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sábado, 23 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (7ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de prosseguir. 


PARTE 5 – O TERCEIRO VOLUME DESDE A MORTE DE HPB ATÉ 1897

Vamos agora seguir a história do terceiro volume de “A Doutrina Secreta” desde maio de 1891 até à sua publicação em junho-julho de 1897.

Outubro de 1891 – Isabel Cooper-Oakley escreveu (Path, dezembro de 1891, p. 295):
A HPB Press…está a se tornar numa tipografia permanente…Uma nova edição de “A Doutrina Secreta” será a próxima a sair, e o terceiro volume está para ser publicado.


Isabel Cooper-Oakley
(1854-1914)


29 de outubro de 1891 – O Dr. Archibald Keightley escreveu numa carta para Bertram Keightley (citada por C. Jinarajadasa em "Dr. Besant and Mutilation of the Secret Doctrine,"Messenger, janeiro de 1926, p. 166):

Existem algumas conversas no sentido de reimprimir “A Doutrina Secreta” [Volumes I e II] e de corrigir erros quando o Terceiro Volume for lançado.

Dezembro de 1891 – Um aviso foi publicada no The Path, The Vahan, and The Theosophist por Annie Besant e G. R. S. Mead:

Estando esgotada a segunda edição da obra-prima de HPB, uma terceira edição tem de ser preparada imediatamente. Todos os esforços estão a ser feitos para rever exaustivamente a nova edição e os editores solicitam fervorosamente que todos os estudantes que leiam esta nota enviem listas completas de ERRATAS tanto quanto possível….É importante que a ERRATA da primeira parte do Volume I seja enviada IMEDIATAMENTE.


George Robert Stowe Mead
(1863-1933)

Janeiro de 1894 – Um aviso aparece no The Path (p.323)

O Volume um da nova edição de “A Doutrina Secreta” está agora pronto, e uma cópia foi enviada para todos os assinantes, com os custos de correio pagos…O volume dois, segundo se prevê agora, poderá ser enviado em janeiro.

Janeiro de 1894 – Uma declaração é publicada em Lucifer (p.354):

O terceiro volume de “A Doutrina Secreta” está a ser datilografado a partir do manuscrito.

Maio de 1895 – Annie Besant escreveu em Lucifer (188):

O terceiro volume de A Doutrina Secreta…foi colocado nas minhas mãos por HPB.



A 2ª parte do documentário "The Annie Besant Story"


Junho de 1895 – As primeiras páginas do Volume III foram para impressão (Lucifer, junho de 1895, p.271).

Junho de 1896 – Uma nota editorial surgiu em Lucifer (p.265):

No decurso da preparação do terceiro volume para impressão de “A Doutrina Secreta”, foram encontrados alguns manuscritos misturados e que não fazem parte da obra propriamente dita, e esses serão publicados em [Lucifer]

Setembro de 1896 – Volume III está completo (Lucifer, setembro de 1896, p.271).

Junho de 1897 – Volume III de A Doutrina Secreta foi publicado (Theosophist, setembro de 1897, p.766).




PARTE 6 - CONCLUSÕES E REFLEXÕES

É o volume III de “A Doutrina Secreta” publicado em 1897, igual (ou mais ou menos igual) ao manuscrito originalmente conhecido como o Volume I em 1886-1887 e mais tarde reorganizado, ficando conhecido como o Volume III entre 1887 e 1891?

Uma das peças de informação mais reveladoras que nos ajuda a responder a esta questão diz respeito à parte do Volume I que se encontra no que sobreviveu do Manuscrito de Würzburg.

A maior parte do material existente neste Volume I também pode ser encontrada no Volume III de 1897. O material do Volume I do Manuscrito de Würzburg deixado de fora do Volume III de 1897 foi incorporado no Volume I de “A Doutrina Secreta” conforme publicado em 1888 ou então foi publicado nas páginas de “Lucifer” durante a vida de HPB ou pouco depois da sua morte.


Helena Blavatsky


Além do mais, como foi descoberto a partir de fontes primárias de 1886 que o volume I original continha os artigos “A Magia Egípcia”, “Os Ídolos e os Terafins” e “O Mistério de Buddha“, não é significativo que estes três artigos também surjam no Volume III de 1897?

Mas o que aconteceu às duas secções de ensaios e vinte e seis apêndices (que não constam do Manuscrito de Würzburg remanescente), certamente uma parte integral do manuscrito de HPB do Volume I original de 1886-1887?

Se a maior parte do remanescente do volume I do Manuscrito de Würzburg acabou por ser incluído no Volume III de 1897, não será razoável sugerir que as restantes duas secções e vinte e seis apêndices (com várias exceções) também tivessem sido provavelmente incluídas no Volume III de 1897?

Considere-se também o seguinte facto. Quer H.P. Blavatsky quer Bertram Keightley referiram que o terceiro volume abordaria as vidas de grandes ocultistas. Uma quantidade considerável de material no volume III diz respeito às vidas de Simão o Mago, São Paulo, Pedro, Apolónio de Tiana, São Cipriano de Antioquia, Buda Gautama e Tsong-kha-pa. E um dos ensaios no volume III de 1897 intitula-se “Factos subjacentes nas biografias dos Adeptos”.


Estátua de Tsong-kha-pa


Recapitulemos duas das descrições de HPB dos conteúdos do terceiro volume. Primeiro, em “A Doutrina Secreta” (1888, 2:437), HPB escreveu:

No Volume III desta obra …será exposta uma breve história de todos os grandes adeptos conhecidos dos tempos antigos e modernos por ordem cronológica e uma perspetiva genérica dos Mistérios, a sua criação, crescimento, degradação e morte – na Europa. Não houve espaço para isto neste volume.

Também em “A Doutrina Secreta” (1888: 1:xl, na versão em língua portuguesa na página 62 do 1º volume com uma redação um pouco distinta) HPB escreve o seguinte:

Nesse [terceiro] volume apresentar-se-á uma breve recapitulação dos principais Adeptos historicamente conhecidos; será descrito como os Mistérios decaíram, principiando em seguida a desaparecer, e apagando-se finalmente da memória dos homens, a verdadeira natureza da Iniciação e da Ciência Sagrada. Passaram desde então a ser ocultos os seus ensinamentos, e a Magia não persistiu senão, quase sempre, sob as cores veneráveis, mas por vezes, enganosas, da Filosofia Hermética. Assim como o verdadeiro Ocultismo havia prevalecido entre os místicos durante os séculos que antecederam a nossa era, assim a Magia, ou antes a Feitiçaria com as suas artes ocultas, seguiu-se ao advento do Cristianismo.”


Londres de 1888, zona de Whitechapel
(foto: bbcamerica.com)

Com esta lista de conteúdos, compare-se as descrições dadas por HPB nas suas cartas de 1886, acima citadas, com as partes mais relevantes recapituladas aqui:

…os inegáveis factos historicamente provados da existência dos adeptos antes e depois do período cristão, da admissão de um duplo sentido esotérico nos dois testamentos pelos pais da igreja e provas que a verdadeira fonte de todos os dogmas cristãos residem nos mais antigos MISTÉRIOS arianos durante o período Védico e Bramânico, provas e evidências sobre isso são mostradas nas obras em Sânscrito quer exotéricas quer esotéricas. [14 de julho, 1886 para Olcott].

… um rápido esboço do que era conhecido historicamente e na literatura, nos clássicos e nas histórias sagradas e profanas – durante os 500 anos que precederam o período cristão e os 500 anos subsequentes: da magia, a existência de uma Doutrina Secreta Universal conhecida dos filósofos e dos Iniciados de todos os países e até de vários pais da Igreja como Clemente de Alexandria, Orígenes e outros, que tinham sido eles próprios iniciados.

Residência de Blavatsky em Londres
em Lansdowne Road,17.
Embora a foto seja de 1959, pouco mudou
desde o tempo de HPB.

Também descrever os Mistérios e alguns rituais, e posso assegurar-lhe que as coisas mais extraordinárias serão expostas agora, a história completa da Crucificação, etc… mostrando que são baseadas num rito tão antigo como o mundo – a crucificação do Candidato em provação no torno, descendo ao Inferno, etc… tudo Ariano.

A história completa, até aqui ignorada pelos Orientalistas, é encontrada exotericamente nos Puranas e nos Brahmanas e explicada e complementada com aquilo que as explicações esotéricas fornecem.  [3 de março de 1886, para A.P. Sinnett]

Continua na próxima semana.

sábado, 16 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (6ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de prosseguir. Continuamos com o restante da parte 4 do texto de Caldwell.

29 de abril de 1889 – Archibald Keightley foi citado numa entrevista ao New York Times, p. 5
O terceiro volume de “A Doutrina Secreta” está em manuscrito pronto para impressão. Consiste principalmente de uma série de esboços de grandes ocultistas de todas as épocas e é um trabalho maravilhoso e fascinante. O quarto volume, que basicamente dará algumas pistas sobre ocultismo prático, já foi delineado, mas ainda não foi escrito…


Archibald Keightley


21 de novembro de 1889 – HPB escreve numa carta para N.D. Khandalavala (Theosophist, agosto de 1932, p. 626):

Fui capaz de escrever a minha D.S., a “Chave”, a “Voz” e preparei mais dois volumes da Doutrina S..

Fevereiro de 1890 – HPB escreveu numa carta para a sua irmã Vera (Path, dezembro de 1895, p. 268):

Tenho de pôr o terceiro volume da Doutrina [Secreta] em ordem, e o quarto – mal comecei, também.


Nesta foto, a irmã de Blavatsky, Vera, está à sua esquerda.
Em cima Olcott e o casal Johnston.


Dezembro de 1890 – Um relato (Theosophist, julho de 1891, p. 586-7) da palestra de Bertram Keightley “Teosofia no Ocidente” na convenção anual da S.T. em Adyar, Madras, Índia, incluía o seguinte:

HPB entregou-lhe [a B. Keightley] o manuscrito de “A Doutrina Secreta” com a solicitação de que o lesse na totalidade. Ele leu os dois volumes publicados e o terceiro ainda não publicado…o que agora será o 3.º volume da história do Ocultismo teria sido o primeiro volume, enquanto os tratados sobre Cosmogonia e a Génese do Homem constituiriam um conjunto posterior…Ele então esboçou um esquema com a ordem óbvia e natural, nomeadamente a Evolução do Universo e a Evolução do homem…O próximo passo…era reordenar…o manuscrito de acordo com o [novo] esquema.

7 de janeiro de 1891 – Claude Falls Wright escreveu (Path, Fevereiro 1891, 354):

Na última semana, HPB começou a reunir os manuscritos (escritos há muito) para o Terceiro Volume de A Doutrina Secreta; levará contudo uns bons doze meses a prepará-lo para publicação.


Claude Falls Wright (1867-1923)


Fevereiro de 1891 – Alice Leighton Cleather escreveu (Theosophist, Abril de 1891, p. 438):
HPB já começou no Vol. III.

18 de fevereiro de 1891 – A Condessa Wachtmeister escreveu numa carta para W.Q. Judge (citada em Report of Proceedings, Secret Doctrine Centenary, October 29-30, 1988, 1989, p. 86):
Quando o Volume 3 [de A Doutrina Secreta] sair este verão espero que haja nova procura pelos anteriores [dois] volumes.


Condessa Constance Wachtmeister
(1838-1910)


Abril de 1891 – HPB escreveu em Lucifer (CW 13:145-6):

Há dois anos, a autora prometeu em “A Doutrina Secreta”, Vol.II p. 798 [p.366 do volume IV da edição em português de “A Doutrina Secreta”], um terceiro e até um quarto volume deste trabalho. O terceiro volume (que está praticamente pronto) trata dos antigos Mistérios da Iniciação, dá esboços – do ponto de vista esotérico – de muitos dos mais famosos e historicamente conhecidos filósofos e hierofantes (todos eles considerados pela ciência como impostores), desde a antiguidade ate à era cristã, e rastreia os ensinamentos de todos estes sábios à mesma e única fonte de todo o conhecimento e ciência – a doutrina esotérica ou RELIGIÂO SABEDORIA. Nem é necessário referir que dos materiais lendários esotéricos usados no próximo trabalho, as suas afirmações e conclusões diferem grandemente e muitas vezes chocam irreconciliavelmente com os dados fornecidos por quase todos os orientalistas ingleses e alemães….O objetivo principal do Volume III de “A Doutrina Secreta” é provar, ao identificar e explicar os véus nas obras dos antigos indianos, gregos e outros filósofos de renome e também em todas as antigas Escrituras – a presença de um método e simbolismo alegórico e esotérico ininterruptos: mostrar, tanto quanto possível, que com as chaves da interpretação conforme ensinadas no Cânone do Ocultismo Hindu-Budista Oriental, os Upanixades, os Puranas, os Sutras, os poemas épicos da Grécia e da Índia, o Livro Egípcio dos Mortos, os Eddas escandinavos, bem como a Bíblia hebraica e ainda os escritos clássicos dos Iniciados (como Platão, entre outros) – tudo, do início ao fim, dão um significado bastante diferente dos seus textos em letra morta.

4 de maio de 1891 Annie Besant testemunhou a favor de HPB na ação desta contra Elliout Coues e o New York Sun (Michael Gomes, ed., Witness for the Prosecution: Annie Besant's Testimony on Behalf of H. P. Blavatsky in the N. Y. Sun/Coues Law Case, 1993, p.23):

Existe um outro trabalho dela [de HPB] que vi em manuscrito, ainda não publicado; um terceiro volume de “A Doutrina Secreta” que vejo com os meus próprios olhos que está agora a ser preparado para impressão. A Senhora Blavatsky também tem em preparação um glossário de Sânscrito e de línguas orientais; ambos estão em preparação; um deles está já datilografado e outro está quase pronto para sê-lo.

Elliott Coues, um dos mais ferozes
 inimigos de Blavatsky
(1842-1899)

8 de maio de 1891 – HPB morreu em Londres.

Das afirmações de 1890-1891 acima (quer escritas pela própria HPB ou pelos seus estudantes de Londres) uma conclusão razoável que pode ser retirada é a de que HPB finalmente decidiu publicar o terceiro volume de “A Doutrina Secreta” e estava, de facto, trabalhando no manuscrito do terceiro volume durante os meses que precederam a sua morte.

À luz desta conclusão, é difícil entender o que Boris de Zirkoff queria dizer quando escreveu (na SD Intro., p.71) que “nenhuma resposta positiva ou negativa em absoluto pode ser dada à recorrente questão sobre se um manuscrito completo dos volumes III e IV alguma vez existiu.”


Boris de Zirkoff


Deixando de lado a referência de de Zirkoff ao volume IV, não há qualquer razão para duvidar que um manuscrito do Volume III existiu durante os últimos anos da vida de HPB. Além do mais, tivesse ela vivido mais anos, provavelmente teria adicionado e eliminado material do manuscrito; provavelmente teria reescrito e reeditado o material ainda mais. Mas na altura da sua morte, este manuscrito estava tão “terminado” tanto quanto HPB podia. Que mais se poderia esperar?


No século XX, muitos estudantes de Blavatsky preferiram acreditar que o verdadeiro volume III não publicado de 1887-1891 (o anterior Volume I de 1886-1887) havia, de algum modo, desaparecido. Alguns sugeriram que o manuscrito ou foi destruído por HPB antes da sua morte, ou já depois disso, havia sido suprimido por Besant, “desmaterializado” pelos Mestres, ou ainda que teria desparecido de outro modo qualquer.


Parte 1 do documentário "The Annie Besant Story"

Continua na próxima semana.

sábado, 9 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (5ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de prosseguir.

PARTE III - O MANUSCRITO DO VOLUME UM TORNA-SE O VOLUME TRÊS

Voltando ao relato da edição de “A Doutrina Secreta” de Bertram Keightley, que escreveu:


Bertram Keightley (1860-1944)


“Um dia ou dois depois da nossa chegada a Maycott [em maio de 1887], HPB colocou tudo o que havia de manuscritos completos de [A Doutrina Secreta) nas mãos do Dr. [Archibald] Keightley e de mim próprio…Ambos lemos todo o conjunto de manuscritos – uma pilha com quase 1 metro de altura – o mais cuidadosamente possível…e então, depois de consulta prolongada, encarámos [HPB]… com a solene opinião que o conjunto de material tinha que ser rearranjado de acordo com um plano preciso…

Finalmente apresentámos-lhe um plano, de acordo com a própria natureza do material, ou seja, dividir o trabalho em quatro volumes…

Além disso, em vez de fazer o primeiro volume consistir, como ela pretendia, da história de alguns grandes ocultistas, aconselhámo-la a seguir a ordem natural de exposição e a começar com a Evolução do Cosmos, e a partir daí a passar para a Evolução do Homem, e depois a lidar com a parte histórica num terceiro volume abordando as vidas de alguns grandes Ocultistas; e finalmente, a falar do Ocultismo Prático num quarto volume se ela tivesse condições de escrevê-lo.

Este plano foi apresentado a HPB que de pronto o sancionou.


Busto de HPB


O próximo passo foi ler novamente o manuscrito, do princípio ao fim, e fazer um ordenamento geral da matéria pertencente aos temas que vinham sob as epígrafes de Cosmogonia e Antropologia, os quais deveriam formar os dois primeiros volumes da Obra. Concluída essa tarefa, HPB, devidamente consultada, expressou a sua aprovação, e todo o manuscrito, assim ordenado, foi passado à máquina por mãos profissionais… (em Reminiscences of H. P. Blavatsky and The Secret Doctrine, pela Condessa Constance Wachtmeister et al., Quest edition, 1976, pp. 78-9; também citado em de Zirkoff, SD Intro., 41) [NT: esta passagem pode ser encontrada com uma redação ligeiramente diferente no livro “Reminiscências de H.P. Blavatsky e de A Doutrina Secreta”, ed. Pensamento, p.74-5. Também consta da p.34 do volume I de “A Doutrina Secreta” em língua portuguesa].

Portanto, como nos diz Bertram Keightley, a ordem dos volumes de “A Doutrina Secreta” foi alterada. O volume I tornou-se no Volume III.

Ficaram os conteúdos do novo e inédito volume III completamente intactos?

Não. Por exemplo, HPB decidiu retirar um dos apêndices ("Star-Angel Worship in the Roman Church") e publicá-lo como um artigo em Lucifer (CW 10: 13-32). Outro exemplo: o apêndice intitulado "Kuan-Shai-Yin"  foi aparentemente retirado e publicado no volume I de 1888, p.470-3. Algumas outras partes do reorganizado terceiro volume foram também incorporadas no Volume I conforme publicado em 1888: parte da secção “para os leitores” e parte das “explicações da primeira página de Ísis sem Véu” (ver o quadro de conteúdos do volume I) foram incorporados na “introdução” (xvii-xxi e xii-xlvii)  do volume I publicado em 1888. Mas, em grande medida, o material que estava no Volume I do manuscrito original de A Doutrina Secreta de 1886-1887 permaneceu no manuscrito daquilo que se veio a tornar o Volume III.


PARTE 4 – O TERCEIRO VOLUME DESDE 1888 ATÉ À MORTE DE HPB

Podemos agora delinear a história do terceiro volume desde 1888 até à morte de HPB em 1891 citando vários documentos publicados.

Carta escrita por Blavatsky.
A sua caligrafia é facilmente reconhecida.


3 de abril 1888 – HPB escreve à Segunda Convenção Americana:

O manuscrito dos primeiros três volumes está agora pronto a ir para impressão (CW 9:247).

1888 – HPB escreve sobre o terceiro volume nos Volumes I e II de “A Doutrina Secreta” (1888):

Os dois volumes agora publicados ainda não completam o esquema geral, nem esgotam os temas abordados. Já está preparada uma boa quantidade de materiais referentes à história do Ocultismo, baseada nas vidas dos grandes Adeptos da Raça ariana e que nos mostram a influência da Filosofia Oculta na conduta da vida, tal como é e tal como deveria ser. Se os presentes volumes tiverem acolhimento favorável, não serão poupados esforços para levar avante o plano e completar a obra. O terceiro volume está inteiramente pronto e o quarto quase (1:vii) [NT- Na p.11 do volume I da edição em português de “A Doutrina Secreta” encontrar-se-á esta passagem ligeiramente alterada. Note-se que esta última frase não consta da edição portuguesa, possivelmente porque a versão a partir da qual foi feita a tradução já não continha essa passagem.]




Se o leitor, porém, tiver paciência, poderá olhar para o estado atual das diversas crenças existentes na Europa, comparando-as ao que a história refere das épocas que imediatamente precederam e seguiram a era cristã; tudo isso poderá ser encontrado no volume III desta obra.

Nesse volume apresentar-se-á uma breve recapitulação dos principais Adeptos historicamente conhecidos; será descrito como os Mistérios decaíram, principiando em seguida a desaparecer, e apagando-se finalmente da memória dos homens, a verdadeira natureza da Iniciação e da Ciência Sagrada. Passaram desde então a ser ocultos os seus ensinamentos, e a Magia não persistiu senão, quase sempre, sob as cores veneráveis, mas por vezes, enganosas, da Filosofia Hermética. Assim como o verdadeiro Ocultismo havia prevalecido entre os místicos durante os séculos que antecederam a nossa era, assim a Magia, ou antes a Feitiçaria com as suas artes ocultas, seguiu-se ao advento do Cristianismo. (l: xxxix-xl) [NT- p.52 do volume I da edição em português de “A Doutrina Secreta”, com pequenas alterações.]

Lidos à luz do Zohar, os quatros primeiros capítulos do Génesis são os fragmentos de uma página altamente filosófica da cosmogonia do Mundo (ver Volume III, “Gupta Vidya e o Zohar) (1:10-1) [NT - p.79 do volume I da edição em português de “A Doutrina Secreta”, embora o que está entre parêntesis não conste.]

Outra edição menos conhecida da Doutrina Secreta feita
pela Editora Civilização Brasileira

A explicação de “Anupâdaka” contida no Kâla Chakra – a primeira na divisão Gyut do Kanjur, é semi-esotérica, e induziu os orientalistas a erróneas especulações quanto aos Dhyâni-Buddhas e aos seus correspondentes terrestres, os Mânushi-Buddhas. A significação verdadeira será indicada em volume subsequente (ver “O Mistério de Buda”), e a seu tempo será explicada com maior amplitude. (1:52n) [NT- nota 24 da p.114 do volume I da edição em português de “A Doutrina Secreta”, excluindo o que está entre parêntesis].

É, por isso, fácil de compreender a significação daquele “conto de fadas” que Chwolsohn traduziu da versão árabe de um velho manuscrito caldeu, em que Qûtamy é instruído pelo ídolo da Lua (vide volume III)… Seldenus diz-nos o segredo, e o mesmo faz Maimonides…Os adoradores de Terafim, ou oráculos judeus “esculpiam imagens, e alegavam que, sendo inteiramente impregnada pela luz das estrelas principais (planetas), por seu intermédio as Virtudes angélicas (ou os Regentes dos planetas e estrelas) conversavam com eles, ensinando-lhes a arte e muitas coisas úteis” (1:394) [NT- p.102 do volume II da edição em português de “A Doutrina Secreta”, excluindo o que está entre parêntesis].

Estudando-se a Teogonia comparada, é fácil ver que o segredo destes “Fogos” era ensinado nos Mistérios de todos os povos da antiguidade, e principalmente na Samotrácia…Falta-nos espaço para descrevermos aqui estes “Fogos” e o seu real significado; tentaremos fazê-lo mais tarde, se os terceiro e quarto volumes desta obra vierem a ser publicados. (2:106) [NT- p.120 do volume III da edição em português de “A Doutrina Secreta”, com pequenas alterações.]




No terceiro volume desta obra (este volume bem como o quarto estão praticamente prontos), será exposta uma breve história de todos os grandes adeptos conhecidos dos tempos antigos e modernos por ordem cronológica e uma perspetiva genérica dos Mistérios, a sua criação, crescimento, degradação e morte – na Europa. Não houve espaço para isto nesta obra. O volume IV será dedicado quase na íntegra a ensinamentos ocultos (2:437) [NT: Esta passagem não existe na versão em língua portuguesa de “A Doutrina Secreta”, a existir estaria na p. 455 do volume III].

Estes dois volumes são para o estudante um prelúdio adequado para os volumes III e IV. Enquanto os resíduos das idades não forem eliminados da mente dos Teósofos, a quem dedicamos estas páginas, é impossível que cheguem a compreender o ensinamento de caráter mais prático contido no terceiro volume.




Do acolhimento que os Teósofos e Místicos dispensarem aos dois primeiros volumes dependerá a publicação dos últimos dois volumes, embora estejam quase concluídos (2:797-8) [NT: com uma redação ligeiramente distinta, esta passagem está na p.366 do volume IV da edição em português de “A Doutrina Secreta”].

Estas descrições por parte de HPB, daquilo que estava no volume III não publicado de “A Doutrina Secreta”, têm uma boa correspondência com aquilo que ela diz nas suas cartas de 1886, nas quais descreve o volume I original.

Continua na próxima semana.


sábado, 2 de julho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (4ª parte)

Prosseguimos com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler os posts das semanas anteriores antes de continuar.

Boris de Zirkoff (na SD Introd., p.69) refere que Geoffrey Barborka salienta que o “Prólogo” de HPB não é o “Introdutório” (ou qualquer outra secção) no Volume I de “A Doutrina Secreta” conforme foi publicada em 1888. Isso é verdade. Mas a que está HPB a se referir na sua carta? A texto desaparecido não mais disponível? Não, ela está a falar sobre o manuscrito do Volume I de “A Doutrina Secreta” (em linha com: o descrito nas suas cartas de 1886; o parcialmente encontrado no Manuscrito de Würzburg que sobreviveu; e o que foi lido pelos Keightley em maio de 1887). Boris de Zirkoff prossegue:


Dois dos teosofistas mais conhecidos do século XX
Emmett Small (à esquerda) e Boris de Zirkoff (à direita)
Foto: Point Loma School of Theosophic Perennialism


“Também é importante lembrar que a descrição deste material por parte de  HPB na sua carta para Sinnett não se coaduna com nenhum do material variado reunido e publicado em 1897 sob o título enganador de “A Doutrina Secreta – Volume III”.”

Contudo, tanto quanto posso perceber, a descrição de HPB para Sinnett do seu “enorme Capítulo Introdutório” coaduna-se bastante bem não só com o volume de 1897, mas também com os conteúdos do Volume I do Manuscrito de Würzburg. Por exemplo, “a Crucificação do Candidato no torno” é coberto no Manuscrito de Würzburg [CW 14:261-2, “"The Trial of the Sun Initiate"]. O ”torno” também foi especificamente mencionado no volume III, publicado em 1897, mas essas páginas também contêm uma falha no manuscrito. Diz Annie Besant: “Existe uma falha nos manuscritos de HPB” (Vol. III, edição de 1897, p.272). Mais tarde L.H Leslie-Smith forneceu a parte em falta do Manuscrito de Würzburg [edição da Quest do volume III intitulada Esoteric Writings, p.466-7]. Mas o que aconteceu à página original na caligrafia de HPB que não constava do volume de 1897 e que constituía uma “falha”? A minha sugestão é a de que esta página de alguma maneira soltou-se do manuscrito do terceiro volume mas foi encontrada e publicada como um ”Fragmento” na “Lucifer” de agosto de 1896 [CW 7: 275-6]. Da mesma forma, “a história completa da Crucificação, etc… que se mostra ser baseada num rito tão antigo como o mundo – a crucificação do Candidato em provação no torno, descendo ao Inferno, etc…” sobre o qual HPB escreveu na sua carta para Sinnett, também é abordado na Doutrina Secreta de 1888 (vol. I, p. 543, 559, 558, 560-2.).


Número 1 da revista Lucifer
Foto: BlavatskyTheosophy.com

Portanto, a descrição de HPB de um “enorme volume introdutório” não é indicação de “material perdido” como de Zirkoff e Barborka acreditavam. Ao invés, a descrição de HPB é do manuscrito original do Volume I. O mesmo material pode ser encontrado no Volume I do manuscrito de Würzburg e no Volume III de 1897.

Com base nas próprias palavras de HPB, sabe-se que o primeiro volume original consistia de sete secções e vinte e sete apêndices. Também se estima que o que sobreviveu do volume I do Manuscrito de Würzburg corresponde a aproximadamente um terço do volume I original que os Keightley leram em maio de 1887. Podemos determinar os conteúdos do resto deste Volume I?


Dr. Archibald Keightley (1859-1930)


Abaixo está uma lista parcial de material inexistente no Manuscrito de Würzburg mas que provavelmente seria encontrado no manuscrito do Volume I original na caligrafia da própria HPB:

1. Em CW 14:342, HPB escreveu: “consulte o Apêndice” desta INTRODUÇÃO e leia “Os Jesuítas e a sua política”. Os editores dos Collected Writings adicionaram uma nota de rodapé: “Não identificado sob este título. Possivelmente reintitulado Teosofia ou jesuitismo?; ver BCW IX”.

2. Em CW 7:190, HPB escreveu: “explicado nos nossos Apêndices sobre “Magia Egípcia” e “Espíritos chineses (Doutrina Secreta). “Os Collected Writings têm notas editorais contraditórias sobre estes dois artigos (7: 104 e 190-91).

3. Em CW 7:226, HPB diz: “Tentei explicar e dei as opiniões individuais e coletivas dos grandes filósofos da antiguidade na minha Doutrina Secreta.” Numa nota editorial, de Zirkoff diz: “Ao consultar as páginas 234-240 do Volume [III] publicado em 1897…o estudante encontrará um breve ensaio sobre “Os ídolos e os Terafins.” Esse ensaio é precisamente o material falado por HPB no seu comentário atrás citado.

4. No volume II do Manuscrito de Würzburg, que lida com as Estâncias de Dzyan e com os comentários de HPB sobre as mesmas, a seguinte referência é encontrada: (ver “Um Mistério sobre o Buda, Ap. à Secção VI)”. Interpreto que isto significa que o artigo “Um Mistério sobre o Buda” era um apêndice à secção seis do primeiro volume do manuscrito de A Doutrina Secreta de 1886-1887. O volume II original (que lida com as sete estâncias de Dzyan e os comentários do HPB) tinha numerosos apêndices, pelo menos dezassete, senão mais. Estes apêndices não existem no Manuscrito de Würzburg mas a eles se refere HPB no decurso dos seus comentários. Por exemplo, HPB escreveu “Ver Dinastias Divinas, Ap. XII” ou “Ap. VII, “Substância Primordial” e assim por diante.

5. Outra referência aos conteúdos do Volume I original é provável que seja encontrado no Volume II do Manuscrito de Würzburg, no qual HPB se refere ao “Ap. na Sec. Prel. Kuan-Shain-Yin.”

6. Todas estas referências dão-nos alguma indicação a que material adicional estava no volume I de A Doutrina Secreta (1886-1887).



 

Continua na próxima semana.

sábado, 25 de junho de 2016

A controvérsia sobre o quinto e sexto volumes de "A Doutrina Secreta" (3ª parte)

Continuamos esta semana, com a tradução do artigo de Daniel H. Caldwell, “O mito do terceiro volume desaparecido de A Doutrina Secreta”. É fundamental ler a e partes publicadas nas semanas anteriores.

Página de entrada do site Blavatsky Study Center
editado por Daniel H. Caldwell


O MANUSCRITO DO VOLUME I E O MANUSCRITO DE WÜRZBURG

Escrito apenas seis anos depois dos acontecimentos que ele próprio descreveu, Bertram Keightley conta-nos que à sua chegada a Londres em maio de 1887, a Senhora Blavatsky “colocou tudo o que havia de manuscritos completos [de A Doutrina Secreta] nas mãos do Dr. [Archibald] Keightley e de mim próprio… Ambos lemos todo o conjunto de manuscritos – uma pilha com quase 1 metro de altura – o mais cuidadosamente possível (retirado de “Reminiscências de H.P. Blavatsky e A Doutrina Secreta”, pela Condessa Constance Wachtmeister et al., edição da Quest, 1976, p.78 [NT: este livro existe em português] também citado em “Historical Introduction” to the Secret Doctrine “Collected Writings”, I.41).


Bertam Keightley (1860-1944), tio
de Archibald Keightley


Bertram refere que este manuscrito original estava dividido em três partes ou volumes:

- Volume I: História de alguns grandes ocultistas

- Volume II: Evolução do Cosmos

- Volume III: Evolução do Homem

A referência de Bertram a “tudo o que havia de manuscritos completos” dirige-se obviamente, ao manuscrito original de A Doutrina Secreta, escrito entre 1884 e abril de 1887, que estava na própria caligrafia de HPB.

Qual era a ordenação e o conteúdo do volume I – o volume que continha a história de alguns grandes ocultistas, que Bertram e Archibald Keightley leram em maio de 1887?

Numa carta datada de 23 de setembro de 1886 (apenas oito meses antes dos Keightley lerem os três volumes em Londres), HPB escreveu ao Coronel Henry S. Olcott:


Henry Steel Olcott (1832-1907)

“Envio-te o manuscrito de “A Doutrina Secreta”…Por agora envio apenas o primeiro volume da Secção Introd. Existem no 1º volume introdutório sete secções ou capítulos e 27 apêndices, vários apêndices ligados a cada secção da 1 à 6, etc…Tudo isto constituirá um volume e não é a D.S. mas um prefácio…Portanto, está disposta de forma a que os apêndices possam estar junto com as Secções ou retirados e colocados num volume separado ou no fim de cada um…Se se tirar os ap.. então não terá mais de 300 páginas nas secções Int. mas estas perderão interesse [citado a partir de de Zirkoff , SDIntro., 30-1].

Este manuscrito enviado ao Coronel Olcott não era o manuscrito original na caligrafia de HPB mas uma cópia feita pela Condessa Constance Wachtmeister e pela Srª Maria Gebhard. Este manuscrito do “1º volume” é parte do “manuscrito de Würzburg” agora preservado nos Arquivos da Sociedade Teosófica de Adyar, Madras, Índia.

(Para aqueles interessados no Manuscrito de Würzburg, grande parte do volume I do manuscrito foi publicado de forma seriada nas páginas do The Theosophist em agosto de 1931 e Outubro de 1932 a Novembro de 1933; vol.52, pt.2, p. 601-7; vol.54, pt. l, p. 27-36, 140-50, 265-71, 397-401, 538-42, 623-8, e pt. 2, p. 9-14, 137-43, 263-6, 391-5, 505-9, 633-7; vol. 55, pt. 1, p. 12-6, 143-6. Consultar o índice do volume XIV dos Collected Writings para mais excertos do manuscrito. As estâncias de Dzyan conforme encontradas no volume II deste manuscrito foram publicadas como as “Estâncias no Manuscrito de Würzburg”, p. 514-20 no volume III de “A Doutrina Secreta”, na edição dos “Collected Writings”, Adyar, 1978; Wheaton, 1993. Ver também a p.34 de "Historical Introduction" à Doutrina Secreta de de Zirkoff para um facsimile de uma página do manuscrito de Würzburg. Esta página contém uma das Estâncias de Dzyan. Cópias em microfilme do “manuscrito de Würzburg” existem; consultei o microfilme enquanto pesquisava sobre este assunto).


O manuscrito de Würzburg foi
recentemente editado por David Reigle.


O volume I do manuscrito de Würzburg consiste de apenas cinco secções e um apêndice. Ver aqui o conteúdo do volume I do manuscrito de Würzburg. A carta de HPB para Olcott (acima citada) sugere que o manuscrito de Würzburg sobrevivente está incompleto e possivelmente representa apenas um terço do primeiro volume original de “A Doutrina Secreta”.

Como descreve HPB o tema do volume I original? Na sua carta de 14 de julho de 1886 para Olcott, ela dá a seguinte informação:

“Vou enviar a teu cuidado e à tua responsabilidade o “Prefácio para o leitor” e o 1º capítulo da “Doutrina Secreta”. Existem mais de 600 páginas de papel de ofício como um livro preliminar introdutório, mostrando os inegáveis factos históricos provados sobre a existência dos Adeptos antes e depois do período Cristão, da aceitação de um sentido esotérico duplo em ambos os Testamentos pelos Pais da Igreja e provas de que a verdadeira fonte de todos os dogmas cristãos assenta nos mais antigos MISTÉRIOS arianos durante os períodos védico e bramânico, provas e evidências disso. Dentro de quinze dias enviarei o Prefácio e o 1º capítulo. [citado em de Zirkoff, Introdução da DS 28-9].

Nesta carta, HPB descreve não só os conteúdos do primeiro volume original de “A Doutrina Secreta” mas também os conteúdos do manuscrito de Würzburg que sobreviveu. Em 3 de março de 1886 numa carta para A.P. Sinnett, HPB descreveu os conteúdos deste mesmo primeiro volume de “A Doutrina Secreta”:

Blavatsky e Olcott sentados e Sinnett de pé
Foto: ST Espanha, Loja Espanha

“Terminei um enorme Capítulo Introdutório ou Preâmbulo, Prólogo, chame-lhe o que quiser; apenas para mostrar ao leitor que o texto tal como é apresentado - cada Secção começando com uma página da tradução do Livro de Dzyan e do Livro Secreto do “Buddha Maitreya” Champai chhos Nga (em prosa, não os conhecidos cinco livros em verso indecifráveis) - não é ficção.”

Foi-me ordenado assim, fazer um rápido esboço do que era conhecido historicamente e na literatura, nos clássicos e nas histórias sagradas e profanas – durante os 500 anos que precederam o período cristão e os 500 anos subsequentes: da magia, a existência de uma Doutrina Secreta Universal conhecida dos filósofos e dos Iniciados de todos os países e até de vários pais da Igreja como Clemente de Alexandria, Orígenes e outros, que tinham sido eles próprios iniciados.

Também descrever os Mistérios e alguns rituais, e posso assegurar-lhe que as coisas mais extraordinárias serão expostas agora, a história completa da Crucificação, etc… mostrando que são baseadas num rito tão antigo como o mundo – a crucificação do Candidato em provação no torno, descendo ao Inferno, etc… tudo Ariano.




A história completa até aqui ignorada pelos Orientalistas é encontrada exotericamente nos Puranas e nos Brahmanas e explicada e complementada com aquilo que as explicações esotéricas fornecem.  [Letters of H.P. Blavatsky to A. P. Sinnett, ed. A. T. Barker, p.195; também citado por de Zirkoff em SD Intro., p.26].

Boris de Zirkoff e Geoffrey Barborka (SD Intro., p.68-70) acreditam que esta carta do mês de março descreve material que não está mais disponível. Existem razões para uma opinião contrária. De Zirkoff (69) diz que HPB na sua carta de 3 de março descreve “um enorme Capítulo Introdutório” e que “cada Secção começa com uma página da tradução do Livro de Dzyan”. Isto, estou em crer, é uma interpretação errónea do que HPB escreveu e que foi acima citado:


Geoffrey Barborka (1897-1982)

“Terminei um enorme Capítulo Introdutório ou Preâmbulo, Prólogo, chame-lhe o que quiser; apenas para mostrar ao leitor que o texto tal como é apresentado - cada Secção começando com uma página da tradução do Livro de Dzyan e do Livro Secreto do “Buddha Maitreya” Champai chhos Nga (em prosa, não os conhecidos cinco livros em verso indecifráveis) - não é ficção.”

A chave para a interpretação desta passagem é a frase “tal como o texto
é apresentado”, que se refere, estou em crer, ao texto central do segundo volume de A Doutrina Secreta (que lida com a cosmogonia), na qual cada secção começa com uma página da tradução do Livro de Dzyan.  Por outras palavras, HPB havia escrito um enorme “Livro Introdutório Preliminar”, “Capítulo Introdutório ou Preâmbulo, Prólogo, chame-lhe o que quiser” (Volume I) de modo a mostrar ao leitor que o texto principal no Volume II sobre cosmogonia “não era ficção”. Então HPB prossegue explicando que o que estava no primeiro volume: “Foi-me ordenado…fazer um rápido esboço daquilo que era conhecido.”


H.P. Blavatsky


Continua na próxima semana.