quando o sexto [Buddhi] e sétimo [Atman] princípios tiverem ido, levando consigo as partes mais finas e espirituais daquilo que certa vez foi a consciência pessoal do quinto princípio [Manas], só então a casca gradualmente desenvolve uma espécie de vaga consciência própria a partir do que permanece na sombra da personalidade.” [op.cit, carta 93B, vol.II, p.141]



12


No chamado manuscrito de Wurzburg d’”A Doutrina Secreta” , HPB escreveu:

[Buddhi] é também o plano de existência no qual a individualidade espiritual evolui, e a partir do qual a personalidade é eliminada.”

Devemos portanto aprender a fazer de forma consciente nesta vida, aquilo que é feito automática e inconscientemente nos estados pós-morte.

sábado, 8 de Março de 2014

A influência da Teosofia em personalidades famosas I - Músicos

Katinka Hesselink era até há pouco tempo uma das teosofistas mais ativas no mundo da internet. Contudo, desiludida com as cúpulas da Sociedade Teosófica de Adyar, virou-se para o Budismo. As suas opiniões colocadas em blogues e sites eram bastante lidas, bem como muitos dos seus interessantes artigos.

Há dias, numa pesquisa no Google, acabei por localizar um desses artigos – uma extensa lista de pessoas conhecidas que foram tocadas pela Teosofia, uns de modo mais profundo, outros nem tanto. Katinka Hesselink autorizou a tradução do artigo que foi elaborado entre 2006 e 2010, mas ao longo da mesma achei por bem adicionar umas notas entre parenteses retos e eliminar algumas partes que me pareceram mais irrelevantes. 

Katinka Hesselink


Também procedi à ordenação alfabética dentro de cada categoria. Muitas das referências do artigo original vêm da wikipedia, que não será a melhor das fontes para um tema tão específico como é o da Teosofia. Por isso e aproveitando o facto da “Theosophical Encyclopedia” (E.T.) estar online fiz uma adaptação do conteúdo original, com a permissão da Katinka, e o que se encontra dentro dos parenteses retos é em praticamente todos os casos extraído da E.T..

Este texto será colocado no Lua em Escorpião dividido em seis secções ao longo de várias semanas, intercalando com outros posts, pois não existe propriamente continuidade entre cada uma das secções (uma delas, a das figuras religiosas e espirituais, por ser extensa, será partida em duas partes). As personalidades estão agregadas em várias categorias: escritores, cientistas e inventores, pintores, músicos, políticos, arquitetos, atores, psicólogos, feministas e figuras religiosas e espirituais.

O facto de determinada personalidade constar desta lista não significa que o seu contributo tenha sido, na minha opinião, positivo. Esse é o caso do casal Ballard, que iniciou o movimento “I AM”, um conjunto de ilusões e mistificações à volta dos “Mestres Ascensos”. Há também uma menção a um antigo presidente de El Salvador que só consta da lista por estar referenciado no artigo original, pois as suas ideias e práticas estão nos antípodas do que defende a Teosofia.

O objetivo do artigo, para o qual avançamos já de seguida, é mostrar a amplitude da influência da Teosofia nestes quase 140 anos que passaram sobre a fundação da Sociedade Teosófica.




Este é um inventário provisório do impacto da Sociedade Teosófica no mundo. Baseia-se bastante no trabalho de John Algeo. Algumas coisas foram adicionadas, embora a minha fonte para elas sejam meramente rumores no meio teosófico. Estes casos necessitam obviamente de maior investigação. Eu (ainda) não incluí as fontes de referência adequadas, o que com o tempo acontecerá. De momento esta lista apenas inclui pessoas da Sociedade Teosófica de Adyar. Isto não é uma questão política, mas o reflexo do meu conhecimento nesta área. Se alguém consegue indicar pessoas de outras organizações teosóficas que tiveram um impacto significativo na sociedade, contactem-me por favor.

Tenho consciência que este é um campo de estudo problemático: o que constitui exatamente influência? Contudo, penso que é possível dar algum tipo de resposta à questão da influência da Sociedade Teosófica fazendo um inventário de destacados inovadores culturais que foram membros da Sociedade Teosófica. Se se consegue encontrar um número significativo, então é plausível que uma organização relativamente pequena tenha tido uma influência relativamente elevada no Oriente e no Ocidente. Como demonstra a lista, nem sempre é fácil mostrar como a Sociedade Teosófica ou os seus ideais e ensinamentos fizeram diferença no método ou nas perspetivas de certas pessoas. De qualquer modo, julgo ser útil para os historiadores da área da cultura estarem conscientes das filiações na Sociedade Teosófica. Para os membros da Sociedade Teosófica pode ser interessante saber as contribuições que outros membros tiveram no mundo.

Algumas pessoas que constam da lista nunca foram membros da Sociedade Teosófica (S.T.), e nesses casos foi adicionada uma nota. Elas constam da mesma devido aos seus interesses espirituais, ou devido ao seu contacto com teosofistas, mesmo que nunca se tenham filiado.

Esta lista tornou-se em parte desnecessária porque a Enciclopédia Teosófica (doravante E.T.) também fornece um inventário considerável. [NT: Esta enciclopédia existe em forma de livro, mas também está disponível gratuitamente na internet em formato wiki].




MÚSICOS

Ruth Crawford-Seeger (1901-1953) – compositora [norte-americana, influenciada por Scriabin e interessada pelo misticismo oriental, segundo refere o wikipedia].

Gustav Mahler (1860-1911), compositor de sinfonias [Segundo Cranston escreveu na sua biografia de HPB, quer Mahler quer Sibelius tinham muitas ligações ao meio teosófico e uma firme crença na reencarnação (p.533 da edição em língua portuguesa)].




Elvis Presley (1935-1977) - músico norte-americano de rock & roll.

Dane Rudhyar (1895-1985) – compositor [francês. A E.T. refere que foi influenciado por Scriabin. Rudhyar é especialmente conhecido pelo seu papel enquanto grande dinamizador da astrologia humanista, que depois transformou em transpessoal. Esta nova visão da astrologia caracterizava-se por ser menos determinista, com a ação dos planetas a constituir um conjunto de forças psicológicas nos indivíduos, mas sem condicionar de modo absoluto  o seu livre-arbítrio. Casou com uma secretária de um teosofista independente e foi próximo de Alice Bailey, de quem falaremos na secção V].


Dane Rudhyar
(foto retirada de beyondsunsigns.com)


Cyril Scott (1879-1970) - compositor e autor [Segundo a E.T. aderiu à S.T. em 1914, depois de ouvir uma palestra de Annie Besant. Alegava ligações a um mestre. Proponente do vegetarianismo].

Alexandre Nikolayevich Scriabin (1872-1915), compositor russo. As ideias teosóficas forneceram a base para o “Poema da Êxtase” (1908) e para “Prometeu” (1910), que necessitava da projeção de cores num ecrã durante o concerto. [Segundo a E.T., Scriabin era um grande entusiasta de Blavatsky e da Teosofia. A sua síntese das cores com a música lembra as correspondências como Hermetismo. ”Prometeu” invoca as Estâncias de Dzyan, e a sua síntese inacabada das artes, “Mistério”, é essencialmente a visão teosófica da futura transformação da humanidade].




Jean Sibelius (1865-1957) – finlandês, compositor musical inspirado pelo Kalevala.[ver Mahler]